
Saiba quais são as lesões mais
comuns no ciclismo e como evitá-lasPara a sorte de
todos os que amam os esportes com bicicleta, a boa notícia é que
o ciclismo (e todas as suas variações, como mountain bike, BMX,
cicloturismo etc) é um dos esportes com menor índice de lesões.
"O ciclismo
chega a ser benéfico para as articulações do joelho, quando
realizado de maneira correta", ensina o fisioterapeuta Wilson Germano,
de Campinas (SP).
Entretanto, existem
sim lesões que são típicas de praticantes de ciclismo,
seja ele ciclismo indoor (Spining, RPM, Cycling Indoor e outros) ou o ciclismo
de rua. Na grande maioria das vezes, as lesões ocorrem por estresse de
treinamento (overtraining) em ciclistas de competição. Em ciclistas
que pedalam por prazer, as lesões em geral aparecem em função
do mau ajuste da bicicleta e/ou uso inadequado da bike.
"Em profissionais
são comuns as tendinites de joelhos e no Tendão de Aquiles e também
as dores na região lombar, no pescoço e dos músculos do
trapézio (região lateral do pescoço, próximo aos
ombros)", ensina Cássio Paiva, ciclista brasileiro que venceu a
Volta de Portugal, em 1992.
"O ciclismo
em bike estacionária é tido com a atividade de menor estresse
oferecido à articulação do joelho", garante Germano.
Mas ele também alerta que uma aula de ciclismo indoor mal dirigida e
com o aluno pedalando uma bike mal ajustada para seu corpo, pode gerar casos
de lesões gravíssimas, sobretudo no joelho do praticante.
Entre as principais
causas de lesões em ciclistas, amadores ou profissionais, Germano aponta:
- Falta de conhecimento
técnico da modalidade;
- Falta de equipamento específico para a prática do esporte;
- Falta de orientação de profisssionais capacitados e fundamentados
para a prática do esporte.
Veja no quadro
abaixo as principais lesões do ciclismo e a maneira de evitá-las:
| TIPO
DE LESÃO |
O
QUE É |
COMO
EVITAR |
| QUEDAS |
A
maior incidência de lesões no ciclismo é decorrente
de quedas e acidentes com o ciclista. |
Observar
as regras de segurança no trânsito, respeitar as leis, transitar
com atenção e conduzir a bike de maneira a evitar acidentes
preventivamente. |
TENDINITES
NOS JOELHOS |
Cerca
de 56% do ciclo do pedal são feitos pelo músculo Vasto Medial
(a batatinha do joelho do ciclista). Uma pedalada com técnica errada
ou pedalada com muita sobrecarga (subidas, pedaladas travadas) vai sobrecarregar
esta musculatura e pode causar lesões. |
Escolha o
tamanho de quadro correto para seu tamanho. Observe as regulagens e ajustes
para seu corpo. Pedale em uma cadência entre 80-90 rpm no plano
e 60-65 em subidas. Não pedale em marchas muito pesadas para não
sobrecarregar os joelhos. Alongue-se antes e depois dos exercícios. |
| LOMBALGIA |
São
as dores lombares, mais conhecidas como dores nas costas. Em geral é
decorrente da posição mal ajustada do ciclista sobre a bike.
O mais comum é a dor na região do músculo do quadrado
lombar (fica entre a primeira vértebra lombar até a segunda
vértebra sacal, conhecidas como L1 e S2). |
A escolha
do tamanho do quadro e as regulagens corretas são o caminho das
pedras para evitar as lombalgias. Alongamentos, antes e depois do exercício,
também são eficazes. Pedale por um período de tempo
que não cause dores nas costas. Vá aumentando este tempo
gradativamente. Cada um tem o seu limite. Massagem após treinos
e provas dão bons resultados. Faça exercícios abdominais.
Um abdômen tonificado é fundamental para a sustentação
do corpo do ciclista sobre a bike. |
ESTIRAMENTOS
E CONTRATURAS |
Ocorre
principalmente na panturrilha (batata da perna) e nos quadríceps,
em geral por, overuse (tradução literal do inglês:
excesso de uso). |
Alongue-se
antes e depois dos exercícios.
Procure praticar musculação para promover o fortalecimento
dos grupos musculares envolvidos na pedalada. Evite pedaladas com muita
força e também com alto giro (acima dos 120 rpm). Procure
descansar depois de treinos muito árduos e de competições.
