Pedal pelo Circuito do Vale Europeu em 8 dias

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Pedal pelo Circuito do Vale Europeu em 8 dias

Confira relato de cicloviagem de 8 dias pelos belos cenários de Santa Catarina

Cicloaventura no Circuito Vale Europeu

Cicloaventura no Circuito do Vale Europeu

Texto e fotos: Nestor Freire

Depois de atravessar a Estrada Real de ponta a ponta, de Diamantina a Paraty, o Circuito do Vale Europeu não me parecia tão desafiador. Vamos aos pontos básicos: temperatura. Para quem pegou sensações térmicas de até 50 graus, pedalar pelas montanhas de Santa Catarina parecia mais tranquilo – realmente eu estava certo. Temperatura faz uma grande diferença, mas os desafios de uma travessia cicloturística são muito mais do que temperaturas ou subir e descer montanhas.

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O cicloturista Nestor Freire

Antes de qualquer viagem que faço, sempre procuro motivos para concluir meus objetivos e faço isso durante semanas a fio antes da partida. Sempre compro um equipamento novo, nem que seja um par de luvas, estudo o percurso, a minha alimentação, os trajetos e os lugares que vou parar. No Circuito do Vale Europeu não foi diferente e esse gostinho que senti na preparação foi especial e, quando finalmente chegou o dia do embarque para Blumenau, eu me sentia bem, muito bem para conhecer um dos lugares mais bonitos que já passei.

1º dia: São Paulo – Blumenau – Timbó
A primeira coisa que me vem à cabeça quando começo a pensar como chegarei ao local é chegar inteiro. Costumo dizer que a coisa mais importante de uma viagem cicloturística é você mesmo. Assim, faço questão de chegar o mais inteiro possível no local de saída. Peguei um ônibus leito de São Paulo a Blumenau, em torno de 10 horas de viagem. Chegando a Blumenau, na mesma rodoviária, pega-se um ônibus para Timbó. Na primeira noite em Timbó fiquei num hotel, montei a bike e procurei descansar para zarpar no dia seguinte logo cedo em direção a Pomerode. À noite, fui ao restaurante Tapioka, onde depois de assinar um termo de responsabilidade, retirei um passaporte para ser carimbado em cada localidade que fosse parar.

Em Pomerode

Em Pomerode

2º dia: Timbó – Pomerode
Depois de um bom café da manhã e já com a bike montada, iniciei o primeiro trecho. Saí do restaurante Tapioka, o marco zero do circuito em direção a Pomerode. Nos primeiros quilômetros, o chão é de paralelepípedos e asfalto, depois, terra batida. A viagem é tranquila, passei por Rio dos Cedros para depois chegar em Pomerode. Temos um pequeno aclive no final, mas em geral a ascensão não é muito grande. As paisagens são bonitas, passamos por muitas construções do estilo enxaimel, uma técnica de construção que consiste em paredes montadas com hastes de madeira montadas em posições verticais, inclinadas ou horizontais. Uma dica para começar a viagem é não economizar nas fotos, pois os lugares que encontraremos adiante serão mais bonitos ainda e outra muito importante, siga sempre a seta amarela. Chegando em Pomerode, vale a pena uma vista no Zoológico, pois é pequeno e muito organizado, uma boa maneira de curtir o final de tarde e se preparar para o dia seguinte que será um pouco mais puxado.

Circuito do Vale Europeu é cada vez mais procurado por cicloturistas

Circuito do Vale Europeu é cada vez mais procurado por cicloturistas

3º dia: Pomerode – Indaial – Rodeio
Resolvi fazer dois trechos de uma vez, pois praticamente não há ascensão entre Indaial e Rodeio. Entre Pomerode e Indaial também é bem tranquilo. Entretanto, vamos pedalar um pouco mais nesse dia, 67km. Os percursos ainda continuam muito povoados, passando por muitas igrejas e o rio Itajaí Açu. Vale a pena, embora não faça parte da trajetória do circuito, passar por uma ponte pênsil e parar para tirar fotos. Chegando a Rodeio, fui extremamente bem recebido na Pousada e Cafe Stolf pelo Sr Dante.

