Restauração Dawes 1938

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Restauração Dawes 1938

Uma rara puro-sangue inglesa de três marchas para competição

Por Marcelo Afornali

Em 2003 já havia despertado uma paixão muito grande pelas bikes de corrida, quando então apareceu a oportunidade de comprar o que havia sobrado de uma Dawes de competição.

Por se tratar de peça diferenciada, já que as bikes inglesas não são e nunca foram o xodó da maioria dos competidores, resolvi comprar por se tratar de raridade.

Sem ainda saber o que tinha em mãos, procurei informações em museus da Europa e com alguns especialistas no assunto e acabei por descobrir, graças ao amigo David Spick, que tratava-se de uma bike dos anos 30.

Já com o padrão de pintura e referência de peças na mão, consegui achar a maioria dos itens que faltavam, como o câmbio rastelo Cyclo Benelux, original de 1938, e os aros de madeira opcionais para bicicletas de competição e esporte.

A parte de pintura foi refeita pelo mestre e amigo Clovis Biotto e, nesse meio tempo, não paravam de chegar informações vindas tanto de clubes na Inglaterra como de museus especializados em bicicletas de competição.

Procurar refazer uma bike de qualquer jeito, inventar um padrão de pintura qualquer ou apenas “dar um grau” não adiantavam, pois o valor desta peça estava na sua história, no seu projeto original e na sua forma de construção.

Praticamente dois anos e meio se passaram para que ela voltasse a rodar toda dentro de seu padrão original.

Suas características em uso são o baixo peso para a época (em torno de 12 quilos) e a agilidade da bike em manobras rápidas, devido à pequena distância entre eixos.

As marchas, que apesar do mecanismo ser bem rudimentar, engatam com certa precisão com um som típico destes câmbios. Um barulho da corrente mesclada ao tilintar da roldana esticadora que acaba sendo inconfundível, já que o esticador para ela trabalha com uma mola de pressão abaixo da caixa central, conhecido pelos ciclistas de época como “Câmbio Espora”.

O exemplar em questão demorou mais de dois anos a ficar pronto e é um exemplo de bicicleta restaurada.

Sua tecnologia serviu de base para as bicicletas atuais e sem o estudos delas jamais estaríamos no grau de desenvolvimento ciclístico de hoje.

A Dawes 1938 é uma bela bicicleta e uma página de destaque da história ciclística mundial.

Agradecimentos: Aos amigos Clovis Biotto, David Spick, e Marcos Perassollo, sem a colaboração e a ajuda deles, nada seria possível.

FICHA TÉCNICA

Marca: Dawes
Modelo: Competição com três marchas- aro 28 – restaurada
Ano: 1938
Origem: Inglaterra
Proprietário: Marcelo Eduardo Afornali, Curitiba/PR
Acessórios: Câmbio Cyclo Benelux “Ace”, tubos Reynolds 531, coroa Durax 52 dentes, canote de selim Strata, freios/guidão GB, pedais GB, selim Brooks B17, cubos Simplex Prior, catraca Atom de três velocidades, fita de guidão em tecido original da época e aros de madeira.