Pedal de 100 km pelas ciclovias de São Paulo

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Pedal de 100 km pelas ciclovias de São Paulo

Confira roteiro de pedalada por ciclovias e ciclofaixas de lazer da capital paulista e dicas para aproveitar ainda mais o passeio

Desafio de uma vida

Desafio de uma vida

Texto e fotos: Aline Os
Especial para o Bikemagazine

Os 357km de ciclovias e ciclorrotas e os 120km de ciclofaixas de lazer disponíveis na cidade de São Paulo levam inúmeros apaixonados por bicicletas a se aventurarem pelas ruas da maior cidade da América do Sul diariamente. Utilizam a bike a passeio, para ir ao trabalho, atravessar a cidade, ir até o mercado ou à casa de um amigo. Não importa o motivo, se você pedala ou quer pedalar pela cidade sabe da importância dessa estrutura que acolhe ciclistas e outros modais não motorizados, como skates, patins e até os carroceiros que transportam recicláveis.

São Paulo tem avançado a passos largos na busca pela melhoria da mobilidade urbana, mas ainda é comum ver ciclistas que pedalam somente trajetos curtos por medo, inabilidade, falta de preparo físico ou ainda porque a malha cicloviária não tem conexão entre si em muitos trechos e o transporte público através de trens e metrôs, que deveria fazer essa conexão, restringe o atendimento ao público à determinados horários.

Ainda assim, nos desafiamos a percorrer 100km pelas ruas da cidade (nesse texto indicamos uma rota de quase 50 km), a maior parte do tempo utilizando as ciclovias e ciclofaixas de lazer em pleno domingo, dia em que estas são ativadas e incentivam famílias, ciclistas solitários e grupos a se aventurarem pelas ruas e avenidas de muitos bairros da cidade. A empreitada teve como objetivo mostrar que sim, é possível pedalar pela cidade em segurança, com ou sem chuva, bastando para isso disposição, uma bicicleta revisada e vontade de explorar a cidade, que tem muito a oferecer!

Mesmo se a previsão for de chuva, cumpra o ritual e abuse do protetor solar: as nuvens carregadas podem acentuar o tempo nublado, mas as várias horas previstas para concluir o pedal alertam para a máxima de que em São Paulo você pode experimentar todos as estações do ano em um único dia. Sabendo disso, uma capa de chuva ou corta vento são itens indispensáveis na mochila, juntamente com uma fruta e uma barrinha de cereal, sem esquecer da caramanhola ou garrafinha abastecidas de água ou isotônico. Pronto, seu pedal pode começar!

Confira aqui o mapa das ciclovias e ciclorrotas de São Paulo e aqui as ciclofaixas de lazer e empréstimos de bikes na capital paulista.

Ciclofaixa na Rua da Consolação

Ciclofaixa na Rua da Consolação

Partindo do Centro Velho
Da Praça da República siga pela ciclovia da Avenida São Luiz até a Rua da Consolação, onde inicia um trecho da ciclofaixa de lazer. Antes pare para apreciar a Praça Dom José Gaspar em uma área bem arborizada próxima ao Copan, Terraço Itália e outros edifícios antigos, contando com alguns bares, cafés e restaurantes que simpaticamente recebem os ciclistas para um café ou brunch. Prepare o bolso, mas aproveite o ar tranquilo da praça e, se passar por ali no final do dia, tome ao menos uma cerveja brindado a vista do prédio da biblioteca Mário de Andrade, que tem em sua programação dominical apresentações de chorinho entre outras atrações. A dica é ficar atento a agenda da biblioteca, que passará a funcionar 24 horas. Veja a programação

Seguindo adiante pela ciclofaixa de lazer da Rua da Consolação, logo você irá se deparar com a entrada do elevado Costa e Silva, onde é possível fazer um passeio pelos quase 4 km de extensão do famoso Minhocão, que é aberto para pessoas a partir das 14:30h do sábado e o dia todo aos domingos e feriados. Seus frequentadores chegam com bicicletas, patins, patinetes, skates ou mesmo a pé, para correr, caminhar, assistir peças de teatro gratuitas, passear com seus animais de estimação ou ainda visitar o Mercado de Pulgas que é organizado esporadicamente na região do Largo do Padre Péricles.

Na esquina da Avenida Paulista com Rua da Consolação

Na esquina da Avenida Paulista com Rua da Consolação

Mas se a sua opção for subir a Rua da Consolação sentido Avenida Paulista, você vai precisar tomar fôlego. São cerca de 3,5 km de uma subida que engana os iniciantes: não desista, pois no caminho você pode parar no Cemitério da Consolação e procurar pela lápide de artistas como Tarsila do Amaral e Mário de Andrade, da Marquesa de Santos ou ainda descobrir esculturas de Victor Brecheret entre os mausoléus das famílias que descansam ali.

