Restauração Wanderer Continental

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Restauração Wanderer Continental

Confira a restauração completa dessa máquina alemã de 1938

Texto e fotos de Marcelo Afornali

No início de 1998, quando ainda começava a coletar bicicletas antigas e peças, conheci na casa de um amigo com uma bicicleta alemã da marca Wanderer, na qual achei interessante em vários detalhes e, principalmente, o desenho clássico do guidão.

Depois disto sempre tive vontade de comprar uma bicicleta desta marca, mas era quase impossível, pois as últimas bicicletas Wanderer que vieram da Alemanha para o Brasil chegaram aqui antes da Segunda Grande Guerra.

Em setembro de 1998, um amigo que trabalha com bicicletas modernas me ligou e pediu para que eu desse um “pulinho” na sua loja que ele tinha uma surpresa me esperando: Era uma Wanderer Continental 1938!

O estado não era nem um pouco bom, pois faltavam diversas peçass como pedivelas, freio dianteiro, cubo traseiro original Águia, cobre-corrente, pedais originais etc, coisas que ao longo dos anos foram se perdendo e que nunca mais foram recolocadas.

Nem pensei duas vezes. Encarei o desafio e comprei a bicicleta e a trouxe para casa. Estava realizada a primeira etapa do sonho de ter uma Wanderer.

Após a desmontagem, cataloguei todas as peças e anotei tudo que precisava. Saí à caça e na pista de tudo que seria possível encontrar. Aos poucos foram surgindo as peças que eu necessitava.

Na velocidade que surgiam, eu contava sempre um ponto a menos para terminar a coleta de peças e enfim, dar continuidade ao trabalho de restauração.

Os últimos detalhes foram os mais difíceis, pois em se tratando de partes elétricas alemãs dos anos 30, é algo complicado de se conseguir. Surgiu então um farol Bosch completo e com dínamo igual aos de catálogos antigos que eu possuía.

Estava em bom estado e foi até fácil de restaurar, mas o pior ainda estava por vir: Era o cobre-corrente! O cobre-corrente desta bicicleta tem de comprimento total 64 cm, medidos da curvatura frontal até o fim, quando cobre o pinhão.

Um amigo que estava na Alemanha e que já tinha me mandado um catálogo Wanderer de 1938, no qual pude identificar o ano da bicicleta e todos os seus acessórios, fez a gentileza de contatar um clube de bicicletas antigas que conseguiu a peça que eu precisava.

Enfim, a bicicleta estava completa e pronta para a parte final.

A pintura foi refeita sob catálogo, pois uma legítima restauração tem de ser feita assim. No caso da bicicleta Wanderer Continental, a pintura tem a chamada seta radial na parte frontal do quadro, seta esta em degradê com duas cores e fumaça.

As cores eram variadas e a opção escolhida foi verde e branco, sendo esta uma das cores originais das bicicletas deste ano.

A pintura foi refeita, a cromação também e a montagem foi desenvolvida durante mais ou menos quatro dias, com todos os cuidados necessários para que não houvessem danos ou coisa parecida.

Depois de montada, o jeito foi andar e quase que sem perceber a emoção toma conta da gente.

É como se todos aqueles cinco longos anos que passei para realizar este trabalho se resumissem apenas naquele momento, no sonho, na utopia de ver uma verdadeira Clássica Alemã a rodar pelas ruas novamente, exatamente igual a quando saiu da loja a exatos 65 anos…