
Preparador dá dicas para chegar
bem no dia da prova importante José
Luiz Dantas - jldpessoal@yahoo.com.br
Na semana das competições
importantes é comum nos preocuparmos em diminuir a carga de treinamento
para que o corpo chegue descansado e recuperado, ou seja, o tradicional “cheio
de gás” no dia da prova.
Se você não
faz isto, pode passar a fazer, pois é assim que deveria ser durante um
período de uma a duas semanas antes das principais provas (provas-alvo),
o que nós treinadores chamamos de semanas de polimento ou pré-competitivas.
Porém, além
de cuidar do descanso do seu corpo do pescoço para baixo, por causa dos
recentes estudos que procuram entender a relação entre a mente
(cérebro) e o corpo, é melhor atentar-se também para o
cuidado com o descanso mental.
Pesquisadores da Universidade
de Bangor, no país de Gales, fizeram um estudo para ver o efeito da fadiga
mental sobre o rendimento em exercício, onde os voluntários faziam
o mesmo teste de ciclismo em duas condições, sendo uma com e outra
sem fadiga mental.
Na condição
de fadiga mental eles faziam 90 minutos de tarefas cognitivas que exigiam de
sua atenção e inteligência, e depois destas tarefas, pedalavam
a 80% da sua capacidade máxima até a exaustão. A diferença
da condição sem fadiga mental foi que os voluntários assistiam
um documentário neutro e que não causava fadiga mental.
Os voluntários tinham
um tempo menor para atingir a exaustão, ou seja, conseguiam pedalar menos
tempo do que quando pedalavam sem a fadiga mental e, além disto, sentiam
que estavam se esforçando mais para fazer o mesmo exercício.
Em outro estudo desta universidade,
com o auxílio de mais outras duas também localizadas no Reino
Unido, os pesquisadores buscaram ver o efeito de uma noite sem dormir sobre
a capacidade de exercício. Também encontraram que uma noite mal
dormida diminuiu a capacidade de exercício, pois nesta condição
os voluntários da pesquisa percorreram uma menor distância em 30
minutos de exercício do que quando tinham dormido normalmente, como por
exemplo, em torno de oito horas por noite.
Outros estudos demonstram
que para recuperar totalmente a noite de sono perdida são necessários
em torno de dois dias de bom e longo repouso, mesmo que depois de uma noite
bem dormida posterior a noite sem repouso, pareça que nós estejamos
recuperados pela sensação de diminuição da sonolência.
Também é interessante
apontar que em todas as pesquisas citadas acima não houve mudanças
fisiológicas, ou seja, as fontes de energia, a hidratação
e a função muscular eram as mesmas em todas as condições
e não sofriam alteração na maneira de como se comportavam
durante os testes em nenhuma condição. Isto é uma informação
importante porque demonstra que a causa da queda de rendimento no exercício
teve origem no sistema nervoso central, ou seja, de origem mental.
Frente a todas essas informações,
o que na prática devemos levar em consideração é
o seguinte:
1º) Nada de fazer aquela
“baladinha” na noite de sexta se a competição vai
ser no domingo, pois a noite de sábado para domingo não vai recuperar
completamente as suas funções cognitivas e a capacidade de rendimento;
2º) Não fique
estudando intensamente, como por exemplo, para o vestibular, ou faça
trabalho que use sua inteligência, memória e atenção
nos dias que precedem, e principalmente no dia anterior, à sua principal
corrida no ano. Tente se programar para fazer isto antes, para ter os dias anteriores
a prova para descansar. Traçar estratégias de corrida com seu
técnico ou companheiros de equipe até tarde no dia anterior a
competição também não é uma boa conduta;
3°) Se por acaso você
esquecer estas dicas ou por qualquer outro motivo você cansar sua mente
por tarefa cognitiva ou privação de sono, uma alternativa é
tirar uma soneca de 30 minutos algumas horas antes da corrida, em um lugar tranquilo
e confortável. Isto não vai trazer de volta a sua capacidade de
rendimento, porém segundo alguns estudos, essa estratégia vai
ajudar a melhorar sua capacidade mental e diminuir a sonolência, possibilitando
que você fique mais atento na corrida e ao que acontece nela, o que é
extremamente importante quando se está dentro de um pelotão ou
em uma trilha mais agressiva.
Seguindo estas dicas, principalmente
as duas primeiras, você tem grande probabilidade de conseguir um bom rendimento
obtendo o melhor do que você conquistou com o seu treinamento físico.
Agradecimento ao professor
Dr. Fábio Yuzo Nakamura, docente de pós-graduação
da Universidade Estadual de Londrina pela elaboração conjunta
da idéia e sugestões ao texto.
Mestrando em educação
Física, Bacharel em Treinamento em Esportes e Preparador Físico
de Ciclistas amadores e profissionais.
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