Paulista Aberta
Pedalar aos domingos e feriados na Avenida Paulista está se tornando um programa tipicamente paulistano do qual devemos ter orgulho. Ao chegar na Avenida você logo se depara com a Praça do Ciclista, ponto de concentração da Bicicletada (Massa Crítica), de manifestações populares, saídas de passeios ciclísticos ou mesmo de encontro entre os que gostam de pedalar.

Partindo deste ponto, em uma linha reta imaginária, você pode pedalar até o bairro do Jabaquara, na Zona Sul, sem grandes ganhos de altimetria, em um percurso totalmente possível graças a conexão das ciclofaixas de lazer com as ciclovias que atendem a esse trajeto.

Praça do Ciclista

Praça do Ciclista, ponto de concentração da Bicicletada

Antes de partir rumo ao Jabaquara, se atente para alguns atrativos da Avenida Paulista: tem Museu (Masp), Centro Cultural (Instituto Cervantes, Casa das Rosas, Itaú Cultural, FIESP), Parques (Mário Covas, Trianon), cinemas, galerias, livrarias, shoppings, opções de comida para todos os bolsos, ou apenas uma boa sombra para sentar e conversar com os amigos enquanto crianças se divertem no asfalto da avenida em mais um dia do programa Rua Aberta.

No recém-inaugurado Mirante

No recém reinaugurado Mirante 9 de Julho

O vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo) permite uma vista interessante para a cidade, de onde é possível avistar o recém reinaugurado Mirante 9 de Julho, que fica a uma quadra dali, um espaço multicultural com café, shows e exposições de arte. Este mesmo vão abriga uma feira de antiguidades tradicional aos domingos, frequentada por colecionadores e curiosos de todos os cantos do país.

Niemeyer no traço do artista Kobra

Grafite retrata Oscar Niemeyer no traço do artista Kobra

Outro ponto que merece destaque são os gigantescos grafites que podem ser avistados no início e no final da avenida, sempre realizados em empenas cegas de edifícios estrategicamente escolhidos, e realizados por artistas renomados, como o retrato de Oscar Niemeyer do estúdio Eduardo Kobra, visível no cruzamento entre a Avenida Paulista e a 13 de Maio.  A Praça Oswaldo Cruz, que fica neste cruzamento abriga uma feira gastronômica popular, com cardápio que vai desde crepes até mini pizzas e churros com 2 recheios.

Comércio e água de coco
Seguindo direto pela Avenida Bernardino de Campos, entre as Avenidas Vergueiro e Domingos de Morais, você pode parar para ver a florada dos ipês rosa entre os meses de setembro e outubro, que criam um tapete de flores para os ciclistas que chegam até a altura do Metrô Vila Mariana. A partir deste ponto a avenida é tomada por lojas e comércio em geral, bancos, bares, e para saber mais sobre o que cada bairro oferece de interessante se aventure pelas ruas que cruzam o eixo por onde você se desloca, como a França Pinto, que leva quase à entrada do Parque do Ibirapuera e do novo MAC (Museu de Arte Contemporânea) do Ibirapuera.

Na altura do número 369 da Avenida Jabaquara você encontrará a única bicicletaria da região (Bike Dream) que funciona aos domingos. Esta dica é útil para aqueles reparos de última hora ou para socorrer quem teve um pneu furado durante o passeio. Se anime e siga adiante por esta ciclovia até o cruzamento com a Avenida Indianópolis. Você estará ao lado da Igreja de São Judas Tadeu, que atrai fiéis de todos os cantos da cidade, por se tratar de uma das mais tradicionais paróquias de São Paulo.

Entrar na Avenida Indianópolis e seguir pela ciclofaixa de lazer deveria ser o próximo passo. Antes, no entanto, você pode percorrer uns 400 metros adiante pela Avenida Jabaquara (saindo da ciclofaixa) e fazer uma pausa para se refrescar com água de coco ou açaí na tigela na Barraca do Zé (que só aceita pagamento em dinheiro), localizada ao lado do Viaduto Jabaquara. A barraca começou pequena numa ilha do viaduto e hoje é um bem estabelecido ponto de encontro para quem chega do litoral pela Avenida dos Bandeirantes ou mora na região, sempre em busca dos famosos cremes de frutas.

