Bikes artesanais usam peças metálicas feitas em impressora 3D

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Bikes artesanais usam peças metálicas feitas em impressora 3D

Tecnologia já é usada na Austrália para imprimir peças metálicas em titânio; impressoras domésticas estão cada vez mais acessíveis

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A australiana Flying Machine produz bikes artesanais com cachimbos de titânio impressos em 3D

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Guia de corrente feito na impressora 3D

Marcos Adami / Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Uma grande revolução está a caminho e não só no mundo das bikes. A impressão em 3D já é utilizada em todos os ramos da indústria e até na medicina e existem próteses e implantes impressos em 3D. Na arquitetura, a China já mostrou que é possível fazer casas e prédios com máquinas gigantes que imprimem estruturas em cimento e concreto. Nas Artes, essa nova maneira de moldar e construir coisas instantaneamente é a gênese de um novo mundo para os mais criativos.

Na indústria, a impressão em 3D já existe há alguns anos e é usada principalmente na criação de moldes e protótipos, fabricação de peças de reposição de máquinas e uma infinidade de outras aplicações. Objetos 3D podem ser criados em softwares do tipo “CAD” (Computer Aided Design) ou mesmo escaneados num scanner especial 3D.

Impressora 3D doméstica de preço acessível

Impressora 3D doméstica de preço acessível

O objeto impresso ganha formas graças a diversas lâminas de polímeros (plásticos), que são unidas com uma cola especial que fica num cartucho. Outro método mais rápido de imprimir em 3D é usando jatos do material em pó, que fica alojado num cartucho de impressão, que posteriormente são unidos por outro cartucho com conteúdo adesivo. Com o barateamento dessa tecnologia já é possível comprar impressoras caseiras por menos de US$ 2 mil e novos produtos e aplicações surgem a cada dia.

No segmento de ciclopeças, a Shimano, por exemplo, tem pesquisas muito adiantadas nessa área e, num futuro bem próximo, teremos mesas, guidões, selins, pedivelas, capacetes, óculos e muitos outros componentes impressos em 3D.

Nas máquinas caseiras já é possível fazer guia de corrente, suporte para o ciclocomputador e GPS, suporte de caramanhola, arruelas, espaçadores e calços, tampas diversas, enfim, praticamente qualquer objeto, desde que esteja de acordo com as dimensões da máquina.

TITÂNIO EM PÓ
Imprimir em metal é possível, mas ainda é muito caro. Imprimir toda uma bicicleta seria inviável, ao menos por enquanto. O que já existe é a impressão de partes do quadro, que por sua vez são unidos aos tubos principais que formam o quadro.

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Mountain bike full suspension da Empire Cycles construída pelo método Additive Manufacturing

A empresa britânica Empire Cycles foi a pioneira nessa tecnologia e apresentou o primeiro protótipo de um quadro de mountain bike full suspension em titânio feito com a ajuda de uma impressora 3D. O quadro MX6-R foi feito pelo método chamado de “Additive Manufacturing”, que mescla a impressão 3D com partes construídas previamente em metal.

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Jogo de cachimbos e gancheiras de titânio impressos em 3D

O anunciado “primeiro quadro 3D do mundo” tem partes impressas com uma resina especial da 3M. O quadro teve uma redução de 33% no peso (baixou de 2,1kg para 1,4kg) e o custo foi de £20 mil para a criação do protótipo único que ainda está sendo testado quanto à resistência e durabilidade.

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Belo modelo feito a mão da Flying Machine com cachimbos impressos em 3D

Na Austrália, o framebuilder Matthew Andrew, da Flying Machine, constrói quadros sob medida usando cachimbos feitos de titânio impressos em 3D. Andrew usa as instalações da CSIRO (Organização Científica e Industrial de Pesquisa da Comunidade Britânica das Nações) para ter acesso ao que há de mais sofisticado em tecnologia de fusão de titânio. Uma máquina conhecida como Arcam usa raios de elétrons (E-Beam) para fundir o pó de titânio. A máquina, avaliada em US$ 1,6 milhão, é a única de todo o Hemisfério Sul.

Andrew imprime os cachimbos, as gancheira e até o brasão da Flying Machine. A vantagem de se produzir os próprios cachimbos é que o framebuilder tem maior liberdade para criar a geometria da bicicleta, já que existe total liberdade para imprimir as peças de acordo com as necessidades do projeto. “Usando a CSIRO conseguimos deixar nosso preço realista e comercial. A máquina Arcam com raio E-beam permite imprimir mais rápido e por isso deixa a bike mais barata. Em algum momento essa tecnologia será acessível”, afirma Andrew.

VEJA A MÁQUINA ARCAM EM FUNCIONAMENTO
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