Brasil Ride começa na oficina: como preparar a bike e o que levar

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Brasil Ride começa na oficina: como preparar a bike e o que levar

Além dos treinos, disputar uma prova como a Brasil Ride exige preparação minuciosa da bike e dos equipamentos

Só alegria na ultramartona Brasil Ride de 2014 Foto: Sportograf

Só alegria na ultramaratona Brasil Ride de 2014 Foto: Sportograf

Marcos Adami / Do Bikemagazine
Fotos: Marcos Adami e de divulgação

Disputar uma ultramaratona como a Brasil Ride exige, além de muita disciplina nos treinos, a preparação minuciosa da bike e dos equipamentos. Nesta 6ª edição, a corrida em sete etapas começa no domingo, 18 de outubro, e termina no sábado, 24 de outubro. Mas, para quem quer completar a prova sem dores de cabeça, a Brasil Ride começa muito antes, na oficina, com uma manutenção preventiva e direcionada para suportar as dificuldades específicas da corrida. Afinal, são 600 quilômetros  de percurso e diversos tipos de terreno, como areia fofa, pedras, lama e trechos de asfalto.

É fundamental ter em mente que uma corrida da dimensão da Brasil Ride exige muito investimento, tanto financeiro, quanto de disciplina e treinamento. São meses e meses de treinamento duro que podem ir por água abaixo por conta de detalhes importantes no equipamento, alerta o mecânico Ulisses Dupas, expert em suspensões, que integrou em 2014 a equipe “Blue Angels” da Shimano. O gigante japonês dos componentes ciclísticos é parceira do evento e oferece o serviço de apoio neutro a todos os competidores.

“Cheguei a ver corredor que praticamente tirou a bike da garagem e foi para a prova. Vi também bikes com a relação gasta e pastilhas de freio meia-vida e que até mesmo os pneus estavam murchos momentos antes da largada. Um ciclista assim claramente não está preparado para enfrentar uma prova de sete etapas”, diz Dupas.

O expert Ulisses Dupas esteve na Brasil Ride em 2014

O expert Ulisses Dupas esteve na Brasil Ride em 2014 Foto: Marcos Adami

PREPARAÇÃO
A bike deve ser completamente revisada – incluindo a suspensão e amortecedor traseiro se houver – e na medida do possível, componentes devem ser substituídos por novos. É o caso de cabos e conduítes de câmbio, corrente, pneus e pastilhas de freio. Outros componentes da relação como movimento central, caixa de direção, pedais, cassete e câmbios devem ser analisados com cautela.

Lembre-se que serão 600 quilômetros em condições muito duras e que, se chover, a condição piora ainda mais. A combinação de câmbios com folgas nas articulações, corrente meia-vida, conduítes velhos e cabos oxidados é um prato cheio para problemas na transmissão. Pedais com folga, movimento central e caixa de direção muito rodados também podem ser fontes de problemas. Na dúvida, é melhor substituir o componente por um novo e a peça trocada pode ser levada como reserva.

Dupas recomenda dose dupla de selante para pneus tubeless. “Isso ajuda a vedar mais rápido e aumenta a capacidade de vedar furos um pouco maiores”, explica. A suspensão deve ser totalmente revisada e ir “zerada” para a prova. “Uma suspensão revisada, com peças novas, não precisa fazer nada durante a corrida. Só limpar as canelas com um pano seco e lubrificar o retentor da canela”.

Os freios a disco exigem atenção e é prudente trocar o fluido. “Com o tempo, o óleo fica contaminado e pode dar dar alteração no funcionamento e superaquecimento. Um óleo novo não vai dar problema”.

DICA: Teste a bike antes de viajar. Se você substituiu algum componente, fique atento e veja se está tudo funcionando perfeitamente. Teste os freios, a trava da suspensão, as trocas de marchas etc. Se notar algum problema você terá tempo de corrigi-lo.

Ciclistas devem estar preparados para imprevistos Foto: Sportograf

Ciclistas devem estar preparados para imprevistos Foto: Sportograf

O QUE LEVAR
É importante levar algumas peças sobressalentes, além de ferramentas e material de limpeza e lubrificação.