Bicicletário no Parque Villa Lobos

Bicicletário no Parque Villa Lobos

Quatro parques
Depois da pausa você já está pronto para visitar os quatro parques mais famosos da região. A ciclofaixa de lazer que inicia na Avenida Indianópolis permite percorrer os trechos entre o Parque das Bicicletas, Ibirapuera, do Povo e Villa Lobos, com uma rota muito bem sinalizada, iniciando com uma descida tranquila até o Parque das Bicicletas. O curioso sobre este parque é saber que ele foi inaugurado para que os ciclistas deixassem de pedalar no Ibirapuera, que fica bem próximo. Mas essa mudança não agradou, e o Ibirapuera conserva sua ciclofaixa interna e um público muito fiel de ciclistas.

Após sair do primeiro parque, em questão de minutos você estará em um dos portões do Ibirapuera.  O Ibirapuera, assim como o Villa Lobos, possui serviço de aluguel de bicicletas, locando também triciclos para famílias que gostam de pedalar unidas. Visite o Viveiro de Mudas Manequinho Lopes, com plantas de várias espécies que podem ser retiradas gratuitamente para replantio. Passeie por entre as travessas repletas de rosas, papoulas, árvores, temperos e plantas ornamentais. Logo ao lado do viveiro também é possível acompanhar ensaios de coreografias de street dance ou ainda grupos de artes marciais fazendo seus treinos.  O Ibirapuera é tido como o mais paulistano dos parques, com uma infinidade de tribos frequentando regularmente seus museus (Museu Afro, MAC, MAM), shows frequentes e cinema a céu aberto (Auditório Ibirapuera), a marquise (que abriga os adeptos das práticas de skate e patins), os parquinhos infantis e o lago (com sua fonte dançante) de onde é possível apreciar um por do sol revigorante. Cada visitante do parque encontra nele muitos atrativos, como o Jardim Japonês e o Planetário (atualmente fechado para reforma). Explore seus espaços e descubra outros tantos motivos para fazer dessa uma parada obrigatória no seu pedal.

Ao sair do Ibirapuera pela Avenida República do Líbano, acesse a ciclofaixa de lazer da Avenida Hélio Pelegrino sentido Avenida Faria Lima e siga as orientações para chegar ao Parque do Povo. Serão poucos minutos até o parque que é relativamente novo se comparado aos demais, mas que já possui um público bem estabelecido. Alguns shows e espetáculos gratuitos ocorrem nele com frequência. O parque tem pista de corrida e ciclovia, banheiros bem cuidados e paraciclos.

A saída do Parque do Povo rumo ao Parque Villa Lobos é pela ciclofaixa da ponte Cidade Jardim. Seguindo por ela, você vai passar diante do Jockey Club de São Paulo, um lugar charmoso que vale a visita! (verifique a agenda previamente)

Aqui começa um trecho de maior esforço físico: algumas descidas seguidas de subidas um tanto longas para quem não está habituado. Se ao chegar na entrada da Cidade Universitária você pensar em visitar, não hesite! Com ciclovia, Museus e muito bem arborizada, a USP rende um agradável passeio. Retorne para a Rua Alvarenga e ao chegar na Praça Panamericana você estará a poucos minutos do Parque Villa Lobos.

Pedal no Parque Villa Lobos

Pedal no Parque Villa Lobos

Instalado em uma região nobre da cidade, esse Parque por muito tempo teve baixa visitação. Tudo devido a falta de árvores em seu interior. Ao longo dos anos o Villa Lobos se transformou e hoje é um dos pontos verdes mais frequentados da cidade. Sua ciclovia interna tem 3,5km, passando por lanchonetes, bebedouros e banheiros.

Além do pessoal das  bicicletas e triciclos, você vai perceber que existe muita gente que frequenta esse parque para andar de patins, skate e patinete, pois o revestimento das pistas é perfeito para que já tem prática ou quem está iniciando nessas atividades.

Mas nem tudo nesse parque é ligado aos esportes: o orquidário Ruth Cardoso e a Biblioteca são pontos que devem ser apreciados com carinho.

Ciclovia às margens do Rio Pinheiros

Ciclovia às margens do Rio Pinheiros

Pitangas, Batata e Metrô
Saindo do Parque Villa Lobos siga sentido Avenida Faria Lima e… Relaxe. Você já pedalou, já conheceu e reviu pontos importantes da cidade. Se sente pertencente às ruas, alamedas, parques e praças por onde passou. Agradeça à bicicleta! As pessoas que utilizam a bicicleta mais que outros modais para se deslocar, passam a se sentir mais próximas e conhecedores do que é viver a cidade. Isto ocorre porque o ciclista tem uma relação diferente com o tempo de deslocamento entre um ponto e outro, e foi seu esforço físico que permitiu essa experiência. Assim, você se expôs aos elementos da cidade, como o cheiro das ruas, de plantas e de comidas de uma região, se aproximou de pedestres e outros ciclistas, e também da flora e fauna de cada rua por onde passou.