O descanso deve fazer parte de seu treinamento. Aplique massagem após
treinos e provas. |
PARESTESIA
PENIANA |
Nada
mais é que a dormência e falta de sensibilidade na região
entre as pernas, que vai apoiada no selim da bike. Nas mulheres ocorre a
parestesia dos grandes lábios. O nervo pudendo, quando submetido
a uma compressão por longo período de tempo, passa a ter menor
sinal de impulso nervoso, o que leva a perda de sensibilidade temporária.
Não há relatos de perda de potência devido ao ciclismo. |
Cada
um deve conhecer o limite de tempo que pode ficar sentado sobre a bike.
Profissionais treinam até 9 horas por dia numa boa. Para iniciantes,
apenas 20 minutos podem gerar incômodos. Use bermuda de ciclismo com
o forro feito de uma espuma de alta densidade, mesmo em aulas de ciclismo
indoor. Há no mercado algumas novas opções de selim.
Procure adquirir um modelo vazado no centro que ajuda a aliviar a pressão
na região do períneo. |
FACITES
PLANTARES |
É
a sensação de queimação na planta do pé
do ciclista. Ocorre devido ao atrito do pé com a parte interna da
sapatilha/tênis. |
Procure usar
sapatilhas próprias para ciclismo. Evite usar calçados com
sola muito mole. Na pedalada, faça força sempre perpendicularmente
ao eixo do pedal. |
URETRITE
INESPECÍFICA |
É
o ardor na hora de urinar. |
Pedale
apenas a quantidade de tempo que você suporta. Use uma boa bermuda
de ciclismo. Um selim vazado no centro vai ajudar bastante. |
| MICROHEMATÚRIA |
É
a aparição de pequenos flocos de sangue na urina |
Pedale
apenas a quantidade de tempo que você suporta. Use uma boa bermuda
de ciclismo. Um selim vazado no centro vai ajudar bastante. |
TRATAMENTO
Existem diversas
maneiras de se tratar lesões, muitas delas nem mesmo utilizam medicamentos.
A fisioterapia se encarrega de cuidar e recuperar a maioria das lesões.
Às vezes, o simples afastamento do ciclista da atividade esportiva por
um período de tempo, já é o suficiente para que a lesão
desapareça.
O mais importante
é estar atento ao sinais que nosso corpo nos envia. Ao menor sinal de
dor muscular o atleta deve procurar a ajuda de um fisioterapeuta competente
que saberá indicar o melhor tratamento. A visita a um médico ortopedista
poderá ser necessária, mas na maioria dos casos, a fisioterapia
já é o bastante.
| CICLISMO
INDOOR
O ciclismo
indoor, praticado em bikes estacionárias, foi criado pelo sul-africano
radicado nos EUA, Johny G, ultra-ciclista que disputava provas do tipo
Race Across America, que chega a ter mais de 5 mil quilômetros e
oito dias de duração.
Em 1997,
Johny G. criou o programa "Spinning" de treinamento e patenteou
o modelo de bike indoor juntamente com a marca norte-americana Schwinn,
hoje líder nesse segmento.
Mais tarde,
vieram outros programas de ciclismo indoor que utilizam as bicicletas
criadas por Johny G. e receberam nomes variados como RPM, Precision Cycling,
Cycling Reebok, Kaiser Powerpace e outros tantos.
No
Brasil, o fisioterapeuta Wilson Germano (foto) é um dos
pioneiros na modalidade. Durante um bom tempo ele foi "Presenter"
do programa Spining e ministrou cursos pelo Brasil afora. Ele trouxe o
Spinning ao Brasil, juntamente com outros dois professores, em 1995, e,
em 2001, desenvolveu um trabalho em conjunto com o ex-técnico da
Seleção Brasileira de Ciclismo, Antonio Carlos Silvestre,
que ficou conhecido como "Cycling Indoor".
Este programa
leva em conta, prioritariamente, a segurança do aluno. A grande
preocupação é evitar lesões. "Não
adianta treinar o aluno se ele não tiver dominio e segurança
daquilo que será usado na sala de aula", explica Germano.
Hoje, o Brasil
é o terceiro maior praticante de ciclismo indoor do mundo, só
perdendo para os Estados Unidos e a Itália. Em Brasília,
por exemplo, o programa criado por Germano é usado em mais de 100
academias. E também é adotado como programa por outras centenas
de academias do Rio, Nordeste, São Paulo e outros Estados.
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