Caminho do Zeca, uma versão light do Caminho da Fé

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Caminho do Zeca, uma versão light do Caminho da Fé

Uma pedalada de Pinhal até Aparecida por vias paralelas ao Caminho da Fé

Texto e fotos de Marcos Adami

Fazia muito tempo que tinha vontade de pedalar o celebrado Caminho da Fé, roteiro que se tornou uma espécie de “Caminho de Santiago Tupiniquim”. Tinha ouvido muitas histórias desse caminho, todas elas muito boas e que não poupavam elogios ao visual dos lugares onde atravessa.

Aproveitei o feriado do Dia da Independência, em 7 de setembro de 2009, e aceitei o convite para pedalar com os amigos da AAP (Associação dos Atletas de Pinhal), de Espírito Santo do Pinhal, no interior paulista.

Tirei do guarda roupa meu alforje, usado apenas uma única vez desde 2001, quando o comprei. Montei o bagageiro metálico na minha velha Mongoose de guerra, com suportes para a fixação do bagageiro nos stays traseiros. A bike, feita com tubos de cromo, é propícia para aventuras desse tipo e a falta de suspensão dianteira não fez falta alguma.

Marcamos a saída às 8 horas da sexta-feira e nos reunimos no estádio da cidade. Nosso grupo seria formado por Carlos José Sossai, Zeca Montefusco, Fernando e Bruno, Bruno Mora, Juliano Rocha, Ernesto Paiva Costa, Carlos Cesar Silva, Márcio Galhardi e eu, Marcos Adami.

Zeca (de vermelho na foto abaixo), nosso guia, já fez inúmeras vezes o roteiro e conhecia todas as manhas e macetes de nosso percurso até Aparecida.

O roteiro, como fiquei sabendo durante a viagem, não seguiria à risca o percurso oficial conhecido como “Caminho da Fé”. Iríamos por caminhos paralelos, que às vezes cruzavam o roteiro oficial. Vez ou outra encontrávamos as famosas plaquinhas do roteiro.

O “Caminho do Zeca”, como podemos chamá-lo, corta as grandes serras do trecho que leva a Tocos do Moji e de lá para a serra de Santo Antonio do Pinhal. E esse corte é muito benvindo, afinal, as paredes íngremes desse trecho já fazem parte da lenda do Caminho da Fé.

O único inconveniente desse percurso é o longo trecho de asfalto entre Borda da Mata e Santo Antonio do Pinhal. São aproximadamente 40 km de asfalto numa estrada bastante movimentada e sem acostamento, mas que também não chega a ser impraticável tomando-se as necessárias precauções e cuidados.

No total, pedalamos 260 km em 15 horas e meia, tempo muito bom segundo nosso guia Zeca.

PRIMEIRO DIA – Pinhal -Borda da Mata
84 km – 4h30min de pedal – 17,5 km/h de velocidade média

Saindo de Espírito Santo do Pinhal, segue-se por asfalto em direção à cidadezinha mineira de Albertina. Depois, já no trecho de terra, seguimos em direção a São Sebastião dos Roberto, São José do Mato Dentro, Crisólia (cidade natal do jogador Evair do Palmeiras) e chegamos a Ouro Fino. Posamos na famosa escultura do Menino da Porteira e enchemos os estômagos com um lanche na padaria no centro da cidade.

Refeitos, seguimos 1,5 km rumo a Borda da Mata pelo asfalto, pegando à esquerda depois da fábrica de Guaraná JS (Tampico) na rodovia que liga Ouro Fino a Inconfidentes. Seguimos sentido Fazenda Gironda e continuamos na mesma estradinha de terra até o Hotel Village, onde pousamos em Borda da Mata.

SEGUNDO DIA – Borda da Mata – Santo Antonio do Pinhal
120 km – 7h20 minutos de pedal – 16,5 km/h de velocidade média

Depois do café da manhã, pegamos a estrada de terra e seguimos em direção ao povoado de Sertãozinho, virando à esquerda na placa que indicava São José do Pantâno, que os mineiros insistem em chamarem de Pantâno e não de Pântano…

Passamos ainda por Pantâno, Cruzalta (no cruzamento com a rodovia federal Fernão Dias – BR-381), onde fizemos uma parada no posto de gasolina.

Seguimos por terra em direção ao Bairro Cascavel, passamos sobre a Ponte do Neneco e, depois de mais 10 km, chegamos a Paraísópolis, onde fizemos um belo lanche na Padaria XTudo, no centro, próximo à Concha Acústica de Paraisópolis.

À tarde, já com a chuva dando os primeiros sinais que teríamos uma tarde complicada, pegamos a rodovia MG-173 rumo a Santo Antonio do Pinhal.

Antes de subirmos a serra e alcançar São Bento do Sapucaí, avistamos a famosa Pedra do Baú e passamos por Santa Rita do Sapucaí e Sapucaí Mirim. Seguimos firmes mesmo sob chuva e trânsito pesado e, 3 km após Sapucaí Mirim, entramos à esquerda, paramos num bar e, assim que a chuva diminuiu, seguimos num atalho de terra sentido Pedra do Peão.

A serra era dura e calçada nos trechos mais íngremes. O fim do sacrifício foi na chegada à Estrada Velha de Campos (SP-050). Seguimos sentido São José dos Campos e entramos à esquerda no trevo de Santo Antonio do Pinhal. Mais seis quilômetros de subida de serra e, finalmente, já com a noite caída, chegamos na Pousada São Benedito em Santo Antonio do Pinhal.

Um jantar num restaurante árabe serviu como recompensa pelo esforço nos 120 quilômetros do trecho.

TERCEIRO DIA – Santo Antonio do Pinhal – Aparecida
67 km – 3h30min – 25 km/h de velocidade média

O dia seria todinho por estradas de asfalto e o céu azul anunciava um dia de temperaturas bastante elevadas. A nosso favor, tínhamos um fator importantíssimo: o relevo. Teríamos praticamente só descidas e trechos planos até nosso destino.

Depois do melhor café da manhã de toda a viagem, pegamos o asfalto em direção ao Mirante de Santo Antonio do Pinhal, que fica bem ao lado da Estação ferroviária Eugênio Lefevre, com seu viradouro movido a força humana.

Feitas as fotos, descemos pela trilha logo abaixo da ponte ferrovia e chegamos à rodovia nova que liga Campos do Jordão até a via Dutra.

Passamos pelo túnel e chegamos ao fim da serra, onde logo após o posto da Polícia Militar Rodoviária, viramos à esquerda rumo a Pindamonhangaba. Em Pinda nos surpreendemos com as boas ciclovias. Passamos pelo trevo de Roseira e, mais um pouco, chegamos a Aparecida. Realmente emociona quando avistamos a colossal basílica que surge inesperadamente após uma curva.

Tomamos banho, montamos as bikes no rack da van e seguimos de volta rumo a Espírito Santo do Pinhal.