Elétricas ganham o mercado

Modelos elétricos conquistam mercado e se tornam opção para grandes cidades

Publicado em 1 de março de 2011 às 11:12

Texto de Marcos Adami – Fotos de divulgação
Publicado sob autorização da revista Bike Action

Em tempos de aquecimento global e trânsito caótico, as bicicletas vêm ganhando cada vez mais espaço nas cidades mundo afora como uma solução viável de transporte barato e ecologicamente correto para as curtas distâncias. Grandes metrópoles européias, como Paris e Lyon, adotaram em 2007 o serviço das bikes coletivas Vélib e o sucesso foi tanto que projetos similares se espalharam para outras cidades da Europa e de outros continentes.

De olho no filão das bikes urbanas e no mercado crescente que elas representam algumas marcas já comercializam bicicletas elétricas. Há quem as chame de bicicletas híbridas, afinal, combinam a eletricidade e a as pedaladas como fontes de energia. O ciclista pode dosar o quanto do auxílio do motor ele deseja empregar.

Além de exigir menos esforço físico, o grande trunfo dessa nova geração de bicicletas é que, diferente dos motorizados scooters, elas não exigem carteira de habilitação.

Nos Estados Unidos, a tradicional Schwinn, uma das marcas mais antigas do mundo com 113 anos de história, desde o ano passado oferece uma linha com quatro modelos de bikes movidas com um pequeno motor elétrico embutido no cubo dianteiro e alimentado por uma bateria recarregável de 29.4 volts e 10 ampéres-hora instalada no bagageiro.

PRÓS E CONTRAS

A economia aparece como o grande atrativo para as bicicletas elétricas. O custo do quilômetro rodado fica em torno de R$ 0,01 (um centavo) segundo as empresas que comercializam essas bikes no Brasil.

As elétricas são perfeitas para os menos aptos fisicamente, para fazer pequenas compras, transportar estudantes e idosos, passear em regiões litorâneas, locomoção em grandes condomínios e universidades e até para a vigilância e patrulhamento de grandes áreas.

Os fabricantes sugerem deslocamentos de até 15 km de distância (de preferência em vias pavimentadas), já que a autonomia da maioria das bikes elétricas não vai além dos 35 ou 40 km.

Algumas bikes se parecem mais com pequenas motos, suportam entre 90 e 110 kg e podem até levar um passageiro na garupa. Por motivos de segurança, a velocidade máxima é limitada a 25 km/h e as bikes têm capacidade de superar rampas com até 15% e inclinação.

Mas a popularização das bicicletas elétricas tem três grandes obstáculos pela frente.

O primeiro é o peso. As mais leves pesam em torno dos 25 kg, mas há bikes que chegam a pesar 40 quilos. Uma bicicleta com esse peso se torna difícil, por exemplo, de ser carregada escada acima, inviável de ser transportada num rack de automóvel e, sem a ajuda dos motores, a tarefa elementar de pedalar fica complicada.

O segundo é a durabilidade das baterias, que raramente passa dos 18 meses (chegam a dois anos na melhor hipótese) e custam caro para serem repostas.

Outro ponto desfavorável é o alto preço. No Brasil, o modelo elétrico mais barato custa cerca de R$ 2 mil e o mais caro sai por R$ 3.890. Nos EUA, o preço da maioria dos modelos varia de US$ 500 a US$ 3 mil, elevados mesmo para o padrão dos países mais ricos.

NOVA TECNOLOGIA

A tecnologia das modernas baterias de polímero de lítio foi fundamental na alavancagem desse novo segmento no mercado de bicicletas. As novas baterias oferecem uma maior duração da carga, mais autonomia de quilometragem, recarga mais rápida, menor peso e uma vida útil maior.

Em termos numéricos, as baterias de polímeros de lítio são até cinco vezes mais eficientes na relação peso x potência que as antigas baterias de chumbo, quatro vezes mais que as de níquel-cádmio e 1,4 vezes que as de íon de lítio, usadas largamente nos atuais notebooks, celulares e outros portáteis. O tempo de recarga que diminuiu para a metade do tempo e atualmente bastam três horas de tomada para a bike estar com o “tanque cheio”. Outra vantagem é que a bateria de polímero de lítio não é inflamável e dispensa a blindagem de metais pesados das outras baterias.

Mas não foram somente as baterias que evoluíram. Os motores elétricos também estão mais silenciosos, leves e eficientes.

Os modelos da Schwinn utilizam um pequeno motor elétrico embutido no cubo da roda dianteira. O motor tem a tecnologia “brushless”, que não tem escovas e, portanto, não há desgaste nas partes que giram (o ímã permanente da carcaça estatora e a bobina do induzido). O câmbio é um Shimano Nexus de sete velocidades embutido no cubo. Segundo a empresa, o conjunto elétrico, incluindo a bateria, aumenta em apenas 5,5 kg o peso total da bike.

O motor é controlado no punho da manopla direita, como num acelerador de motocicletas. Para poupar até 20% da carga da bateria, o ciclista deve pedalar e colocar a bicicleta em movimento até atingir 5 km/h e então acelerar. Quando não é necessário o motor, em descidas por exemplo, basta parar de acelerar para que o sistema seja desligado. O motor é automaticamente desligado quando excede determinada velocidade e quando os freios são acionados.

Outra marca que já ensaia entrar nesse mercado de elétricas é a Yamaha (foto abaixo).

