Regulagem do câmbio traseiro

Aprenda com Klaus Poloni a fazer a regulagem perfeita do câmbio traseiro

Publicado em 1 de março de 2011 às 11:52

Klaus Poloni (klauspoloni@bikerider.com), um dos poucos, senão o único construtor de quadros no Brasil, dá as dicas para a perfeita regulagem do câmbio traseiro. A periodicidade da regulagem vai depender do estado de todo o conjunto de câmbio, bem como da utilização da bicicleta. Uma bike que enfrenta condições severas vai precisar de ajustes mais freqüentes.

Mas, como regra geral, a regulagem deverá ser feita todas as vezes que as mudanças de marchas se tornam mais lentas e as marchas “raspam” durante a troca.

FERRAMENTAS NECESSÁRIAS:

  • Chave Allen 5mm
  • Chave Phillips e/ou chave de fenda
  • Alicate universal ou de bico
  • Cavalete ou suporte para tirar a roda traseira da bike do chão. Dá para improvisar um suporte caseiro com uma madeira (cabo de vassoura) apoiado em duas cadeiras. O importante é que a bike fique firme e a roda traseira saia do chão. Até mesmo pendurar a bike pelo selim em uma árvore é válido.

FAÇA VOCÊ MESMO

O primeiro passo é examinar se os componentes do câmbio (câmbio traseiro, corrente, cassete, coroas e trocadores de marcha) são compatíveis entre si. Na dúvida pergunte a um amigo experiente ou a um mecânico”, ensina Klaus. Outra dica é examinar com atenção o cabo de acionamento do câmbio. Ele deve estar bem limpo e lubrificado.

Outro detalhe importante é ter a certeza de que os conduítes são mesmo conduítes para o cabo de câmbio. Conduítes para cabos de freio são diferentes dos conduítes de câmbio em sua construção e interferem diretamente no bom funcionamento do câmbio. Cabos oxidados, desfiados, bem como conduítes ressecados e quebrados, devem ser substituídos por novos, para que o câmbio atue com perfeição.

Os câmbios indexados – aqueles que mudam de marcha com um simples toque no mudador – funcionam muito bem, desde que alguns pontos sejam observados. “A partir do câmbio Shimano SIS o ciclista tem que se preocupar com a qualidade dos componentes câmbio, capas e cabos. Folgas no câmbio também vão interferir diretamente na precisão da troca de marchas”, ensina Poloni.

REGULAGEM DOS LIMITES SUPERIOR E INFERIOR

Essa regulagem vai impedir que a corrente caia fora da catraca menor e da maior.

1- Coloque a corrente no volante maior e na catraca menor.

2- Solte o parafuso Allen que prende o cabo ao câmbio.

3- Solte o parafuso Hi, para que a corrente venha para a direita. Ao mesmo tempo que solta o parafuso Hi, gire lentamente o pedivela e observe: Quando o câmbio começar a fazer o barulho que vai derrubar a corrente para a direita, em direção à gancheira, esse é o ponto correto do limite inferior.

Pedale a bike com a mão e certifique-se que a corrente não vai cair fora da catraca menor. Como o cabo ainda está solto, faça o seguinte teste:

Giro o pedal com as mãos. Empurre manualmente o câmbio em direção à catraca maior e deixe-o voltar naturalmente. A corrente deve entrar perfeitamente na catraca menor, sem cair para fora ou fazer barulhos estranhos.

4- Coloque a corrente no volante menor e faça o mesmo com a regulagem Lo, que vai limitar e impedir que a corrente caia em direção aos raios.

Feita a regulagem do limite inferior e superior, é hora de proceder a regulagem das marchas:

REGULAGEM

5- Gire no sentido horário (olhando por trás da bicicleta) o regulador, junto ao câmbio. Volte também completamente o regulador no shifter (alavanca de mudança de marchas).

6- Coloque a corrente no volante maior e na catraca menor. “Existe uma crença que o volante do meio de uma mountain bike pode ser utilizado com todas as marchas. Isso é ótimo para a Shimano e para as bike shops – que vendem mais peças – mas na realidade o ideal é usar o volante do meio com as marchas localizadas mais ao centro do cassete. Isso aumenta a vida útil de todo o conjunto como corrente, cassete e roldas, pois diminui o esforço lateral da corrente.

O ideal é usar o volante da direita com as 2 ou 3 catracas da direita e o volante da esquerda com as 2 ou 3 catracas da esquerda, e o volante do meio com as catracas do meio do cassete”.

7- O cabo do câmbio deverá ser tensionado e o parafuso de fixação apertado (foto). A tensão a ser dada no cabo é muito importante. O cabo não pode estar nem solto demais, nem apertado demais.

Se o cabo ficar muito solto, as marchas não vão subir, se ficar muito tensionado, um clique no shifter vai trocar duas marchas. A prática vai ensinar qual a melhor tensão.

DICA DO KLAUS: Cuidado ao apertar o Allen. Segure todo o corpo do câmbio com uma das mãos.

AJUSTE FINO

A regulagem final da passagem das marchas de um câmbio indexado começa pela catraca menor, com a corrente no volante maior. Ao ajustarmos a troca de marchas das duas catracas menores, as demais irão também funcionar perfeitamente.

8- Gire o pedal com as mãos e acione o mudador para que a corrente suba para a catraca imediamente maior. Se a corrente NÃO subir, é sinal que falta tensão no cabo. Gire o ajuste no sentido anti-horário para esticar o cabo. Gire lentamente o regulador – mais ou menos uma volta. Se a corrente ainda não subiu para a catraca imediatamente maior, volte o regulador e torne a dar mais tensão de cabo, soltando o parafuso de fixação junto ao câmbio. (Um cabo muito tensionado fará que com um clique no mudador, duas ou mais marchas sejam trocadas).

9- Assim que a marcha estiver entrando perfeitamente na segunda catraca, coloque a corrente na segunda catraca e gire o pedal com as mãos ao mesmo tempo em que tensiona o cabo, por meio do regulador, junto ao câmbio. A idéia é encontrar o ponto onde o câmbio começa a fazer o barulho de que vai subir para a marcha seguinte.

10- Volte um pouco o regulador (cerca de ¼ de volta) e desça novamente a marcha para a menor catraca. Novamente vá subindo as marchas e verifique o funcionamento das demais marchas. Todas elas devem estar funcionando perfeitamente.

11- Coloque a corrente no volante do meio e confira novamente o funcionamento de todas elas.

DICA FINAL:
Aquele parafusinho inferior, próximo à gancheira, serve para fazer o ajuste da distância entre as roldanas do câmbio e as catracas, já que existem diversos construtores de quadros, diferentes tipos de gancheira, vários comprimentos de roldanas e de corrente etc. Entretanto, em uma regulagem do dia a dia, não é necessário mexermos no ajuste desse parafuso. Esse parafuso traz a roldana bem próxima à catraca menor. Quanto menor essa distância, mais precisão e rapidez haverá na troca de marchas.

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