Bikemagazine conta como é pedalar com a elétrica Scott E-Sub 10

HomeBicicleta elétricaBike Teste

Bikemagazine conta como é pedalar com a elétrica Scott E-Sub 10

Modelo elétrico da Scott impressiona pela beleza e versatilidade

Texto e fotos: Marcos Adami – Ciclista: Rodrigo “Ganso” Ambrozini

As elétricas vêm ganhando força mundo afora e têm tudo para mudar o modo como a bicicleta é utilizada nos grandes centros urbanos. Tive a oportunidade de rodar uma semana com o modelo E-Sub 10 da Scott e não há como não se impressionar com a versatilidade e a praticidade oferecida por uma elétrica.

A bike impressiona de cara pela harmonia do design, bastante equilibrado e que mistura as linhas clássicas – que remetem às tradicionais bicicletas holandesas – com o arrojo de linhas retas e de aspecto bastante robusto. A cor verde-limão com detalhes em branco faz da E-Sub10 uma atração por onde passa.

Apesar dos 20,6 quilos e da pesada bateria de 2,5 quilos, é importante deixar bem claro que a bike se comporta essencialmente como uma bicicleta normal e em absolutamente nada lembra uma scooter ou um ciclomotor.

Rodar com uma elétrica é um prazer. Basta pedalar para que o sistema elétrico entre em funcionamento. Não há acelerador. No punho direito, o trocador comanda o câmbio traseiro de 10 marchas que se usa da mesma maneira como se usaria em uma mountain bike comum. O ruído emitido pelo pequeno motor Bosch de 250 Watts é bem discreto e não chega de forma alguma a incomodar.

A falta de amortecimento na roda dianteira se faz sentir nas ruas mais esburacadas e nos calçamentos de paralelepípedo. A bike é oferecida com duas opções de bagageiro, um que vai fixado diretamente no para-lamas traseiro e suporta até 7kg e outro mais robusto que vai fixado também nas gancheiras do quadro aguenta até 20kg.

O CONCEITO

A Scott E-Sub é o que se chama de Pedelec (Pedal Eletric Bicycle), ou seja, o motor elétrico só entra em funcionamento quando acionamos os pedais. Esse sistema nada tem a ver com as e-Bikes tradicionais do tipo Twist & Go, que têm inclusive um acelerador no punho e, na prática, é uma moto elétrica.

Motor elétrico Bosch - Scott e-Sub 10

O motor entra em ação somente se o ciclista pedalar

Como na maioria das Pedelecs, a assistência elétrica da E-Sub 10 é cortada tão logo a bike atinge a velocidade de 25km/h.

Entretanto, no Brasil há limitações legais para esse tipo de veículo, já que nossa legislação – retrógrada para dizer o mínimo – considera qualquer tipo de bicicleta elétrica como um ciclomotor e que, portanto, precisa atender aos mesmos requisitos. Na prática significa dizer que para estar 100% dentro da lei de trânsito brasileira a bike teria que ter placa, documento, retrovisores, pagar IPVA, seguro DPVAT etc.

“Obviamente, não iremos infringir nenhum tipo de legislação vigente, mas estamos muito confiantes de que a legislação irá evoluir no sentido de diferenciar o que é uma bicicleta assistida por um motor elétrico – com limitações de velocidade para não colocar a vida do ciclista em risco”, afirma Raphael Caliendo, diretor comercial da Scott no Brasil.

O SISTEMA

A Scott optou pelo sistema fornecido pela parceira Bosch, famosa no Brasil no segmento de autopeças e também por alguns itens da linha branca. A marca que é sinônimo de qualidade alemã investiu pesado no segmento de bicicletas elétrica e atualmente abastece mais de 30 marcas.

O sistema é composto por um pequeno motor de 250 Watts de potência, um controlador que vai fixado no lado esquerdo do guidão e uma bateria de 36 volts e 8Ah que fica bem alojada no downtube. A bateria é de fácil remoção e tem chave antifurto.

HMI

Comando HMI - Scott e-Sub 10

Controlador codificado é facilmente removível e funciona como antifurto

Do lado esquerdo do guidão o ciclista encontra um controlador HMI (Human Machine Interface), uma espécie de CatEye gigante com um mostrador iluminado em azul que mostra as informações como velocidade, velocidade média, quilometragem percorrida e autonomia restante. Um ícone mostra também o estado da carga da bateria.

