Conheça as tecnologias que evitam furos de pneus

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Conheça as tecnologias que evitam furos de pneus

As vantagens e desvantagens das tecnologias que garantem uma pedalada sem transtornos

ER3

Nos pneus ERW a banda de rodagem vai aplicada sobre hastes flexíveis de borracha

Texto de Marcos Adami
Fotos de arquivo
Reportagem publicada com a autorização da Revista Bike Action

Os pneus são os componentes mais vulneráveis de qualquer bicicleta. A borracha, que garante o conforto na pedalada e a aderência ao terreno, tem pouca resistência contra perfurações. Pneu é uma forma abreviada de “pneumático”, palavra de origem grega derivada de pneumatikós que significa “animado pelo sopro”. O pneumático existe desde a segunda metade do século 19 e o invento revolucionou os meios de transportes.

Naquela época, antes dos automóveis dominarem as ruas, as bicicletas formavam a maior frota de veículos do trânsito urbano em algumas cidades europeias e, graças ao conforto dos pneus, a popularidade das bicicletas aumentou ainda mais.

Apesar de todas as vantagens, o pneumático só tinha (e tem até hoje) um problema: a banda de rodagem é sujeita a furos com certa facilidade e basta um pequeno prego para arruinar uma jornada. No caso da indústria automobilística, bastou um pneu sobressalente para esse problema ser contornado.

Várias tecnologias
Nada mais chato do que um pneu furado durante uma prazerosa pedalada com os amigos. Se for numa corrida, a situação é ainda pior, pois sempre se perde tempo precioso na troca da câmara. Os agentes mais comuns que perfuram a banda de rodagem (a parte do pneu com o desenho e que toca o solo) são pequenos objetos metálicos, cacos de vidros e aqueles fiozinhos de aço tão comuns nas estradas. No mountain bike, furos ocasionados por pregos, espinhos e pedaços de arame farpado são mais comuns.

A boa notícia é que existem várias opções tecnológicas que eliminam ou diminuem sensivelmente os furos. O mercado oferece desde pneus que já saem de fábrica com sistemas antifuros, câmaras de ar com líquido selante, fitas antifuros, pneus sem câmara de ar com líquidos reparadores e até pneus maciços que nem usam ar.

Praticamente todas as principais marcas de pneus oferecem modelos com essa e outras tecnologias que diminuem a incidência de furos.

Kit Stans

Kit de conversão da Stan’s No Tubes

Tubeless
A tecnologia de pneus sem câmara é muito eficiente e ganhou rapidamente o mercado. A introdução do sistema tubeless ao mercado ciclístico começou com Stan Koziatek, que em 2001 produziu os primeiros kits de conversão para pneus sem câmara em escala comercial. Surgiu assim a empresa “Stan’s No Tubes”, empresa pioneira nessa tecnologia e que abriu o caminho para outras marcas.

Num pneu sem câmara, o próprio pneu tem a função de armazenar e manter inflado o colchão de ar em seu interior. Para isso é necessário que o aro seja perfeitamente vedado para o ar não escapar pela válvula, pelos niples e nem pela lateral do talão do pneu. Um líquido selante fica no interior do pneu e, em caso de furo, a pressão que escapa empurra o líquido que faz o reparo.

Os kits de conversão mais comuns trazem uma fita que vai instalada no aro de forma a cobrir os nipples, a válvula especial que vai fixada no furo existente e o líquido. Cada pneu usa de 50 a 120ml de selante. Outro sistema tubeless é o UST (Universal System for Tubeless), com rodas que já saem prontas para usar pneus com ou sem câmara. Os pneus para as rodas UST têm um acabamento interno de Butyl, que ajuda na vedação.

Os pneus tubeless são muito eficientes e suportam furos de até 3mm de diâmetro. Além de reparar furos imediatamente, os tubeless proporcionam uma rodagem mais macia e alivia peso, pois eliminam as câmaras e as fitas de aro.