*Gancheira – Verifique o modelo específico para sua bike
*Uma câmara de ar cada um
*Aplicador e cartuchos de CO2
*Bomba
*Canivete multiferramentas
*Chave de corrente (pode ser incluída no canivete)
*Espátula
*Presilhas do tipo zip tie
*Elos de corrente do tipo “Power Link” – Fundamentais em reparos de emergência
* Lubrificante para a corrente – Leve uma embalagem de 10 ou 15ml (ex.: Novalgina gotas)

* Itens que devem ser levados a cada etapa e que pode ser dividido com o parceiro para não pesar. Teste as ferramentas e a bomba antes de viajar

E MAIS
Bolsa de selim ou de quadro
– Úteis para não pesarem na mochila
Escovas de limpeza – Tenha de vários formatos e tamanhos
Detergente biodegradável – Fundamental para a limpeza depois de cada etapa
Pelo menos 2 câmaras de ar – Leve uma com você, guarde a outra
Chave de raio – Raramente se utiliza, mas é bom ter
WD40 – Para limpar e desengripar peças que travaram
Lubrificante do tipo XC – Para lubrificar partes articuladas de câmbio, retentor externo da suspensão etc
Lubrificante para corrente – Prefira o tipo seco de longa duração com o sulafricano Squirt
Mochila de hidratação – Fundamental para as etapas mais longas
Pneus extras – O solo rico em pedras costuma cortar pneus. Leve um par de pneus reserva com outro desenho de banda de rodagem. No geral, prefira pneus com cravos altos, carcaça robusta e resistente a cortes laterais
Bomba de pé (chão) – Facilita a calibragem e evita problemas na válvula
Pastilhas de freio – Leve pelo menos 3 pares. Se chover pode ser necessário um par por etapa
Cabos – São baratos e não ocupam espaço. Vale a pena levar
Selante – No caso de furos, será importante completar o nível
Raios – Verifique o modelo específico para suas rodas e tenha um par de reserva
Fita Silver Tape – Um quebra-galho com múltiplas aplicações
Sapatilhas – Leve um par de reservas (não precisa ser nova). Pode acontecer de quebrar ou descolar o solado ou ficar encharcada
Coroa extra – Especialmente indicado para quem usa relação 1×11. Leve uma outra coroa de relação mais leve para o caso das pernas cansarem mais que o planejado

LIMPEZA PÓS ETAPA
Depois de cada etapa, a bike precisa de atenção especial para suportar o próximo dia. Na chegada, o posto de serviço da Muc-Off oferece lavagem grátis, mas é preciso disposição de encarar a fila. Dá também para lavar a bike em outros lugares, como casas de moradores e alguns hoteis e pousadas oferecem essa facilidade.

Mas nem sempre é necessário lavar a bike. Numa etapa sem chuva, muitas vezes basta limpar bem a relação e as canelas da suspensão e lubrificar a corrente para que a bike esteja pronta. “Vi muitos atletas profissionais que desmontam a bike praticamente toda depois de cada etapa. Desmontam totalmente o cassete, as roldanas, a caixa de direção, o pedivela e o movimento central etc. Acho desnecessário na maioria dos casos, já que, a princípio, você foi para o Brasil Ride com sua bike totalmente revisada e com componentes novos”, diz Dupas.

A limpeza a seco pode ser feita em qualquer lugar, até mesmo num cantinho na área de camping. Use panos, escovas e o detergente biodegradável para ser aplicado na relação e nas partes necessárias.

Entretanto, se a etapa for sob chuva, o cenário muda completamente. Após uma longa etapa com lama, a lavagem precisa ser mais cuidadosa e a revisão muito mais detalhada. Com chuva, é bem possível que seja necessário substituir as pastilhas, limpar e lubrificar os cabos, sacar o pedivela para limpar, limpar e engraxar a caixa de direção e outras verificações.

Depois da bike limpa e lubrificada, verifique com atenção o funcionamento dos câmbios, o estado das pastilhas de freios, o funcionamento da suspensão bem como o mecanismo das travas dos amortecedores, se houver. Se notar qualquer alteração, leve sua bike para o serviço de apoio neutro da Shimano e peça ajuda. Olhe com bastante atenção os pneus. Verifique e retire objetos estranhos na banda de rodagem como vidros e espinhos e calibre se necessário.

OUTROS ITENS
Além do material da bike, dos componentes e de todo o vestuário técnico, o ciclista deve fazer o planejamento do que levar para alimentação, hidratação e suplementação como BCAA, energéticos, isotônicos e guloseimas favoritas.
Não esqueça também de levar seus remédios habituais e o estojo de primeiros socorros, com um material básico.

SERVIÇO
Rua Vasco Fernandes Coutinho, 449
Jardim Nossa Senhora Auxiliadora
Campinas, SP
Telefone (19) 3291-1284
CEP 13076-261
www.conexaodupas.com.br

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