Via Claudia Augusta

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Via Claudia Augusta

Estrada romana do século XV ligava Roma às províncias do norte da Europa através dos Alpes.

Por Paulo de Tarso – Sampa Bikers

Descobrimos esse circuito cicloturístico em 2008, quando estivemos na Alemanha percorrendo a Rota dos Castelos e Rota Romântica. Durante o trajeto final da Rota Romântica, umas plaquetas com um logo bem legal da Via Claudia me chamou a atenção.

Vi um mapa de divulgação do caminho e, ainda em 2008, quando finalizamos a viagem pela Alemanha, já havíamos combinado que percorreríamos neste ano, para fazermos uma reportagem para a ESPN Brasil no programa “Aventuras Com Renata Falzoni”, e para minha coluna de onde pedalar na Revista Bike Action. Além disso, com essa pesquisa de reconhecimento da rota, em 2010 esta viagem será organizada em sete dias no trecho que elegi o mais legal e bonito.

A Via Claudia Augusta foi uma importante estrada romana construída no século XV com o objetivo de ligar Roma às províncias do norte da Europa, atravessando os Alpes.

O Caminho teve duas vertentes: uma rumo a Verona e outra rumo a Veneza, de onde vinham as mercadorias do Oriente.

Hoje, com o objetivo de resgatar parte da história, os representantes do turismo da Alemanha, Áustria e Itália se uniram na reativação do caminho de uma forma turística destinado a ciclistas, caminhantes ou cavaleiros.

O caminho de 770 km liga a cidade de Donauwört, na Alemanha, até Veneza ou Ostiglia, logo após a cidade italiana de Verona.

A história do caminho inicia no ano XV, quando Drusus e Tiberius abriram o caminho pelos Alpes. No ano 46 d.C., Claudius melhorou o caminho, que se passou a chamar Via Claudia Augusta. Assim, ligou Roma com as províncias romanas do norte. Só para se ter uma idéia, o caminho tinha um movimento diário de 300 carroças por dia.

Agora, em tempos modernos, o caminho passou a ser explorado turisticamente. Há pelo menos sete anos, os alemães percorrem o trajeto de bicicleta, enquanto os italianos há quatro anos e austríacos há dois anos. Formou-se então um consórcio entre os três países para explorar turisticamente a Rota, com sinalizações, informações históricas, museus, conservação e segurança do caminho, além da bela paisagem.

É neste caminho de muita história que Renata Falzoni e Paulo de Tarso se tornaram os primeiros brasileiros a percorrerem de bicicleta a Via Claudia Augusta.

CONFIRA O RELATO DA VIAGEM

1º dia – Schawangau a Landeck – 105 km

Foi um dia de muito pedal, quase 12 horas no total, isso contando as paradas em museu, filmagens, fotos e os muitos caminhos errados que pegamos.

Saímos de Schawangau, a cidade é conhecida por ter um dos mais belos castelos da Europa, o Castelo de Neuschwanstein. Seguimos rumo a Fussen, distante uns 6 km dali. A convite do Centro de Turismo Alemão, tivemos uma visita acompanhada de um guia local para falar um pouco da Via Claudia e mostrar algumas peças romanas encontradas na região.

Seguindo a sinalização que estava em postes ou no chão chegamos à Áustria em pouco mais de dez quilômetros. Nem percebemos isso, pois nada indicava a passagem para o outro país. Passamos por dezenas de vilarejos encravados no meio dos Alpes.

Subimos muito. No lado austríaco nos perdemos bastante, devido à sinalização ruim e confusa, ou por ainda não termos pego a manha da sinalização. A verdade é que nos perdemos muito. Chegamos a nosso destino final, na cidade de Landeck às 21 horas após 105 km de pedal.

2º dia – Landeck a Nauders – 78 km

Pelo mapa seria um dia tranqüilo, com apenas 55 quilômetros, tão tranqüilo que resolvemos pegar um caminho alternativo sugerido em nosso guia. Eu e a Renata Falzoni somos mestres em inventar caminhos alternativos.

Saímos de Landek em frente ao castelo da cidade. Subimos, subimos e subimos muito em meio a uma bela floresta em meio aos Alpes. Foram 400 metros de desnível em uns seis quilômetros. Foi duro.

Em certo momento as indicações sumiram e percebi que o caminho subia Alpes à cima, para uma estação de esqui. Roubada. Resolvemos voltar pelo mesmo caminho e pegar o caminho normal. Aí tudo se normalizou. Foi lindo, lindo, lindo!