Em agosto do ano passado, o gigante japonês das motocicletas apresentou o modelo PAS Brace, com oito marchas embutidas no cubo traseiro controlado por um sistema automático. A bike é alimentada por uma bateria de 25.9 volts de 4 Ah (ampéres-hora) que pode levar a bike até a velocidade máxima de 24km/h (acima desse limite o motor é desligado) e a autonomia pode chegar aos 40 km. O ciclista pode optar entre três modos de pilotagem: Auto, Power e Auto Eco Plus. A bicicleta será comercializada no Japão ao equivalente a US$ 1.150 e a Yamaha espera vender pelo menos 2.500 unidades por ano.

MODELOS NO BRASIL

No Brasil as bikes elétricas já chegaram e podem ser encontradas em algumas bike shops e redes especializadas em material esportivo, como a Centauro.

Em 2007, uma empresa carioca apresentou na feira Bike Expo Brasil alguns modelos de bikes elétricas da marca Izip, feitas na China sob licença da empresa norte-americana Currie Technologies, que produz modelos elétricos também para marcas consagradas como a Schwinn, Mongoose e GT.

A Currie tem uma vasta linha de bicicletas, com 24 modelos que vão de a US$ 500 a US$ 3 mil, inclusive com bikes dobráveis compactas, todos com motores elétricos instalados na roda traseira.

Desde 2006, 20 bicicletas de aluguel modelo da marca Izip circulam pelas praias da charmosa Búzios, no litoral norte do Rio de Janeiro. No ano passado a marca brasileira Sundown apresentou quatro modelos de bikes elétricas na Adventure Sports Fair. Eram protótipos feitos na China que a empresa pretendia desenvolver e comercializar no Brasil, mas o projeto foi adiado após a crise financeira mundial do final do ano e a conseqüente alta do dólar.

A indústria nacional também não quer perder esse mercado e a fábrica gaúcha Big Bikes, de Novo Hamburgo, tem modelos de bicicletas elétricas que podem ser encontrados em algumas lojas do Brasil.

Outra opção disponível no mercado são os kits de transformação que podem ser instalados em qualquer modelo de bicicleta. Há modelos no mercado brasileiro a partir de R$ 1.999 e que podem ser encontrados em diversas lojas da internet.

No Brasil, há também kits disponíveis para serem instalados em praticamente todos os modelos de bicicletas comuns e transformá-las para transformá-las em elétricas. O kit mais em conta da Brazil Eletric (www.brazileletric.com.br) custa R$ 1.790 e traz a bateria de 24 volts e 18Ah, carregador, motor elétrico brushless de 550W, bolsa de adaptação, pedivela, suportes, acelerador de punho etc.

CONHEÇA ALGUNS MODELOS:

BIG BIKE EX-350

Com design moderno e rodas de liga leve, o modelo Big Bike EX-350 tem motor de 350 watts e pode transportar duas pessoas. O tempo de recarga da bateria é de 6 a 8 horas e custa apenas R$ 0,43 uma recarga completa segundo o fabricante. Lembra muito uma scooter com piscas, faróis, retrovisores, suspensão dianteira, freio a disco na dianteira, cavalete central, cestinha na dianteira e porta-objeto na traseira. O peso não é informado pelo fabricante. O preço é de R$ 3.890 na Casa Turnes de Joinville (SC) www.casaturnes.com.br. Há outros quatro modelos elétricos na mesma loja a partir de R$ 2.490.

ECOBIKE CITY 250

Tem autonomia de até 40 km e o ciclista tem a opção de retirar a bateria e levá-la até uma tomada para carregar. Segundo o fabricante custo por quilômetro do motor de 250 watts é de apenas R$ 0,01. Tem suspensão dianteira, bagageiro, retrovisores, buzina, pisca e farol. As rodas são de aro 24” e o peso da bike e de 38 kg. Há modelos há partir de R$ 1.999. Informações no site www.ecobike.com.br.

IZIP EZGO

Tem rodas aro 16”, é compacta e dobrável. Tem bateria de íons de lítio com autonomia para até duas horas de funcionamento. Cada recarga leva de 4 a 6 horas e sai por R$ 0,50 segundo o fabricante. O peso é de 38 kg. Custa R$ 2.600 na www.centauro.com.br

IZIP MOUNTAIN TRAILZ AL

Tem rodas aro 26” e vem com duas baterias de íons de lítio que garantem quatro horas de autonomia. Suporta um ciclista com até 110 kg de peso e tem sete marchas. Custa R$ 2.432 na www.amazonasbike.com.br

PARA SABER MAIS:

Ampére-Hora
Medida que informa a quantidade de carga elétrica transferida por uma corrente estável de um ampére no espaço de tempo de uma hora. Uma bateria de 10 Ah garante o fornecimento de ampéres durante duas horas ou 6,5 ampéres durante uma hora e meia.

Numa subida por exemplo, uma bike vai consumir até 15 Ah, ao passo que numa reta esse valor será de aproximadamente 6,5 Ah. O consumo de uma bicicleta elétrica está diretamente ligado ao peso do ciclista, relevo, velocidade, vento e também à força que o biker está aplicando aos pedais. Os modelos modernos da Schwinn poderão ter autonomia de até 30 ou 40 minutos se o biker utilizar exclusivamente a tração elétrica ou de até 90 minutos se pedalar.

Watt
Unidade que mede potência. É o produto da voltagem multiplicada pela quantidade de ampéres. A maioria das bikes elétricas tem motor com potência entre 150 e 350 Watts.

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