Giro Andino

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Giro Andino

Uma aventura do Acre até a Bolívia pela Estrada Transoceânica, atravessa o Salar de Uyuni, cruza Argentina e termina no Uruguai

Texto e fotos de Luiz Felipe – luizfelipebio@gmail.com
Mais fotos: http://picasaweb.google.com.br/luizfelipebio

PARTE 1

Minha idéia inicial era começar minha aventura pela cidade de Assis Brasil, no Estado do Acre, junto à fronteira do Brasil com o Peru. Partindo de lá, teria tempo suficiente para seguir até Buenos Aires dentro dos quatro meses que tinha disponível.

De Manaus, onde residia, gastei uma semana até a pequena cidade fronteiriça, viajando de barco, ônibus, carona e bicicleta. Nesse trecho encontrei o Mário, parceiro que me acompanharia no início do Giro Andino.

Meu primeiro objetivo seria pedalar até a cidade de Cuzco pela tortuosa Carretera Interoceánica, estrada ainda em construção e que promete ligar o Brasil ao porto peruano de Ilo, no Oceano Pacífico, até o fim de 2010. Minha intenção era a de subir os Andes de bicicleta, acompanhando a mudança do contraste entre a exuberante floresta Amazônica e os altos picos nevados.

Saindo do sopé da cordilheira, a 600 metros de altitude, foram quatro dias de “coroinha” para vencer os 95 km de ininterrupta subida até atingir os 4.748 metros sobre o nível do mar até do ponto mais alto da estrada, que é chamado de Abra.

Os primeiros dias de viagem foram por uma estrada de terra bem plana, no calor da Amazônia. Era impossível pensar em dormir, sem tirar toda aquela camada de suor que se formava no corpo. Assim, a meta diária tornou-se conseguir um banho ao fim do dia.

Conforme íamos nos aproximando da cordilheira, a estrada foi estreitando e passou a serpentear um vale no meio das montanhas, de onde tínhamos o paredão da encosta de um lado e a margem do Rio Inambari do outro, que corria num vale encaixado alguns metros abaixo. O interessante é que a estrada passa de uma margem à outra do rio, por pontes que nos dão uma visão privilegiada daquele cenário.

Ao contrário da umidade, a temperatura caiu, permitindo que agora a água da garrafinha se mantivesse numa temperatura bem agradável. Contudo, os pés foram ficando cada dia mais gelados, sendo necessárias eventuais caminhadinhas para ativar sua circulação.

Do Brasil até a cordilheira as obras andavam de vento em popa, e a presença dos vários postos de trabalho para a pavimentação, ou mesmo para abertura do caminho, nos fez perder algum tempo nessa primeira etapa.

Havia intensa movimentação de máquinas pesadas em alguns trechos, enquanto em outros tinham restrição ao acesso em determinados horários. Por outro lado, nestes postos sempre havia funcionários muito hospitaleiros, que sempre nos ofereciam água potável e comida. Essa dinâmica foi decisiva no desenrolar da viagem.

DEZ GRAUS A BAIXO DE ZERO

Logo pela manhã do dia em que pretendíamos cruzar a Abra, fomos obrigados a esperar por duas horas a abertura de um trecho que estava sujeito a explosões.

Como deveríamos passar por lá antes do anoitecer, por conta do frio intenso, esse tempo faria falta. Até conversamos com um engenheiro brasileiro, que acabou por não autorizar nossa passagem, justificando que havia tempo suficiente para fazermos a travessia em segurança, saindo na hora predeterminada por eles.

Sem alternativa esperamos, e ao retomar a subida percebemos, além da queda brusca de temperatura e do aparecimento das primeiras lhamas, que não haveria tempo suficiente para cruzar o ponto mais alto da estrada antes do anoitecer.

Para piorar, não havia lugares bons para acampar, já que o terreno era bem acidentado. Com a noite já caindo e sem saber muito o que fazer naquela situação, fomos informados de que havia um último posto de trabalho da empreiteira mais acima. Seguimos para lá, onde fomos muito bem recebidos pelos funcionários da empreiteira, que autorizaram a permanência do nosso acampamento naquela fria noite, que atingiu 10 graus negativos.