Como a Áustria é bonita! Pequenos vilarejos espalhados por todos os cantos ora nas montanhas ou nos belos vales entre as montanhas dos Alpes, um verdadeiro presépio.

O trajeto normal segue por pequenas estradinhas asfaltadas, bem pequenas, ou ciclovias em meio à mata com total estrutura para os ciclistas.

Paulo de Tarso e Renata Falzoni

Mesmo nos trechos mais movimentados a bicicleta tem seu lugar garantido, sem contar com o total respeito dos carros em relação à bicicleta. Maravilhoso tudo isso! E para melhorar, foi um belo dia de sol.

Novamente cortamos pequenos e belos povoados em meio a plantações, rios de águas transparentes e muitas vaquinhas com seus sininhos pendurados.

Agora, com o final do verão, as vacas são trazidas do alto dos Alpes, para baixo. Em alguns lugares são realizados verdadeiros eventos onde as vacas que dão mais leite são enfeitadas e ficam com o maior sino.

Por volta do quilômetro 50, entramos na Suíça, por onde pedalamos por nove quilômetros e depois retornamos novamente para Áustria, onde terminamos o dia com uma longa em subida de uns sete quilômetros com um zigue zague interminável de curvas.

3º dia – Nauders (Áustria) a Merano (Itália) – 93 km

Nossa chegada na Itália foi marcada por muita expectativa. Não tínhamos nenhuma informação de como seria a sinalização do trajeto por lá. O que esperávamos é o que todos falam que na Itália é tudo mais bagunçado, largado, mas foi puro engano. Foi maravilhoso.

Fizemos nosso terceiro dia de pedal na Itália e, talvez, num dos trechos mais bonitos de todo o trajeto. Deixamos para traz a pequena cidade de Nauders, rodeada pelos Alpes. Pela altimetria seria o dia da descida dos Alpes.

Nossa primeira cidade na Itália foi à belíssima Resia, em frente ao enorme lago azulado de mesmo nome. A grande atração do lago é uma torre de igreja dentro do lago.

Pedalamos ao lado do lago por pouco mais de sete quilômetros e, depois do lago, descemos uns 25 km, tudo por ciclovia. Nunca imaginei descer os Alpes por uma ciclovia, cortando pequenas cidades, bosques, castelos e ciclistas subindo e descendo. Muito legal.

Já no fim da descida ficamos surpresos quando passamos por uma bela cidade medieval, Glorenza, que fica dentro de uma muralha. A cidade comemora neste ano 700 anos, mais velha que o Brasil.

Dali pra frente seguimos por um longo trecho plano sempre ao lado de um rio de águas azuladas belíssimas e pontes de madeira cobertas.

Atravessamos um parque nacional, que não consegui ver o nome porque era uma super descida e cortamos muitas, mais muitas plantações de maçãs.

Em uma dessas plantações paramos para conversar com as pessoas que faziam a colheita, na maioria polonesa, que vem nesta época do ano em busca de trabalho. Foi divertido conversar com eles.

Nosso destino final foi à cidade de Merano, após uma descida incrível em meio a curvas que pareciam um caracol. Fantástico!

A cidade de Merano foi a primeira grande cidade por onde passamos. Já até estávamos desacostumados com a montoeira de carros. Mas mesmo com muitos carros, uma coisa que chamou muito a atenção em Merano é a bicicleta no dia-a-dia das pessoas, independente da classe social e de todas as idades.

4º dia – Merano a Trento – 98 km

Mais um dia longo e praticamente tudo plano. Pensávamos que seria uma etapa feia, puro engano.

A partir do quilômetro 20, a parte urbana ficou para trás. A paisagem se transformou completamente. Agora com mais verde e as montanhas com um tom mais avermelhado. Muito lindo.

A maior parte do trajeto seguiu por uma cicloestrada, isso mesmo, cicloestrada! Sempre ao lado de um rio de águas claras e azuis. E com um grande movimento de ciclistas indo e vindo. Olhe esse casal levando o cachorro.

Quando passamos por Bolzano o caminho nos deu uma opção pela cidade de Caldaro, local conhecido por ter um belo lago. Dessa vez valeu a pena ir pelo caminho alternativo, não caímos em roubada. Entramos agora em uma região produtora de vinhos.

O caminho seguiu também por uma cicloestrada, por onde no passado era uma ferrovia. Em meio a vinhedos e ainda muitas plantações de maçãs.

