Potência relativa

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Potência relativa

Artigo explica importância da relação peso-potência

Por Marcelo Hendel

O que é mais importante, ser mais forte ou mais leve?

Para responder a essa pergunta vou contar um pouco da minha experiência na avaliação e preparação física. Diariamente me questionam da importância das medidas na avaliação física, quais são os testes, para que servem e certa vez quando explicava isso para um atleta, ele me disse:

“Eu não preciso saber esse negócio de percentual de gordura, quero saber só meu VO2 máximo, gordura não interfere em nada no rendimento”, e foi então que resolvi esclarecer esse aspecto para vocês.

O peso do conjunto atleta + bicicleta é o que define quem terá mais vantagem na hora de competir, e eu repondo o porquê. Quando fazemos um teste de potência anaeróbica, medimos a potência absoluta “Watts” – e a potência relativa em “Watts/kg”. Feito isso, devemos dar atenção à potência relativa, pois é ela que vai definir o rendimento do atleta na prova.

Para que vocês entendam isso vamos usar uma comparação bem simples: um carro e uma motocicleta, ambos movidos a gasolina e que desenvolvem uma potência máxima próxima de 180 cavalos.

Neste caso os dois têm a mesma potência máxima de 180 cv (ABNT), mas a moto tem um desempenho muito maior que o carro, porque a potência relativa da moto é muito maior que a do carro? Vejam:

Se o carro, no caso um VW Golf GTI, que pesa 1.330 kg e tem uma potência máxima de 180 cavalos:

1.330 kg ÷ 180 cv = 7,4 kg/cv

Nesse caso, cada cavalo de potência do motor do Golf GTI vai impulsionar 7,4 quilogramas de peso do automóvel.

Ao passo que uma motocicleta de mil cilindradas – no caso uma imponente Honda CBR 1000 RR Fireblade – que pesa cerca de 180 kg e desenvolve uma potência máxima de 171,3 cavalos:

180 kg cv ÷ 173 cv = 1.04 kg/cv

Ou seja, cada cavalo do motor da motocicleta vai ter que impulsionar pouco mais de 1 kg.

Não é em vão que a Fireblade chega fácil próximo aos 300 km/h e acelera de 0-100 km/h em três segundos. Já o Golf GTI acelera de 0-100 km/h em 8 segundos e tem uma velocidade máxima estimada de pouco mais de 200 km/h.

A relação peso-potência da motocicleta é muito superior a do automóvel, mais de sete vezes para ser preciso. Essa é a grande diferença que determina quem é o mais veloz.

No ciclismo acontece exatamente a mesma coisa.

Se eu tenho dois atletas com mil Watts de potência cada um, mas um deles pesa 60 kg e o outro pesa 80 kg, é óbvio que o ciclista de 60 kg terá um rendimento melhor, pois eles terão uma potência relativa de 16,66 W/kg e 12,5 W/kg, respectivamente.

Na prática isso é o que separa um competidor PRO de um SPORT. Então eu pergunto: o peso do atleta é importante? Claro! É por isso que antes de disputar quem tem a bike mais leve, o competidor deve ficar esperto, pois o peso corporal pode ser o fator determinante para o rendimento.

Pensem nisso. Em breve estarei de volta com mais artigos sobre esse tema.

Um forte abraço a todos e boas pedaladas

Prof. Marcelo Hendel
Diretor técnico da VM3 Assessoria Esportiva
www.vm3.com.br