Vantagens
Proteção eficiente contra furos
Menos pressão
Mais conforto
Menos peso

Desvantagens
Exige manutenção frequente
Instalação complexa

Hutchinson

Modelo tubeless para estrada da Hutchinson

Tubeless na estrada
No ciclismo de estrada, o pneu furado é, de longe, a ocorrência mais comum em qualquer corrida ou treino. Os pneus estreitos e leves dessa modalidade são bem mais vulneráveis que os de uma mountain bike. Os tubeless para road bikes são realidade há algum tempo e pneus sem câmara de ar das marcas Schwalbe e Hutchinson podem ser encontrados nas boas bike shops do Brasil.

Esses pneus ainda não são unanimidade entre os profissionais do ciclismo. Um dos argumentos é que, como no ciclismo de estrada os pneus usam calibragem muito alta, fica complicado vedar o pneu junto ao aro. Outro argumento das equipes profissionais é que nas longas freadas em descidas de serra o ar no interior de um pneu pode chegar a 240 graus centígrados e o líquido pode ferver e explodir.

Alguns casos de estouro em descida de serra foram relatados na edição desse ano do Tour de Omã. Em bikes de estrada com freios a disco (ainda não autorizadas em eventos UCI) os pneus sem câmara tendem a ganhar mercado.

Vantagens
Proteção eficiente contra furos
Menos pressão
Mais conforto

Desvantagens
Grade de modelos ainda limitada
Manutenção relativamente frequente
Perigo de estouro por superaquecimento

Fita

Fitas antifuro são relativamente eficazes e econômicas

Fita antifuro
A boa e velha fita antifuro tem seus adeptos e lugar garantido no mercado de estradeiras e mountain bikes por um bom tempo. A fita vai instalada entre a câmara de ar e o interior do pneu e funciona como um anteparo que dificulta a perfuração da câmara. É uma solução relativamente econômica e eficaz. A instalação é fácil e a fita elimina bastante a ocorrência de furos. Existem várias marcas no mercado, inclusive nacionais. Os preços variam de R$ 40 a R$ 90, mas é bom ficar atento. Os mais baratos ressecam e duram menos.

Vantagens
Preço
Fácil instalação
Durabilidade

Desvantagens
Acrescenta peso às rodas
A proteção é limitada

Smart Tube
Também chamadas de câmaras de ar autosselantes ou autorreparantes, as câmaras de ar “Smart” possuem em seu interior um líquido vedante que repara o furo. No Brasil, as marcas Decathlon e Slime são as mais comuns.

Vantagens
Preço muito acessível
O líquido já vem no interior da câmara
Fácil instalação

Desvantagens
Não eficiente em furos maiores que 3mm de diâmetro
Difícil de encontrar
Grade de medidas limitada

Procore

Pro Core, da Schwalbe, tem dois compartimentos de ar

Duas câmaras
A marca alemã Schwalbe apresentou em 2014 a tecnologia Pro Core. O termo, que significa “Progressive Core” ou “Núcleo Progressivo” em português, tem dois compartimentos de ar com o objetivo de dar mais tração, ao mesmo tempo em que minimiza as chances de furos.

O interior acomoda uma câmara de ar de alta pressão Pro Core que pode ser inflada de 55 até 87 libras psi. A câmara de ar externa é o próprio interior do pneu que pode ser calibrado de 12 até 20 libras psi. No caso de furo, o ciclista consegue pedalar com a pressão que está na câmara interna. Com duas câmaras, o ciclista tem mais opções de calibragem, de acordo com o estilo de pilotagem e o terreno. O Pro Core tem versões para rodas 26, 27,5 e 29 ao preço de US$ 230 nos EUA. O peso é de 203 gramas.

Vantagens
Várias combinações de calibragem
Possibilidade de rodar com uma das câmaras furadas

Desvantagens
Suscetível a furos
Preço elevado
Tecnologia ainda em implementação

ERW

O sistema ERW está em testes em veículos militares da Otan

ERW
Uma das últimas palavras em tecnologia inovadora de pneus vem dos Estados Unidos. A empresa Britek Tire and Rubber, com sede no Colorado, desenvolveu um revolucionário pneu. Chamado de ERW, o produto, na prática, não pode ser classificado como pneumático, pois não usa ar. Originalmente desenvolvido para o mercado de carros, caminhonetes, caminhões, tratores, o ERW está em teste em veículos militares da Otan.