Atravessamos dois túneis, só para bike. Caldaro é uma pequena cidade muito bonita. Almoçamos uma bela macarronada e depois seguimos nossa pedalada por mais 60 quilômetros, encontrando novamente a cicloestrada ao lado do Rio Adige. Trento foi mais uma bela surpresa, muito linda. É uma cidade universitária, com um centro antigo muito bonito e muitas, mais muitas bicicletas. Em Trento ficamos hospedados bem no centro da cidade, em frente ao Duomo.

5º dia – Trento a Levico Terme – 40 km

Foi um dia com muitas subidas, principalmente por causa de nossos erros na leitura do mapa. O pior é que os dois erros do dia foram para cima. Após cinco dias as perninhas começaram a queimar.

Saímos subindo, subindo e subindo. E depois erramos uns quatro quilômetros subindo. Já no caminho certo seguimos por um dos caminhos originais da Via Claudia.

Pedalando exatamente sobre uma estrada romana com mais de dois mil anos de história. Imagine quantas pessoas, soldados de legiões romanas, mercadores, peregrinos e hoje caminhantes e ciclistas já passaram por ali?

As construções dessas estradas eram bem interessantes, com várias camadas de pedras e sempre em linha reta, sem curvas. A largura das estradas era padronizada em seis metros. Havia um movimento de até 300 carroças por dia. As carroças para poderem circular deviam ter uma bitola padronizada, isto é uma largura padronizada. Em alguns trechos nos Alpes só era possível passar uma carroça por vez, devido à inclinação que chegava a 12 %, nestes trechos as estrada tinham apenas 3 metros. Imagina subir isso de bike.

Renata Falzoni colhe uvas direto da parreira

A província de Trento fica no Pré Alpes. Durante a parte italiana da viagem fazíamos questão de parar para almoçar uma deliciosa macarronada e degustar uma deliciosa taça de vinho.

Foi um dia em meio a vinícolas com muitas uvas. Foi difícil não resistir de parar experimentar e parar para comer um cachos, uma delicia!

Chegamos a Levico Terme após 40 km. A cidade, muito bonita, é conhecida por possuir vários banhos termais. Nosso prêmio foi a hospedagem. Tivemos um dia de rei e rainha, com muito luxo, requinte e gastronomia refinada, ficamos hospedados no belíssimo Hotel Imperial a convite da prefeitura de Levico Terme e com apoio do Turismo da Itália.

O Hotel Imperial, que foi um dos vários palácios da princesa Sissi da Áustria e foi foi construído em 1.900.

A região é maravilhosa para pedalar, com opções das mais diversas para estrada, mountain bike ou simplesmente turismo.

6º dia – Levico Terme a Feltre – 84 km

Mais um dia maravilhoso. Dessa vez erramos uns 10 quilômetros, só que para melhor, pois passamos em um lugar de beleza deslumbrante.

Saímos de Levico Terme com um tempo meio nublado, mas que felizmente abriu ao longo do dia. Tivemos muita sorte com o tempo, só tempo bom.

Neste dia tivemos a adesão de mais uma componente, a Regina Pires, que mora na Alemanha e aproveitou o fim de semana para fazer duas etapas com a gente. Para nossa sorte, seu marido levou nossa bagagem em seu carro.

Novamente a maior parte do trajeto seguiu por ciclovia. Em Borgo Valsugana fizemos uma parada para repor as energias com pizza na Pizzaria do Titti, ponto de parada de muitos ciclistas na rota da Via Claudia Augusta. A simpática cidade possui um belo castelo no alto do morro (Castelo Telvana).

Essa ciclovia por onde fizemos grande parte do trajeto é um roteiro específico preparado para famílias. Toda sinalizada. Famílias inteiras pedalando com segurança e respeito. Uma coisa legal foi ver uma lanchonete para ciclistas, que coisa!

O ponto alto do dia e talvez de toda a viagem foi enquanto passávamos em frente a um pequeno vinhedo onde uma família inteira fazia a colheita das uvas.

Como nunca tinha visto isso, rapidamente parei e eles em tom de brincadeira nos convidaram para ajudar na colheita. Não pensei duas vezes, larguei a bike e fui em direção ao vinhedo para ajudar a colher uvas, em seguida, a Renata Falzoni começou uma entrevista com eles. Vários baldes com uvas e todos colhidos a mão. Nesta região o forte são os vinhos Pro Seco.

Colheita feita, o casal de 80 anos, pai da família, seguiu com sua esposa pedalando para sua casa pouco mais de um quilômetro dali, enquanto seu filho seguiu com sua esposa em uma caminhonete carregada de uvas.