No final, esse pouso há uma hora de distância da Abra se mostrou estratégica, já que pudemos chegar aos picos nevados em pleno sol da manhã e ganhamos mais tempo para contemplar o visual, que provavelmente perderíamos se chegássemos ao fim do dia anterior. Nada é por acaso.

ASFALTO E PEDRADAS

Foi só cruzar a Abra e começar a imensa descida, que tudo mudou. A estrada de terra agora era de um asfalto novinho, a Amazônia quente e úmida dera lugar à Puna fria e seca, e a receptividade local dera lugar à desconfiança.

Era sempre uma situação desconfortável cruzar os tradicionais povos quéchuas, onde éramos recebidos com gritos de “GRINGO!”, olhares desconfiados e algumas vezes até a pedradas pelos guris, que por sorte tinham péssima pontaria.

Muitas vezes chegamos a ser completamente cercados por outras pessoas que nos seguiam, nos olhando de cima abaixo, conversando em quéchua e rindo entre si, sem dar a menor abertura para nós.

Apesar disso, nada de mal nos ocorreu, e após a longa descida que marca o final da Carretera Interoceánica nas proximidades da cidade de Urcos, começamos a avistar algumas ruínas e a indicação de sítios arqueológicos ao longo da estrada. Pouco tempo depois já estávamos em Cuzco, onde ficamos alguns dias para desfrutar das atrações locais, incluindo a famosa Machu Picchu.

AMIGOS NA BOLÍVIA

De Cuzco, Mário seguiu direto para casa, enquanto eu seguia com o Giro Andino. Como havia perdido mais tempo que o planejado por lá em função de um desarranjo intestinal que ainda me debilitava, resolvi seguir para Puno de ônibus, onde me reabilitaria e poderia seguir pedalando até La Paz, na Bolívia, costeando o lindo lago Titicaca.

A estrada cruza um pampa plano até a turística Copacabana, a primeira cidade Boliviana. Lá, durante uma despreocupada caminhada pós-almoço, conheci Ana (uma colombiana) e Philip (um suíço), que estavam viajando a quase um ano de bicicleta pela América do Sul.

Como pretendiam seguir para La Paz no mesmo dia e hora que eu, resolvemos seguir juntos até lá, em dois dias de pedal por uma estrada cheia de subidas e descidas, e com uma vista incrível do Lago Titicaca. Devido à altitude o frio era grande, chegando a formar uma camada de gelo na barraca e nas bicicletas após uma noite acampados à beira do Lago.

Como o casal também pretendia seguir para o sul da Bolívia, resolvemos continuar a viagem juntos, após alguns dias de repouso e superalimentação no mercado de La Paz, onde come-se muito por pouco. Aproveitei para comprar um bom par de pneus, já que um havia rasgado ainda na saída de Manaus, e os dois que tinha na bicicleta apresentavam deformações preocupantes.

De La Paz, seguimos direto para Potosí, a cidade mais alta do mundo, e levamos uma semana de pedal pelo Altiplano Andino. Apesar de inicialmente plano e monótono, o caminho passa por uma região montanhosa bem interessante, com grandes subidas e descidas, de onde se podia ouvir o barulho das explosões nas minas de prata dos arredores.

Além disso, cruzamos dois bloqueios de estrada por manifestantes, e apesar do clima hostil, passamos como se nada estivesse acontecendo. Neste percurso foi possível dormir numa grande variedade de lugares, incluindo igreja, escola, prefeitura, posto de saúde, casa de campesinos, hotel, balneário termal e etc.

Em Potosí nos hospedamos na casa de Florêncio e Teodora, uma das Casas de Ciclistas da América do Sul, onde hospedam cicloturistas do mundo todo há uns 30 anos. Muitos dos que passaram por lá deixaram, além de boas histórias no livro de ciclistas, uma grande quantidade de informações bem úteis para quem está pedalando pela América do Sul. Depois de alguns dias de muito descanso e planejamento, seguimos para Uyuni num trecho onde aconteceu de tudo.

