Adriana Nascimento é destaque no site UCI no Dia Internacional da Mulher

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Adriana Nascimento é destaque no site UCI no Dia Internacional da Mulher

Paulista de 35 anos é dona de 12 títulos nacionais e foi escolhida pela UCI para ter sua história contada ao mundo

Fotos de divulgação

Adriana Nascimento - Homenagem UCI

Foto de Fabio Piva

A paulista Adriana Nascimento ganhou destaque na chamada principal do site da União Ciclística Internacional (UCI) no Dia Internacional da Mulher. Adriana é dona de nada menos do que 12  títulos nacionais de mountain bike (nove de cross country, um de marathon e um de downhill) e de uma medalha ouro no Pan-Americano de 1997.

Aos 35 anos, a atleta natural de Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, atualmente vive em São Paulo, onde é responsável pela própria empresa de assessoria desportiva. Ela foi a atleta escolhida pela UCI para ser homenageada com uma reportagem em comemoração ao dia que homenageia as mulheres do mundo todo.

Leia na íntegra a reportagem.

Tradução livre de Marcos Adami – Bikemagazine

Hoje, dia 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Para marcar essa ocasião, escolhemos descrever uma das milhões de mulheres ao redor do mundo que defendem a causa do nosso esporte. Apresentamos a mountain biker brasileira Adriana Nascimento.

“Capacite as Mulheres do Campo – Fim da Fome e da Pobreza” é o tema da Unesco desse ano para o Dia Internacional das Mulheres. Embora Adriana Nascimento não tenha sofrido os efeitos da fome quando criança, nem sempre foi fácil a sua vida na região montanhosa de Campos do Jordão, no Estado de São Paulo.

Adriana Nascimento - Vertical

Arquivo da atleta

Depois de um começo modesto no mundo do mountain bike na adolescência, Adriana ganhou 12 títulos nacionais (nove de cross country, um de marathon e um de downhill). Ela foi a quarta colocada no Mundial Júnior de Mountain Bike em 1994 e campeã Pan-Americana de mountain bike em 1997. Aos 35 anos, Adriana é treinadora e pretende devolver ao esporte tudo o que conquistou por meio dele.

“Começar a correr bem cedo me capacitou e me deu confiança para buscar uma vida melhor, a lutar por aquilo que eu queria. Por conta do mountain bike eu saí de minha cidade, fiz faculdade de Educação Física, viajei o mundo e experimentei diversas culturas”, conta.

“Quando eu era criança, minha bike era o meu meio de transporte e o meu brinquedo favorito. Eu ia para a escola de bike e tenho usado minha bicicleta para conhecer novos lugares desde quando eu tinha sete anos”.

Mas quando Adriana era um pouco mais crescida, na época em que ajudava seu avô num pequeno comércio atrás da casa onde ela moravam, a futura campeã ganhou sua primeira mountain bike. A modalidade estava começando a crescer no Brasil e Adriana imediatamente ficou fascinada com os mountain bikers que apareciam para comer e beber por ali.

Meu avô percebeu o quanto eu gostava daquele estilo de vida dos bikers e me deu uma mountain bike bem simples no meu aniversário de 15 anos.”

Adriana alinhou para sua primeira corrida naquela mesma semana. Havia poucas mulheres na corrida. A bike era grande para Adriana, com pneus bem finos e sem suspensão, claro. Sem luvas ou capacete, o jeito foi emprestar para poder largar.

“Lembro a sensação de um pouquinho de medo no trecho de downhill, mas eu soltei os freios e a sensação de liberdade foi maravilhosa! Terminei a corrida em terceira. Na escola, eu gostava de educação física, mas depois de uma corrida de mountain bike eu foquei somente na bike. Eu não queria apenas pedalar, eu queria mesmo era competir e vencer”, conta.

“O grande momento de minha carreira foi disputar os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, em 1999. Fui escolhida pelo COB e representar meu país significou muito para mim. Corri sete Campeonatos Mundiais e outra edição dos Jogos Pan-Americanos, mas Winnipeg foi realmente especial”, lembra.

Depois de uma bela carreira profissional, após terminar o curso de Educação Física, Adriana seguiu o curso natural da profissão e se tornou treinadora.

“Quero devolver alguma coisa para o esporte e estou iniciando uma escolinha de mountain bike para crianças. Quero mostrar para eles, desde novinhos, o quanto é possível melhorar na vida quando se aprende a lidar com os desafios do esporte.”

Em sua assessoria desportiva, Adriana também treina adultos, homens e mulheres, com idades que variam de 30 a 60 anos. Todos são amadores que têm que adequar os horários de treinos com os compromissos de trabalho e de família.

Os anos de competição profissional já se foram, mas Adriana está longe de se afastar do esporte. Pelo contrário, ela segue sua rotina de treinamentos com o foco principal em provas de mountain bike por etapas e quer conquistar o título de Campeã Mundial Master.

“Pretendo competir até quando eu tiver 80 anos”, diverte-se. “Aí então eu poderei curtir um pouco de cicloturismo.”.

A mensagem de Adriana Nascimento é clara para todas as garotas e mulheres: “O mountain bike deixa a mulher mais bonita e feliz. Muito mais do que uma simples atividade física, o mountain bike fortalece a alma.”.