O produto utiliza uma banda de rodagem de borracha, como se fosse um pneu normal. O pneu é aberto nas laterais e a grande diferença é que a banda de rodagem vai montada sobre hastes de borracha que preenchem o espaço onde nos pneus comuns fica a camada de ar.

Quando o pneu passa sobre um obstáculo, a bike é impulsionada para frente pela energia gerada pelo retorno do elástico, daí o nome do produto: Energy Return Wheel ((www.energyreturnwheel.com). A calibragem da maciez do pneu é feita por meio do ajuste de tensão nas hastes que sustentam a banda de rodagem. A empresa comercializa pneus para bikes aro 700, 26 e 29. Um par de rodas de mountain bike aro 29 custa a partir de US$ 2.600.

Vantagens
Nunca fura
O impulso das molas de borracha dá uma mãozinha ao ciclista

Desvantagens
Preço muito elevado
Tecnologia muito recente e pouco abrangente
Suscetível a quebras e problemas mecânicos

2014-pneu-tannus

O pneu maciço da Tannus é feito de um polímero chamado Aither

Pneu maciço
A empresa sul-coreana Tannus Tires (www.tannus.com) produz pneus maciços desde 2008 em seu país e desde o ano passado está presente em vários países da Europa como Reino Unido, Itália, Alemanha, Polônia e Eslovênia.

Os pneus da Tannus são feitos do polímero Aither, de alta resistência e durabilidade. Os pneus se encaixam no aro existente e duram até 15 mil quilômetros. E, como não têm câmara de ar, nunca furam. Outra característica inovadora é a leveza. Para se ter um ideia, um pneu na medida 700x23C pesa 380 gramas.

A inconveniência desse tipo de pneu é o atrito com o chão, que chega a ser até 20% maior do que em um pneu comum quando bem calibrado. Outra limitação é a instalação, que é difícil de ser feita a mão e exige um dispositivo especial. Os pneus são oferecidos numa ampla grade de opções de cores.

A invenção da Tannus não visa o mercado de competição e sim o grande público urbano europeu que utiliza a bicicleta no dia a dia. O Tannus é comercializado nos tamanhos 26×1,75 e também 700×23, 700×28 e 700×32. O preço varia de US$ 153 a US$ 185.

Vantagens
Nunca fura
Grande durabilidade
Custo-benefício
Disponível em várias cores
Adaptável ao aro da roda original da bike

Desvantagens
Peso
Maior atrito com o solo
Menos conforto
Montagem exige equipamento especial

FUROS TEIMOSOS
Pneus que furam seguidamente e com frequência devem ser examinados com atenção especial, pois a sucessão de furos pode não ser mera coincidência.

Retire totalmente o pneu do aro e verifique atentamente a fita, a câmara de ar, a cabeça dos niples e também a parte interna do pneu. Procure por objetos que possam estar escondidos sob a banda de rodagem como pedaços de vidro ou metal.

Pneus novos montados com um conjunto de fita de aro e câmaras de ar novas são um bom começo para muitos e muitos quilômetros sem dores de cabeça.

KIT DE REPARO
A menos que você utilize pneus maciços e que garantidamente nunca vão furar, você precisa ter sempre a mão pelo menos uma câmara de ar reserva e o mínimo de ferramentas para a troca. Normalmente bastam duas espátulas e uma bomba para prosseguir a pedalada. Mesmo nas bikes com pneus tubeless, é recomendado ao ciclista levar pelo menos uma câmara de reserva, pois sempre existe a possibilidade do pneu cortar ou da roda amassar e perder calibragem.

Entretanto, em bikes de ciclismo equipadas com pneus tubulares há pouco o que fazer no caso de furos, já que o reparo não é tão simples e demanda todo um processo de colagem, secagem e procedimentos complexos. Sempre que possível, deixe as rodas tubulares somente para as competições e prefira pneus do tipo clincher para os treinos.