Minha mãe
passou a trabalhar menos e como já estava grandinha deixei o orfanato.
Eu estudava em um colégio municipal e eu não tinha compromisso
com nada, ficava a maior parte do dia em cima de uma bike e, com amigos, íamos
pros quatro cantos de BH. Para poder melhorar de bike passei a consertar as
magrelas da turma. A grana que recebia eu gastava com minha bike, até
poder trocar por uma melhor e com marcha, já que minha Caloisinha não
tinha marcha.
E
as competições? Como você foi parar nesse mundo?
Competir. Essa
era uma palavra que eu nunca tive em mente. No início era tudo diversão,
mas como acabei me envolvendo muito cedo com bike, a minha facilidade em dominar
a bicicleta era total. Isso fez com que meus amigos percebessem o talento nato,
despertei então a curiosidade de participar de algum campeonato, com
a ajuda dos amigos, e fui para minha primeira competição. Para
surpresa de todos, eu venci! De lá pra cá venho me dedicando totalmente
ao esporte.
E
nessa época você vivia só das competições?
Em
99 eu iniciei o ano sem patrocínio, mas por conta própria era
impossível participar de campeonatos. Resolvi então dedicar-me
à venda de bikes. Arrumei um emprego em uma loja da Grande BH - a Via
Ciclo - , e vivenciei uma experiência de seis meses. Durante esse tempo
aproveitava a bike como meio de transporte para me locomover até o trabalho,
para não perder a forma, já que trabalhava o dia todo e não
tinha mais tempo para treinar.
É
verdade que você chegou a trabalhar de bike courier em BH? Como foi isso?
Durante um bom
tempo, sempre que pintava uma oportunidade, eu e outros amigos nos cadastravam
em uma empresa de bike courier. Rodávamos mais de 120 km por dia entregando
documentos, fazia sol ou chuva eu estava de pé às 6 da manhã
e só retornava em casa às 17 horas, com uma hora para almoço.
Era duro o trabalho, mas era para ajudar no orçamento de casa e para
bancar a maioria das provas que eu participava.
Quando
você passou a viver somente do esporte?
Quando eu entrei
pra equipe de Niterói - a Amazonas - as coisas começaram a melhorar.
Eu tinha um bom equipamento e uma boa estrutura pra viajar. Depois de permanecer
na equipe por três anos, já me dedicava 100% ao esporte e me arriscava
em algumas provas de downhill também. Com apenas dois anos de estrada,
eu já era integrante da Seleção Brasileira. Aos 17 anos
eu já vivia totalmente por conta do esporte.
Até
o momento, qual você considera sua maior conquista no esporte?
Todas
minhas vitórias foram sempre marcantes na minha vida, cada uma de uma
maneira diferente. Tenho como mérito maior a conquista de três
títulos da Copa Internacional Power Bar Reebok (antiga Copa Ametur).
Há um velho ditado que gosto: ganhar uma vez é fácil, difícil
é ser campeã três vezes. Minha conquista maior ainda esta
por vir, se Deus quiser!
Você
estava nos Estados Unidos no dia dos atentados em 11 de setembro de 2001. O
que você se recorda desse dia?
Lembro-me de tudo
como se fosse hoje. Sinceramente para mim era tudo alegria, não cabia
em mim tanta felicidade em estar entre os melhores do mundo. Quando eu retornei
ao Brasil que percebi a gravidade do que vivenciei. Mas só tenho boas
lembranças.
Você
não ainda não estreou na temporada 2006 por conta de uma lesão.
A que você atribui essa lesão?
Após
sofrer uma queda em maio de 2005, comecei a sentir forte dores na região
da coxa. Procurei três médicos, fiz vários exames, mas nenhum
dos médicos constatou a lesão e continuei competindo normalmente.
Mas as dores persistiram e em julho eu diminui meus treinos em mais de 60%.
Saía saia apenas para girar de leve.
Venci o Campeonato
Brasileiro de Marathon no final do ano com muita dor. Em dezembro procurei os
fisioterapeutas do Espaço By Japão.
No dia 17 os fisioterapeutas
constataram uma lesão crônica no músculo semi–tendíneo
e na inserção tendínea, e logo fiquei sabendo que o tratamento
seria longo, de quatro a cinco meses. Passei mais de 90 dias afastada das competições.
Fica aqui meu agradecimento aos fisioterapeutas Roberto Bretas, Fernando Junqueira
e Cláudio Neto.
Quando
você retorna às competições?
Ainda não
tenho previsão de voltar às competições. Já
dei início aos treinos, depois de ficar quatro meses sem praticar nenhuma
atividade física.
Quais
seus objetivos para o ano de 2006?
Em
2006 volto com bateria recarregada. Após fechar uma parceria com a empresária
Magda Carvalho e com o Técnico Campeão Mundial de Ciclismo Máster,
William de Carvalho, será um ano de novas experiências. Com essa
parceria espero ter mais tempo pra me dedicar ao esporte, com a estrutura necessária
para meu crescimento.
Visamos o Pan-Rio
2007 e Olimpíadas de 2008. Essa será nossa meta a longo prazo.
Para 2006, muitos treinos e dedicação para recuperar a forma física,
já que fiquei muito tempo afastada das atividades físicas.
Qual
o seu maior sonho no mountain bike?
Eu tinha muitos
sonhos, os quais fui conquistando aos poucos. Eu vivo do que sonho, sem sonho
não há pelo que lutar, por isso pretendo continuar sonhando com
uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e ver a bandeira do Brasil ser
hasteada e o Hino Nacional tocar para todos os continentes.