Restauração Caloi 12

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Restauração Caloi 12

Estudante conta em detalhes como gastou R$ 70 em uma Caloi 12

Por Enda Dimitri Bigarelli, São José dos Campos, SP

Oi, pessoal. Aqui quem escreve é o Biga e, como bom descendente da italianada “tutti buona gente”, sou apaixonado desde criança por “biciclette”.

Vou contar a história de como arrumei (nos dois sentidos mesmo!) uma bike speed para mim. No começo deste ano, meio que preocupado com essas coisas de meio ambiente e tal, resolvi deixar o Bigamóvel um pouco de lado e usar mais a bike para ir ao trampo. Usava então a minha MTBzinha daquelas de quadro de 19″, a famosa “entorta canote”. Mas, na verdade, eu queria mesmo era uma speed. Sempre quis, mas sempre achei que esse tipo de bike custasse o olho da cara.

Nessa então de ir trabalhar de bike, sempre que a estacionava, via num cantinho escondido uma speed largada e suja. Todo dia, eu chegava, ia embora, e ela lá encostada. Um dia, não aguentei e perguntei para todo mudo de quem era a magrela. Me disseram: “Essa bicicleta está para ser jogada fora. Quer para você? Pode levar…”. Há! E não? Meia hora depois eu já estava desmontando a tão sonhada bike para levar para casa, feliz da vida!

Trata-se de uma Caloi 12. Segundo a própria Caloi, ela é semi-profissional, o quadro é de aço-carbono e o grupo Shimano (mas o câmbio é da Suntour!). E o quadro é o meu número (pô, mandei bem!). Ela é uma beleza, só precisava de um bom trato. Resolvi então que eu mesmo ia fazer o serviço. Estava muito afim de aprender e de meter a mão na graxa.

Decidido isto então, ratão, entrei no submundo da internet à caça de dicas de mecânica. Achei o www.bikemagazine.com.br e baixei uma porrada de dicas de manutenção (muito bem detalhadas, por sinal). Além disso, procurei também conversar com o Mestre Yoda local de ciclismo (valeu Marcelo!). Foi bom porque até consegui umas ferramentas emprestadas.

Beleza, mas vamos agora ao que interessa: mão na graxa!

Primeiro, as ferramentas especiais para bicicleta (além das comuns, claro!). Sem essas, sem chance, eu só ia ficar olhando para a bike:

– Saca pedivela: funciona por mágica;

– Extrator de movimento central: usei um modelo Taiwan. Esse é especialmente interessante para deixar seu irmãozinho mais novo fazer bolas de sabão e não aporrinhar;

– Extrator de corrente: você já tinha parado para pensar em como se abre uma corrente?

As partes da magrela. Devido a restrições de verba orçamentária, decidi manter o maior número de peças possível. Ainda bem que elas me ajudaram e estavam quase todas em bom estado de conservação:

– Quadro e garfo: Estavam bastante enferrujados, mas não danificados. Tirei toda a pintura com removedor em gel para tinta automobilística. Passei Ferrox por dentro e por fora do quadro e garfo para remover a ferrugem (versão caseira do famoso banho de fosfatização). A pintura foi feita por um funileiro amigo de meu pai;

– Rodas: Os cubos, de flange alta em alumínio, estavam em ótimo estado, só precisei desmontá-los, limpá-los com querosene e engraxá-los. O eixo traseiro estava quebrado, mas a troca é bem simples. Além disso, a blocagem desta roda estava amassada. Foi só dar umas marteladas para acertá-lo. As rodas precisavam ser centradas, mas levei na bicicletaria pois isso é serviço de monge. Depois foi só limpar com pano umedecido em querosene. Infelizmente ainda não troquei os pneus pois não achei o modelo que queria por aqui, Kenda de 25 mm (R$ 12,50). As câmaras da Pirelli saem por R$3,50 cada. Tudo isso já instalado;

– Transmissão: Decidi manter a catraca, o pedivela e o movimento central originais pois estavam em bom estado (ufa!). Limpei tudo com querosene e escova de aço (e palha de aço onde necessário), como manda o figurino. A corrente já estava velha e decidi trocá-la. A catraca é um modelo Regina 13-23, próprio para estrada (maravilha!, mas bem que podia ser logo o de 12), portanto, não quis me desfazer dela (também não sou doido) ao trocar a corrente. Mas comprei um modelo (KMC HP20 semi-indexada) que não casava com a catraca, e deixei a corrente velha mesmo até achar uma que case. Comparando ambas descobri que os elos (na verdade, chamam-se de casais) da KMC eram mais longos do que a original. Ok! Da próxima vez terei mais cuidado;

– Câmbio: Aproveitei os câmbios e alavancas originais (Suntour). Mergulhei tudo no querosene para tirar a graxa ressecada. Abri o câmbio traseiro para limpá-lo e lubrificá-lo com WD40. No dianteiro, precisei passar o Ferrox para depois limpar e lubrificar. Mantive os cabos de aço;

Freios: Aqueles em alumínio da Dia-Compe (não preciso nem dizer nada). Limpei com pano e querosene e puli com palha de aço. Lubrifiquei depois com WD40. Troquei o cabos e conduites;

– Guidão e selim: O selim é um Trek em couro (?!) e o canote é alumínio. Estava tudo inteiro. O guidão é um japonês, de 40cm, em alumínio. Só precisei trocar a fita.

O que gastei, no final das contas:

  • 2 litros de querosene: R$ 7;
  • Graxa: já tinha em casa aquelas de sabão de lítio – é o suficiente;
  • Óleo WD 40: RS 5;
  • Ferrox: R$ 4,50 (em qualquer loja de tintas dá para achar);
  • Extrator de movimento central e de corrente: R$ 25;
  • Uma corrente nova: KMC HP 20 R$ 9;
  • Um eixo traseiro para blocagem: R$ 3,50;
  • Fita para guidão: RS 6,50;
  • Cabo de aço e conduítes para freio: tudo por R$ 2;
  • Centragem das rodas: R$ 10 as duas;

Passando a régua, gastei uns R$ 70 ao todo. Mas não pense que foi muito, pois isto com que gastei é o suficiente para eu mesmo continuar fazendo a manutenção, e não para um concerto apenas. Ou seja, não vou gastar com manutenção por um bom tempo.

Assim foi que eu mesmo arrumei a minha bike speed. Aprendi muito (muito mesmo!) desmontando, limpando e regulando a magrela. Dá para um ser humano normal fazer, pessoal. E não é preciso gastar uma nota preta com as importadas. Elas são uma graça, mas o precinho… no way! O negócio é cuidar com carinho da sua bike que ela vai estar sempre com você.