Ao passar em frente a casa deles fomos convidados para um café. O convite foi tão gentil que aceitamos. Só que o café foi um belo vinho Pro Seco. Esse foi um dos momentos mais marcantes de toda nossa viagem.

Após uma garrafa de Pro Seco não deu outra, nos perdemos mais uma vez na viagem. Perdemos o caminho em uma bifurcação e seguimos por um outro trajeto pelo Lago Del Carlo.

Sorte nossa, porque cortamos um forte e longa subida por um vale maravilhoso. Uma foto ou vídeo é impossível descrever a beleza local. Antes de terminar a pedalada cortamos vários belos povoados em meio às montanhas que sinalizavam a entrada nas Dolomites.

Finalizamos em Feltre após 84 quilômetros de pedaladas. A cidade de Feltre é linda, fica aos pés das Dolomites, outra cadeia rochosa de montanhas linda da Europa. Impressionante como a paisagem se alterou desde o início da viagem.

Feltre a Treviso – 85 km

Domingo de sol e mais um dia de uma bela pedalada. Saímos de Feltre rumo a Treviso, foram 85 quilômetros. Pedalar pela Via Claudia Augusta não é fácil, pois nem todos os locais são sinalizados, principalmente quando a partir da província de Treviso. Zero de placas da Via Claudia Augusta, o negócio foi seguir pelo nosso mapa, pelo nosso GPS e se baseando pelos diversos outros roteiros sinalizados.

Por ter sido a etapa menos sinalizada, foi um dia que não nos perdemos muito. Quanto mais chegamos próximos à cidade Treviso, temos mais trechos de área urbana e muitos carros. Foi um dia que pedalamos pelas vias mais movimentadas, ainda mais por ser domingo. Mas passamos também por muitos povoados interessantes e arquitetura diversa. Um dos trechos mais legais foi o trajeto que pedalamos por um bom trecho pela estrada do Vinho Pro Seco. Fomos presenteados com um belo pôr-do-sol chegando a Treviso.

Chegando a Treviso, logo procuramos chegar ao centro da cidade. Normalmente na Europa, o centro é a parte antiga e conservada, muito diferente do Brasil. Quando atravessamos o portão de entrada da parte antiga, a cidade fervilhava de gente. Gente de todo o tipo, aproveitando a gostosa tarde de domingo.

Pedalamos um pouco em busca de algum hotel, mas para não perder tempo, avistamos uma loja de bike da Pinarello. Imediatamente fomos pedir alguma ajuda e sugestão para uma gostosa hospedagem. Uma bela loja por sinal. A Renata que fala um bom italiano entrou na loja e rapidamente uma pessoa se prontificou a nos ajudar. Deixou sua família (mulher e filho pequeno) e saiu em sua bicicleta, uma Pinarello tipo barra forte, nos levou até um hotel de um conhecido. Resumindo, o cara é o dono da Pinarello. Incrível! Fomos convidados a conhecer a fábrica, só que infelizmente não deu tempo.

8º dia – Treviso a Veneza- 20 km

Nosso ultimo dia de pedalada pela Via Claudia foi o mais tranqüilo. Acabamos que saímos tarde de Treviso. Pois como no dia anterior havíamos chegado ao fim da tarde não percorremos de bike os principais pontos da cidade e deixamos para fazer durante a manhã.

Com isso não deu tempo de visitar a fabrica da Pinarello, uma pena, pois estava doido pra conhecer.

Em Treviso a mesma coisa, pessoas de todas as idades usando a bicicleta como meio de transporte com tranqüilidade.

Para aproveitar bem a cidade de Veneza tomamos um trem até a cidade de Mestre, que fica uma antes de Veneza. Placa de sinalização da Via Claudia Augusta foi zero desde que entramos na região de Treviso e principalmente na região próximo a Veneza. Mas, descobrimos uma sinalização que há muito tempo nos acompanhava, só não sei se era da Via Claudia. Uns adesivos pequenos e redondos, com setas indicativas indicando o caminho correto, sempre colado nos postes nos principais pontos de duvida, pelo menos deu certo.

A chegada em Veneza foi caótica, decepcionante até pela beleza da cidade.

Uma grande via com intenso movimento de carros, ônibus de turismo e caminhões e um espaço na calcada para as bicicletas. Antes de chegar à cidade, vários e enormes edifícios estacionamentos para carros, uma coisa horrorosa.

Como estávamos sendo convidados pelo turismo de Veneza e Turismo da Itália, tivemos que nos apresentar no centro de informações turísticas, localizado na estação de trem de Veneza. Atravessamos uma ponte, moderna, cheias de escadas (nenhuma rampa para deficientes ou carrinhos de bebes), e muuita gente.