DESERTO DE SAL

No primeiro dia já enfrentamos um vento contra, com rajadas tão fortes que nos derrubavam com bicicleta e tudo. Na manhã do segundo dia (já sem muito vento) Ana cai de bicicleta, e com fortes dores no braço, resolve seguir de carona até o próximo povoado para tentar um atendimento médico.

Phillip e eu seguimos de bicicleta rumo ao tal povoado preocupados com a saúde de Ana, que poderia mudar completamente os rumos da viagem. No caminho meu pneu traseiro fura, e depois de remendá-lo percebo que havia rasgado. Agora não teria mais pneus sobressalentes. Pouco tempo depois chegamos ao tal povoado onde encontramos Ana já medicada e sem grandes problemas.

Seguimos com a viagem, enquanto Ana, por precaução, seguiu de carona em uma picape até um povoado onde planejávamos dormir. A estrada até lá foi piorando, cada vez com mais pedras e “costelas de vaca”. A trepidação foi tamanha, que um ponto de solda do meu bagageiro dianteiro não resistiu e quebrou. Nada que um arame e um alicate não resolvesse.

Para fechar o trajeto, depois de terminar uma boa descida pela terrível estradinha no dia seguinte, escuto um novo barulhinho na bicicleta. Desta vez quem “pediu as contas” foi um raio da roda traseira. Apesar de tudo, conseguimos chegar pedalando à esquisita cidade de Uyuni.

O próximo desafio seria a Rota das Lagunas, que nos levaria pelo sul da Bolívia até o Chile, passando pelo Salar de Uyuni, lagoas peculiares, vulcões, gêiseres e um deserto.

Esse trajeto emendado à travessia do Paso de Jama, fronteira do Chile com a Argentina, exigiria um planejamento minucioso, já que seriam cerca de duas semanas pedalando em uma região desértica, quase desprovido da presença humana, que prometia temperaturas próximas dos 20 graus negativos, ventos insuportáveis e muita areia.

Contudo revelaria uma das paisagens mais impressionantes do nosso continente. Assim acabamos ficando três dias em Uyuni para preparar as bicicletas e o espírito para o que vinha pela frente.

PARTE 2

A Rota das Lagunas é talvez um dos percursos mais interessantes do mundo para ser feito de bicicleta. Não só pela paisagem, mas pelo desafio físico e logístico. Além da altitude e das condições climáticas inóspitas, as informações sobre a rota são escassas, dificultando muito o planejamento.

Ainda em Uyuni, na Bolívia, conhecemos Markus, um cicloturista austríaco que vinha pedalando desde o Peru e também tinha interesse em fazer a rota da Lagunas. Assim, nossa caravana passou a ter quatro integrantes.

Nosso primeiro destino foi o famoso Salar de Uyuni, onde tivemos o prazer de pedalar mais de 100 km pela imensa planície branca de sal. É uma sensação incrível fazer parte daquele cenário de tão rara beleza, não tendo ao alcance dos olhos qualquer ser humano além de nós.

Melhor ainda era saber que a bicicleta havia me levado até lá. Foram três dias de Uyuni até o povoado de San Juan, onde nos abastecemos com água (10 litros por pessoa) e comida para mais sete dias de viagem, já que era nosso último ponto de apoio até a Argentina.

O único caminho que exitia dali em diante, era pelas trilhas deixadas pelos jipes 4X4 que fazem passeios turísticos pela região, compostos por muita areia, pedra e “costelas de vaca” (ondulações na trilha), que muitas vezes tornava nosso progresso bem lento.

14 ABAIXO DE ZERO

A altitude quase sempre ultrapassava os 4 mil metros sobre o nível do mar, assim, apesar dos dias ensolarados, fazia muito frio, sendo possível registrar 14 graus negativos dentro da barraca durante a madrugada. Água depois de 1 da manhã, só no estado sólido!

Além de frio, o clima é bem seco, causando ressecamento principalmente das mãos, que foram se enchendo de feridas ao longo dos dias. Pelo menos aqui, banho era o de menos.