Nestor Freire: parada para a foto

Nestor Freire: parada para a foto entre Palmeiras e Timbó

4º dia: Rodeio – Dr Pedrinho
Prepare-se pois esse é o dia mais puxado, muita ascensão, são 1.120 metros. Na subida do morro, quebre a esquerda e tente conhecer o Mosteiro. Você vai pegar uma trilha de mais ou menos um quilômetro mas, no final, mas você vai se surpreender. Também vale a pena no final da descida andar mais 8 km para apreciar a Cachoeira do Zinco. A trilha pra cachoeira é plana no começo mas para chegar ao mirante é uma subida muito puxada, mas vale a pena. A cachoeira é linda e vale a pena o esforço. Saindo da cachoeira e tomando a estrada novamente rumo à Cachoeira do Zinco a trilha para Dr Pedrinho fica menos íngreme, mas nem menos puxada. O visual começa a mudar, vários trechos já passando no meio da mata até chegar a Dr Pedrinho. Nesse dia, peguei uma chuva torrencial nos últimos 10 km, mas a chegada é surpreendente. Chega-se a uma cidade bucólica, totalmente dominada pelos morros e pela natureza. É o aperitivo para o isolamento.

No percurso do 5º dia de pedalada

No percurso do 5º dia de pedalada

5º dia: Dr Pedrinho – Cedro Alto
São 40 km, a viagem muda completamente. Saia cedo e leve bastante água pois de agora em diante você passará em vários bosques de araucária e mata fechada. Devido às fortes chuvas do dia anterior, ficou bem difícil pedalar na estrada. A terra ficou muito fofa, grudava nos pneus e deixava a bike muito pesada. Preste muita atenção às placas, siga sempre a seta amarela, pois em alguns trechos você pode se perder. Parada obrigatória antes da subida animal é a Cachoeira Véu da Noiva que, para quem não quiser andar 1 km no meio da mata, pode vê-la do mirante. Atravessei dois rios, ambos, se a correnteza não estiver forte, dá pra atravessar pedalando. A paisagem vai mudando completamente até o ponto que se chega no alto de um morro e já se consegue avistar a represa, é lindo. Descendo o morro em direção à represa, o cenário vai se tornando maravilhoso. Pode-se fotografar vários espelhos de água durante o percurso.

6º dia: Cedro Alto – Palmeiras
São 41 km e, novamente, leve bastante água. Encontrará algumas fazendas no começo do caminho mas depois a paisagem muda novamente. No começo é uma trilha bastante técnica, com pedras de cascalho grandes. Você atravessa rios, passa por riachos onde é possível se tomar um banho, mas seguindo em frente vamos no sobe desce chegar a uma cachoeira maravilhosa. Paga-se R$ 5,00 pra entrar mas novamente vale a pena conhecer a Formosa. Seguindo em frente vamos chegar a Palmeiras. Não se assuste, a cidade tem uma rua, e há um supermercado em menos de 1 km.

Cicloturistas se encontram no Circuito do Vale Europeu

Cicloturistas se encontram no Circuito do Vale Europeu

7º dia: Palmeiras – Timbó
53 km praticamente de descidas, praticamente, pois subiremos uma serra para Timbó que talvez seja a subida mais desafiadora de todo o percurso. Fora esse esforço, vamos pedalar quase todo o percurso em retas e descidas. Leve bastante água. Pegue leve na descida da serra pois ela é um convite à velocidade. Passaremos pro Benedito Novo antes de chegar em Timbó e voltaremos à estrada de asfalto, chegando na ponte ao lado do restaurante Tapioka, finalizaremos o percurso.

8º dia: Timbó – Blumenau – São Paulo
Tinha acabado de chegar da viagem, ainda estava anestesiado. Era por volta de meio-dia e parei pra almoçar no restaurante Tapioka para entregar o passaporte e retirar o certificado. Depois disso, mãos à obra – desmontei a bike e fui direto para a rodoviária de Timbó a fim de pegar um ônibus com destino a Blumenau. Na rodoviária de Blumenau é possível tomar um banho. Peguei um ônibus à noite para São Paulo e com uma grande recordação em minha bagagem, as fotos e o mapeamento de todo o percurso, mas principalmente a memória de tudo que passei.

Queria deixar meu testemunho que vale a pena fazer o circuito, é muito lindo, você conhece um monte de gente e caso necessite de mais informações entre em contato pelo blog www.giraventura.wordpress.com