Planejamento de treinos

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Planejamento de treinos

Preparador explica a importância da periodização para alcançar objetivos

Texto de José Luiz Dantas – [email protected]

O planejamento é algo que faz parte da nossa vida. Para tudo o que queremos fazer com êxito procuramos traçar as metas e estratégias. Planejar nos ajuda a chegarmos aos objetivos e a descobrir os obstáculos, as famosas “pedras do caminho”, e tentamos manter estas metas o mais fidedignamente possível.

Esse comportamento é visto como normal na hora de pagar dívidas, de programar viagens, de comprar um carro e de buscar uma recolocação profissional.

O mesmo se passa em nossa vida desportiva. Pensando dessa forma, para que treinar ciclismo de forma desorganizada, sem metas ou estratégias, ou seja, conforme diz o ditado popular, “ao Deus dará”?

Desde a Grécia antiga, onde a vitória olímpica era a maior dádiva que um homem poderia conquistar, já havia uma preocupação com o planejamento do treinamento. Os gregos procuravam organizá-lo de forma a obter o melhor rendimento na competição.

Mais contemporaneamente, na década de 60, os pesquisadores russos, principalmente Matveyev, estabeleceram o que chamamos hoje de periodização, ou planejamento, do treinamento desportivo. O método consiste na construção logicamente ordenada e sistematizada do treinamento ao longo do tempo na busca de um objetivo, como por exemplo, uma vaga ou vitória olímpica.

Olhando nesta perspectiva, tem-se a impressão de que o planejamento do treinamento é coisa exclusiva para atletas. Mas não é. Afinal, se há um objetivo concreto, há a possibilidade, e indo além, há a necessidade de se planejar.

Particularmente, em meu trabalho profissional, não acredito mais em busca de uma meta sem este tipo de procedimento. Do atleta profissional ao praticante amador, somente mudam as metas. Seja ela a de estar entre os 10 primeiros na Volta do Estado de São Paulo, perder 15 quilos em três meses, aumentar a velocidade média para andar no pelotão da sua cidade, reduzir o tempo num determinado trajeto, ou completar aquela tão desejada trilha difícil etc.

A adoção deste comportamento no meu trabalho é que tem possibilitado os bons resultados alcançados pelo ciclista Renato Ruiz (equipe Flying Horse-Unilancej-Caloi, pelo Eder Freire (Selam-Piracicaba) e, mais recentemente, norteado meu trabalho com Felipe A. Velazquez (São Lucas Saúde/UAC/Americana), bem como a obtenção da maioria dos objetivos de todos os outros praticantes amadores que treinam sob minha orientação.

A grande sacada do treinamento está no planejamento e na monitoração, pois entender, além de planejar, os efeitos da carga de treinamento sobre o organismo permite direcionar as adaptações desejadas e saber a hora certa de “tirar o pé ou acelerar” na carga de treinamento, respeitando a individualidade do cliente e obtendo o melhor rendimento dele.

Um corredor de velódromo que corre provas rápidas não treina igual ao ciclista que corre ultramaratonas de mountain bike. Essas diferenças existem também entre ciclistas passistas e velocistas.

Da mesma forma que o técnico, o preparador físico também tem que pensar neste contexto para planejar seu trabalho.

E o custo financeiro dessa orientação é mais barato do que se imagina. Existem ferramentas de monitoramento que permitem um refinado controle sem os altos custos de testes como os de lactato, de consumo máximo de oxigênio (VO2 máximo) etc. Basta ter um bom e fidedigno monitor de freqüência cardíaca e alguns questionários validados cientificamente para termos um bom monitoramento, deixando os testes mais custosos para momentos pontuais, quando estes forem necessários.

No entanto, mesmo diante de boas dicas de treinamento não se pode abrir mão do acompanhamento de um bom profissional de Educação Física, formado e preparado para este tipo de trabalho.

Então, procurem um bom profissional de Educação Física para planejar suas metas e treinamento, fiquem atentos às dicas de treinamento e discuta-as com ele, e por fim, parabéns pela conquista de seus objetivos, pois seguindo esses passos, eles passarão a não depender mais de sorte.

José Luiz Dantas
Mestrando em Treinamento em Esportes e preparador físico de ciclistas amadores e profissionais.