Até a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, já havíamos passado por belas lagoas repletas de flamingos cor-de-rosa, cruzado o deserto de Siloli e visitado a incrível formação rochosa em forma de árvore chamada de “Árbol de Piedra”.

Mas nada tinha sido tão surpreendente quanto a atração principal deste parque, a Laguna Colorada. Trata-se de uma grande lagoa com águas de coloração avermelhada, devido a pigmentação de um tipo específico de alga, que vai mudando sua tonalidade ao longo do dia. Uma paisagem realmente fascinante.

E foi na entrada deste Parque que recebemos nossa caixa contendo mantimentos para mais cinco dias de viagem, que havíamos enviado de Uyuni por uma operadora de turismo. Essa noite foi de um planejado banquete.

A FORÇA DO VENTO

Saindo da Laguna Colorada enfrentaríamos uma grande subida para atingir o ponto mais alto do Giro Andino, cerca de 5 mil metro, nas proximidades dos gêiseres Sol de Mañana.

O ideal seria que cruzássemos esse ponto com dia claro, por conta do frio. Contudo, devido ao péssimo estado da estrada, da cansativa subida, e de um erro no caminho (o segundo da Rota), passamos neste ponto com o sol já se pondo, e uma ventania infernal. Ana já estava com as mãos rígidas por conta do frio, quando percebemos que não havia qualquer sítio para acamparmos ao abrigo do vento.

Paramos próximo a um poço geotérmico, e foi necessário encher a barraca com todas as bagagens e mais algumas pedras, para que pudéssemos armá-las sem que voasse pelos ares.

Estávamos a 4.905 metros. Após um jantar feito de forma precária, o vento se intensificou, parecendo querer rasgar o tecido das barracas. Foi uma noite inteira acordado, escorando a barraca por dentro com o corpo, tentando minimizar os estragos.

Até avistarmos as águas verde-esmeralda da Laguna Blanca, aos pés do vulcão Licancabur, ao final da rota das Lagunas, sofremos com esse bendito vento do Pacífico, que chegou a nos exigir duas horas para o deslocamento de míseros quatro quilômetros em um trecho.

Ao fim do dia nos hospedamos num péssimo alojamento existente nas proximidades da fronteira com o Chile, que serve de apoio para as excursões entre os dois países. O barulho do incansável vento sobre as telhas do lugar mais parecia um trem saindo dos trilhos.

Saímos da Bolívia por uma fronteira bem esquisita. No lado boliviano o posto fronteiriço de Hito Cajone fica no meio nada, enquanto que no lado chileno existe apenas uma placa indicando a entrada ao país.

NA RUTA 9

De lá, nos despedimos de Markus que seguia em direção a San Pedro de Atacama, no Chile, enquanto nós três seguíamos direto para a Argentina pelo Paso de Jama, num percurso de 135 km que ultrapassa duas vezes a cota dos 4.800 metros de altitude.

Pelo menos, agora estávamos sobre uma estrada recém-pavimentada, e o interminável vento agora estava a nosso favor, que combinado as grandes descidas me permitiu atingir velocidades próximas dos 100 km/h.

Já na Argentina, cruzamos o grande salar de Salinas Grandes até chegar a Cuesta de Lipán, um vale por onde descemos cercado por montanhas multicoloridas, numa íngreme e sinuosa estrada que sai dos 4.170 m aos 2.178 m de San Salvador de Jujuy, no noroeste Argentino.

Nessa pequena cidade nos hospedamos na casa de uma amiga de Ana e Phillip, onde aproveitamos para descansar bastante e vivenciar um pouco do cotidiano argentino.

Pela Ruta Nacional 9 (RN9) uma bela e estreita estradinha que vai serpenteando por entre as montanhas, seguimos até a casa de ciclistas de Salta, onde fomos muito bem recebidos por Ramón e sua família. Philip, Ana e eu seguimos no rumo sul até o povoado de El Carril, a 30 km de Salta, e após dois meses viajando juntos nos despedíamos.

