Caminho da Fé

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Caminho da Fé

Grupo de seis amigos de Assis (SP) percorrem o roteiro de fé em seis dias

Ciclistas: Tony, Waldy, Tuco, Fred, Edson e Lazinho, da cidade de Assis, no interior paulista.

Texto: Tony Osvaldo Braga – tonybraga@femanet.com.br

1º Dia: TAMBAÚ – VARGEM GRANDE DO SUL – SP
70 km – 14,8 km/h – 4h50min

De manhã, retiramos a credencial na Igreja do Padre Donizete e iniciamos o Caminho da Fé por um lindo single-track. Depois, atravessamos lindas fazendas em meio a cafezais, riachos e algumas cancelas até Casa Branca, onde almoçamos.

Retomamos o Caminho, seguindo sempre as setas amarelas, quando nosso amigo Fred levou uma picada de inseto e teve uma reação alérgica. Voltamos até uma churrascaria, onde encontramos um grupo de Araçatuba (dois casais) que, para nossa sorte, tinham anti-alérgico e evitou uma ida ao pronto-socorro.

Seguimos viagem, passamos por um longo trecho plano, porém infestado de carrapichos, que eram levados pelo vento e pelos pneus da própria bike. Em seguida entramos em uma plantação de mexerica e encaramos as primeiras subidas mais acentuadas, até chegarmos em Vargem Grande do Sul.

2º Dia: VARGEM GRANDE DO SUL – ANDRADAS – MG
78,0 km – 13,9 km/h – 5h37min

Saímos em uma subida moderada que se tornou muito íngreme, até chegar á pousada da Dona Cidinha, um local muito bonito de onde se avista 11 cidades da região. Continuamos a subir muito, atingindo mais de 1.400 metros de altitude, onde entramos em uma estrada asfaltada com uma descida muito forte, atingindo mais de 70 km/h até cruzarmos São Roque da Fartura e adentrarmos novamente em terra, até a pousada da Dona Cida.

Carimbamos e continuamos subindo até aproximadamente 1.500m, quando começamos a descer em direção a Águas da Prata, descida muito íngreme e cheia de pedras, talvez o trecho mais perigoso do Caminho da Fé, onde almoçamos. Saímos por um longo trecho de grandes subidas, culminando com a serra do Pico do Gavião, então uma descida em meio à floresta até Andradas.

Nesse dia começamos a perceber que temos que superar dia após dia para superar o Caminho da Fé.

3º Dia: ANDRADAS – BORDA DA MATA – MG
74,0 km – 14,5 km/h – 5h05min

Saímos de Andradas em um trecho plano e uma leve descida, quando começamos os 14 km de subida em direção à Serra dos Lima, com um top de 2 km, muito técnico, com muitas curvas, pedras e cascalhos. Mas é possível subir pedalando com bastante cuidado (considero uma versão menor da Serra do Corvo Branco, em Santa Catarina).

Depois uma grande descida até Barra, muito íngreme e com muita areia, exigia atenção e um visual de tirar o fôlego. Carimbo, água e partimos em mais um sobe-desce até Crisólia.

Partimos, agora em um trecho mais plano, passando por Ouro Fino (a terra do “Menino da Porteira”) e paramos em Inconfidentes depois uma forte subida, cascalhada com cristais e mais três pela frente até começar a descer para Borda da Mata, onde chegamos por uma grande subida de paralelepípedos.

4º Dia – BORDA DA MATA – CONSOLAÇÃO – MG
60 km – 12,8 km/h – 4h40min

Logo na saída, pegamos uma descida de 6 km até começar a serra, com algumas subidas com calçamento no final, tamanha a inclinação.

Depois, encaramos a descida até Tocos do Mogi, onde carimbamos e já saímos em subida forte, até passarmos dos 1.300 m de altitude.

Descemos e subimos outra serra até Estiva, onde lanchamos na padaria e partimos com uma leve descida e novamente fortes subidas até descer para Consolação.

Aqui, dormimos na região mais bonita de todo o percurso, na minha opinião. De acordo com o guia do peregrino, tem o terceiro melhor clima da América do Sul, com índice zero de poluição. Um lugar maravilhoso, com 1.697 habitantes.

5º Dia – CONSOLAÇÃO – CAMPISTA (Distrito de Brasópolis) – MG

Saímos numa descida de uns 6 km. Subimos uma serra e descemos até Paraisópolis. Mais algumas subidas e uma descida muito bonita e longa até o Distrito de Luminosa, onde almoçamos e nos preparamos para subir a Serra da Luminosa, que já sabíamos, seria muito dura.

Subimos 4 km até a Pousada da Dona Inez, onde fomos muito bem recebidos com água e bananas, oferecidas pelo Sr. João.

Imaginávamos já estar próximos do topo, mas o que veio a seguir foi o trecho mais difícil de toda a viagem. Foram mais de 10 km de paredões, grande parte impossível de pedalar. Nunca empurrei tanto uma bike na subida. Ainda assim, deu para curtir o visual e tirar muitas fotos, até sair da mata em um trecho asfaltado de 5 km, até a Pousada Barão Montês, a 1.740 metros de altitude, o ponto mais alto do Caminho da Fé, onde passamos nossa última noite.

6º Dia – CAMPISTA – CAMPOS DO JORDÃO- APARECIDA – SP
100,9 km – 19,3 km/h – 5h14min

Já com saudades de casa, partimos para o último dia de pedaladas. Saímos em uma descida de asfalto de 5 km, até entrar em uma estrada maravilhosa, totalmente no meio da mata, até Campos do Jordão. Foram as últimas subidas, quando aproveitamos para curtir o visual, passando literalmente acima das nuvens.

Após um citytour de bike em Campos do Jordão, descemos a Serra até Pindamonhagaba, onde lanchamos e seguimos até Aparecida, em estrada plana até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde apresentamos nossa Credencial de Peregrino carimbada 26 vezes nas localidades onde passamos e recebemos o Certificado do Peregrino do Caminho da Fé.