Restauração Caloi 10

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Restauração Caloi 10

Como reformar uma Caloi 10 com menos de R$ 200 e deixá-la novinha

Por Gilberto Nepomuceno da Silva – gilbertonepomuceno@uol.com.br

Possuo uma Caloi 10 (C10) há muitos anos e, apesar de pouco usá-la, geralmente no período de minhas férias, levava a bike para uma oficina, onde fazia uma manutenção geral.

Nesse período de preocupações mais amenas, pensava em um dia reformar por completo esta bicicleta, fato realizado em Julho de 2004, e fruto dos resultados obtidos, senti-me motivado a destacar aspectos que considerei relevantes, compartilhando minha experiência.

Não sendo um entendido no assunto, aos poucos comecei a ser despertado pelas tecnologias envolvidas, pelas evoluções ocorridas, ficando surpreso ao constatar que um veículo que até então olhava com a simplicidade de um leigo, continha rigores e sofisticações de projeto, refletindo em espetacular desempenho desses novos modelos.

Voltando a minha realidade, passo a dar destaque as ações realizadas no sentido de reformar minha antiga e fiel bicicleta.

Em primeiro lugar, levei a bicicleta aos cuidados de um bom profissional, o qual procedeu a sua desmontagem completa. Não sei se os poucos cuidados que empreendia, ou se o pouco uso que fazia, foram suficientes para o bom estado geral do conjunto de peças.

Observamos que a maioria das peças era original, inclinando-me a mantê-las, garantindo a originalidade da bicicleta.

Tal opção levou-me a descartar preocupações quanto a substituições de peças de ferro por alumínio, não havendo, em decorrência, ações voltadas a otimizar relações de peso.

O quadro não apresentava comprometimento na sua estrutura metálica, apresentando alguns pontos de corrosão, porém isento de soldas ou trincas.

A REFORMA

Quadro e Garfo- Procedimento de preparo e pintura

Após a remoção completa da pintura (osso), foi realizada uma lavagem geral e secagem, visando a fosfatização a frio desse conjunto.

Esse processo, parte preponderante no tratamento da superfície metálica, visa isolar do meio corrosivo o metal base, propiciando boa penetração da futura tinta, aumentando sua aderência e conseqüentemente a resistência à corrosão.

Após a fosfatização, como preparo para a pintura, procedemos à aplicação de Primer (Surf Rápido), lixamento (inicial com lixa 320, passando posteriormente para lixa 400), lavagem esmerada para então aplicarmos a tinta.

Escolhemos uma tinta metálica automotiva de cor Azul Prússia, com detalhes na Cor Branco Pérola-Perol.

Guidão/Avanço e Caixa de Direção

Tempos atrás encontrei um guidão original, novo, em ferro cromado, com 39 Centímetros, vindo a comprá-lo e instalando-o na Bike. Desde então, utilizo fita em Neoprene, que além de protegê-lo, oferta segurança para o ciclista, com um toque de estética. Procedi a sua limpeza com Kaol, puxando o brilho necessário.

Procedemos à limpeza do Avanço, original Dia-compe.

No tocante ao conjunto “Caixaria”, do tipo com rosca, procedemos à inspeção de todas as peças e, as partes aparentes optamos por cromá-las. Na montagem, observamos a seqüência das peças, e procedemos a sua lubrificação.

Freios

Os freios, originais Dia-Compe, com pinças tipo center-pull, foram inspecionados e limpos com querosene. Após lavagem e a secagem, aplicamos uma graxa nas partes móveis, e a parte em Alumínio, utilizamos “Limpa Alumínio”, com resultados satisfatórios.

As manoplas de freio, de fabricação japonesa Suntour, de forma similar ao procedimento anterior,foram limpas, lubrificadas e ajustadas. Procedemos à substituição das sapatas de borracha.

Rodas/Aros e Pneus

Este modelo C10 se utiliza cubos de roda de flange alta, de marca original Sunshine, em alumínio.

Os aros, em alumínio de 27 polegadas, com raios em aço inox, foram inspecionados e mantidos. Passamos um ima em cada um (ao todo são 72 raios), para ter certeza de que realmente todos eram em aço inox (teste simples: se houver atração, não é aço inox).

Em complemento, procedemos à limpeza, de forma similar ao tratamento dado as demais peças de alumínio.

Os Pneus, de fabricação Pirelli 27×1 ¼, dotados de banda na cor bege, em bom estado, foram mantidos e procedida a sua limpeza. Na calibragem, observamos as pressões recomendadas pelo fabricante: 60 PSI equivalente a 4,2 Bar.

Coroa e Movimento Central

A bicicleta se utiliza pedivelas originais, ambos chavetados. Tanto Coroa (52-40 dentes) como pedivelas, em aço cromado, foram inspecionadas e consideradas em bom estado de conservação. Como a opção foi preservar características originais, o conjunto foi enviado para cromagem e reinstalado. Na realidade mantivemos a originalidade do conjunto de transmissão, mantendo a relação pedivela- corrente-catraca.

Pinhão e Câmbio

O Pinhão existente, de marca Shimano (24-15 dentes), foi mantido e devidamente limpo e lubrificado.

O câmbio, de fabricação japonesa Suntour (mesma marca do passador), foi limpo, lubrificado e regulado.

Corrente

Procedemos à lavagem da corrente aplicando querosene, elo por elo. Passo seguinte, preparamos uma solução de sabão em pó com água em um recipiente. Aplicamos tal solução em toda sua extensão, também elo a elo, com uma pequena escova. Após a ação do sabão, enxaguamos a corrente. Deixamos secar naturalmente e procedemos a sua lubrificação. Usamos, com bastante moderação, óleo lubrificante tipo Teflon Plus da Finish Line, elo a elo, atentando para a aplicação de uma finíssima camada de óleo no sentido transversal à corrente.Após a lubrificação, submetemos a corrente a leves torções, algumas vezes, visando propiciar o escorrimento do óleo para dentro das anilhas, terminando, dessa forma, sua lubrificação.

Montagem, cuidados especiais e custos envolvidos

Devido a cromagem das peças, a montagem requereu cuidados, visando não danificá-las.

Existia a disponibilidade de Lubrificantes da marca Finish Line (óleo e graxa) e estes foram utilizados, com moderação.

Para a realização da montagem, optamos por manter a bicicleta suspensa, procedendo aos ajustes necessários no solo.

Como não ocorreu a necessidade de aquisição de peças, optamos por proceder a cromagem de um conjunto de materiais (pedivelas, coroas, caixaria de direção e caixa de pedal), ao custo de R$120, com garantia de 1 ano contra desfolhamento da película de cromo e corrosão.

A pintura, ao custo de R$ 60, permitiu que a reforma não ultrapassasse duzentos reais, valor que considerei razoável, quando penso que, talvez daqui há vinte anos, esta bicicleta ainda venha divertir alguém. Valeu a pena.

Finalizando, registro o endereço do bom profissional que fez a reforma da Bike:
André Soares – (21) 88993741 ou (21) 302 30760
Rua Souza Dias no 116, Vital Brasil- Niterói- RJ