Enquanto eles seguiam para o Parque Nacional Los Cardones em sua Jornada até o Ushuaia, eu seguia para a cidade de Cafayate, passando pelas inúmeras esculturas naturais da Quebrada de las Conchas.

Depois de passar pelas bodegas de vino de Cafayate, cruzei um bloqueio a três caminhões chilenos que trabalham para uma grande mineradora na cidade argentina de Catamarca.

Era um protesto ao funcionamento desta mineradora, que vem contaminando o solo, o ar e a água da região, revoltando muitos argentinos. Pouco mais à frente, ao visitar a ruínas de uma antiga fortaleza da civilização Quilmes, pude ver o péssimo tempo que me aguardava mais à frente.

Ao fim do dia cheguei ao povoado de Amaicha del Valle, no sopé da última montanha que me conduziria através da Abra El Infernillo (de apenas 3 mil metros) para baixo da Cordilheira.

A descida, que passa pela formosa cidade de Tafí de Valle, é conhecida pela beleza de sua floresta muito bem conservada e pelo agradável clima subtropical. Contudo, ao chegar em Amaicha de Valle fui desaconselhado a seguir de bicicleta, já que devido ao mal tempo dos últimos dias a Abra estava coberta de gelo.

Apesar do meu otimismo, o dia acordou pior que o anterior, com muitas nuvens escuras na parte mais alta da serra. Mesmo assim resolvi arriscar, e conforme ia subindo o tempo ia esfriando, até que começou a “neviscar”.

A essa altura meus pés já estavam dormentes com o frio, e o pouco de água que vazou da garrafa que trazia no bagageiro traseiro, havia se transformado em uma pequena escultura de gelo sobre meu saco de dormir. E foi após uma curva alguns metros a frente, que percebi que era impossível prosseguir.

Não se tratava de um simples mal tempo, mas de uma nevasca que havia deixado a paisagem completamente branca de cima a baixo. Tive que hacer dedo (pegar carona), e por sorte a primeira camionete que abordei me ofereceu uma carona até a cidade de Tafí de Valle, onde o tempo estava suportável. Depois de uma bebida quente, e ainda com um pouco de neve caindo, desci pela bela estrada até os 450 metros de altitude dos pampas argentinos. Era minha despedida da Cordilheira dos Andes.

EM DIREÇÃO AO URUGUAI

Fui à cidade de San Miguel de Tucumán, e após passar o dia na casa de ciclistas de lá, peguei um trem direto a Buenos Aires, cortando o imenso e monótono pampa argentino. Uma ótima opção para aqueles não dispõe de muito tempo e dinheiro para recorrer tudo no pedal.

Depois de alguns dias conhecendo de bicicleta a encantadora Buenos Aires, me despedi da Argentina pelo porto de El tigre, onde tomei um barco em direção a Nueva Palmira, no Uruguai, país onde fui mais bem recebido até aqui. Até Montevidéu, foram três dias de pedal em meio aos pampas Uruguaios.

A maior peculiaridade é que a maioria das cidades não se encontra à beira das rodovias, mas sim a distâncias cerca de 3 km das mesmas, o que me obrigava a carregar mais provisões durante o dia para evitar perda de tempo com deslocamentos desnecessários.

Em Montevidéu fui muito bem recebido por um artista uruguaio que conheci casualmente nas ruas da cidade enquanto buscava por Pablo,seu irmão, que trabalha com bicicletas e também recebe cicloviajeiros.

De lá segui para casa de Cachi, amigo de Pablo, que me hospedou em sua casa no Cerro del Burro, a uns 100 km de Montevidéu, e me ensinou muito sobre a cultura Uruguai. De lá segui para Valizas passando por Punta del Leste, cuja geografia litorânea é um verdadeiro capricho da natureza.

Minha última parada foi em Punta del Diablo, mais uma vez na companhia de Pablo e sua família. De lá segui para Chuí, no extremo sul do Brasil, e após mais de 4.100 km pedalados por seis países da América do Sul durante quatro meses, chegava ao fim o Giro Andino.