Foi cansativo e chato empurra as bikes com alforjes carregadas de nossas roupas e equipamentos neste trecho. Já no outro lado da ponte já era possível avistar a beleza de Veneza. Eu que sou arquiteto, foi um sonho a ser realizado. Só sinto em não ter tido oportunidade de conhecer Veneza e muitos outros lugares da Europa, enquanto cursava arquitetura.

Após receber as boas vindas e o material turístico de Veneza, começou o drama. E as bikes! O centro de informações turísticas parecia ter fobia de bikes, definitivamente não somos o público deles, pois a mulher que nos atendeu nos alertou dezenas de vezes sobre a proibição de circular de bicicleta em Veneza.

Nem daria mesmo se quiséssemos, com a quantidade de pessoas lá. No guarda volumes da estação de trem e do estacionamento não aceitavam bicicletas. Por acaso vimos um placa escondida que dizia estacionamento de bicicletas. Estava fechado. Fomos ao estacionamento de carros ao lado, pois o logotipo do estacionamento de bicicletas era o mesmo dos de carro. E a pessoa que nos atendeu nos informou que ainda não estava funcionando.

Felizmente ele nos informou que o ferry boat que faz o percurso Veneza-Lido, além de levar os carros aceitam bicicletas. E Lido foi à cidade que nos recebeu. Nosso hotel não foi na cidade de Veneza e sim em Lido que é uma ilha em frente à Veneza, muito legal por sinal. Gostei mais de lá do que de Veneza. Mais tranqüilo e simpático. Rapidamente deixamos as coisas no hotel e tomamos um barquinho chamado de vaporeto até Veneza.

Descemos na principal praça da cidade, a da Praça de São Marcos. Nossa quanta gente, muita gente! Parecia a saída de um jogo de futebol em uma final, tudo o que não gosto. Multidão, maior farofa. E tinha pouca gente, pois costuma ter muito mais em alta temporada. Tudo bem que é Veneza. Pelo menos uma vez vale a pena, mas pessoalmente curto mesmo as pequenas cidades.

A ilha é grande. Conhecer todas as ruas, cantos, esquinas e becos podem levar pelo menos três dias. Se perder por seus becos e vielas é normal. Conseguimos conhecer os pontos mais legais, as pontes e as luxuosas e charmosas gôndolas que circulavam por todos os lados em seus canais.

As gôndolas são uma tradição antiga. No passado, lá pelos anos de 1.600 em diante, servia para levar os moradores de um ponto ao outro. Veneza foi um dos principais portos naquela época em que o Brasil acabava de ser descoberto. Apos a segunda grade guerra elas começaram oficialmente ser utilizada para o turismo. É um negocio que passa de pai para filho.

Apos muitas tentativas em entrevistar algum gondoleiro, um resolveu falar para as câmeras da Renata e desvendaram todas nossas curiosidades. São cerca de 430 gondoleiros. O valor cobrado gira em torno de 90 euros por Gôndola, que leva ate uma quatro pessoas.

Em seu interior são em confortáveis e luxuosas, com detalhes de veludo, almofadas e pecas douradas. Alguns fazem passeio cantando, que ecoa pelos canais. Bem romântico.

Paulo de Tarso e Renata Falzoni ao lado de um dos famosos canais de Veneza

À noite, a cidade fica mais legal com bem menos gente, com restaurantes e bares bem legais por todos os cantos. E na Praça de São Marcos que reúne vários cafés uma coisa bem legal. A musica ao vivo é musica clássica.

Normalmente formado por um quinteto com violino, piano de calda, contra baixo, acordeom e outro instrumento que não me lembro o nome agora.

O legal que um respeita o outro, não tendo varias apresentações ao mesmo tempo. Em cada apresentação sempre um grande numero de pessoas se aglomeram na frente do bar, que tem o objetivo é de chamar clientes.

Mas valeu conhecer Veneza, mais a Itália é muito mais do que, Veneza, Roma ou Florença. O legal mesmo da Itália são as outras cidades. Essas muito turísticas existem sempre uma multidão de pessoas, atendimento ruim e pessoas sem paciência.

Se você pensa em fazer a Via Claudia Augusta a dica e’ estar muito bem preparado, ter um bom mapa e quando chegar a Veneza ir direto para Lido e depois visitar Veneza. Se puder ficar mais do que um dia aproveite Lido para andar de bicicleta.