Mas além de informações, o controlador HMI tem a função de permitir ao ciclista escolher o tanto de energia que será derramado no motor durante a pedalada. São quatro modos: Eco (o mais econômico e que permite mais autonomia), Tour, Sport e Speed, que faz a bike mostrar tudo o que 250 Watts são capazes de fazer. Em cada modo, pode-se escolher ainda três níveis de assistência: 1, 2 e 3.

Sem dúvida é no modo Speed 3 que sentimos as virtudes de uma elétrica. Segundo o manual da Scott, em Eco 1 o nível de assistência é de 30%, em Tour 1 é de 50%, em Sport 2 é de 110% e, em Speed 3 a assistência salta para 250% de assistência. Em potência máxima, longas e dolorosas subidas tornam-se, digamos, brincadeira de criança.

Outra importante função do HMI é de segurança, já que ele é codificado. Basta girá-lo no sentido horário para que ele se destaque do guidão para ser levado no bolso. Sem ele, o sistema elétrico não funciona.

Farol - Scott e-Sub 10

O farol com lâmpada LED de 2,4 Watts emite uma potente luz branca

E, por último, mas não menos importante, o aparelho tem um botão onde se liga o farol dianteiro, e também lanterna traseira e a iluminação azul da tela do controlador HMI. A luz do farol, com LED de 2,4 Watts ilumina muito bem com uma luz bem branquinha. A lanterna traseira tem um LED de 0,6 Watts que permanece acesa por alguns minutos mesmo após ser desligado o farol.

AUTONOMIA

Bateria Bosch - Scott e-Sub 10

Os LED’s indicadores de carga e a trava com chave da bateria

Como toda bicicleta elétrica, a autonomia vai depender bastante de alguns fatores. Peso do conjunto ciclista + bicicleta, relevo, velocidade, nível de assistência utilizado e o estado de “saúde” da bateria são fatores que influenciam diretamente na quilometragem que pode ser percorrida até o motor parar de funcionar.

Rodamos 58 quilômetros com uma recarga na cidade de Campinas, que tem um relevo nada desafiador. A quilometragem foi percorrida 85% do tempo em Speed 3, ou seja, na maior potência disponível. Os outros 15% do percurso foram pedalados num mix entre o modo Eco e o modo Tour. Na potência mínima, no relevo plano, a autonomia da bike pode chegar até 145km, segundo a empresa.

É importante ficar de olho no indicador de carga da bateria e não se arriscar, pois quando se aproxima do nível mínimo, o motor para de funcionar sem maiores avisos, e não é fácil pedalar uma bike de 20 quilos.

A bateria tem uma vida útil de 500 recargas, segundo a Scott, e exige certos cuidados: não deve ser exposta ao calor excessivo, radiação, alta-tensão, jato de água e, claro, não deve ser submersa em água. Antes de guardar a bike por um período longo de tempo – como durante o inverno – a bateria deve ser recarregada assim que atingir 50% da carga indicada pelas luzes verde na bateria.

RECARGA

A operação de recarregar é muito simples. Basta girar a chave, desencaixar e retirar a bateria. Uma alça facilita o transporte até a tomada residencial. Na lateral da bateria, cinco LEDs verdes indicam o nível de carga e, na hora de recarregar, indicam o momento em que a bateria está pronta para ser utilizada de novo. Há opção de carga lenta ou rápida. A carga lenta, mais indicada por prolongar a vida útil da bateria, leva cerca de três horas para deixar a bateria com carga completa após ser esgotada completamente. Na carga lenta, um pequeno cooler de refrigeração entra em ação.

Apesar da facilidade do Plug & Play, o grande inconveniente do sistema é o tamanho e o peso da tralha toda, já que o conjunto carregador + cabos + adaptador para a tomada (praticamente de uso obrigatório no Brasil) pesa pouco mais de 2 quilos e é volumoso. Melhor não se arriscar longe de casa sem o carregador para não ficar na mão.

Infelizmente, a E-Sub 10 durou pouco na linha de elétricas da Scott e foi substituído por outros modelos da linha E-Venture. A bike era comercializada a € 3.100 e, se fosse vendida no Brasil, o preço ficaria entre R$ 6 e R$ 8 mil, segundo a Scott.