Você saiu do Parque Villa Lobos e seguiu até a ciclovia da Avenida Pedroso de Morais. Ali, num trecho próximo ao Instituto Tomie Ohtake você avista árvores frutíferas. São pitangueiras. Irresistíveis pitangueiras, que a depender da época do ano estão carregadas de frutinhas vermelhas e alaranjadas, adocicadas e que remetem a infância. Um achado que só quem passa por este caminho pode desfrutar. Nos meses de outubro e novembro é possível também ver e aproveitar essas delícias em outras ciclovias (Sumaré e Braz Leme estão entre as ciclovias com pomar). Pare alguns instantes e retorne ao tempo de criança, colha frutas do pé e coma ali mesmo. Sim, você e os pássaros da cidade estão aptos a esta atitude que até pouco tempo atrás era impensada para habitantes de áreas urbanas.

Se você não parou no Instituto Tomie Ohtake e optou por não ver as exposições de arte moderna e contemporânea que ele abriga, deve ter seguido direto para o Largo da Batata. Essa praça é o exemplo do que acontece quando um espaço público ganha vida pela mão de cidadãos: pallets foram transformados em bancos e pinturas adornam todo mobiliário criado para o espaço. “A Batata Precisa de Você” é uma iniciativa popular que visa ocupar de forma mais humana e acolhedora um território que já esteve entre os mais mal vistos da região (veja programação).

Ainda faltam árvores no local, para tornar o passeio nos dias de verão mais frescos, bem como mais vagas no bicicletário público que ali está instalado, mas certamente passear pelo Largo da Batata rumo ao metrô Faria Lima, a Igreja do Largo de Pinheiros ou ao Sesc Pinheiros hoje em dia é bem mais tranquilo e prazeroso do que anos atrás.

A ciclovia do Rio Pinheiros vista da passarela

A ciclovia do Rio Pinheiros vista da passarela

Metrô Linha 4 e Linha 3: Bem-vindo à América Latina

O Metrô e a CPTM permitem que você e sua bicicleta se desloquem pela cidade aos domingos e feriados durante todo o dia. Compre e carregue seu Bilhete Único ou utilize os bilhetes individuais para viajar. Embarcando na Estação Faria Lima, localizada no Largo da Batata, siga em direção à Estação da Luz, desembarcando na Estação República. Faça a baldeação para a linha 3, Vermelha, sentido Palmeiras-Barra Funda onde você deve desembarcar. Procure pela saída que te levará até o Memorial da América Latina.

Com vários prédios compondo o conjunto arquitetônico elaborado por Oscar Niemeyer, você tem inúmeros motivos para visitar esse espaço. Ali são realizados vários eventos que têm como temática principal a cultura dos povos latinos: exposições, mostras de dança e música, festival de gastronomia e de cinema. Após registrar sua passagem, siga pela ciclovia que passa entre os prédios do complexo e vá em direção à Avenida General Olímpio da Silveira.

Esta é a avenida sob o Elevado Costa e Silva que separa a região de Higienópolis da Barra Funda e, embora tenha se deteriorado ao longo dos anos, os pilares da arquitetura pesada e angustiante abrigam arte urbana de ótima qualidade. Num processo harmônico, os artistas se revezam aleatoriamente, permitindo a mudança de visual do cinza do concreto com regularidade.

Sim, você está trafegando por uma ciclovia integrada à paradas de um corredor de ônibus, e o que pode parecer difícil ou até perigoso para uns, se faz necessário na construção de um novo modo de deslocamento e de uma reformulação da convivência e compartilhamento do espaço urbano de forma harmoniosa. Estamos falando de um processo que leva tempo: educar ciclistas e pedestres para conviver e dividir o espaço, minimizando acidentes. Esta deve ser uma das propostas mais desafiadora para a gestão municipal atual. O tempo está mostrando que sim, é possível fazer com que os próprios usuários do espaço zelem pela integridade física do mais fraco, como deve ser nas relações de trânsito.

Chegando na altura do Metrô Marechal Deodoro surge na ciclovia uma rota para a rua Doutor Albuquerque Lins: siga nesta direção e pare diante do Marechal Food Park instalado logo na primeira quadra. Um bicicletário na entrada demonstra que bicicletas são bem vindas, mas se o bolso estiver apertado, esqueça o ceviche, o hambúrguer gourmet, a cerveja artesanal e volte para a ciclovia debaixo do Minhocão. Quando você avistar o Terminal de ônibus Amaral Gurgel você estará diante de um cardápio tipicamente paulistano: caldo de cana e pastel de feira, que acontece aos domingos no largo da Santa Cecília.

O passeio segue pela rua Frederico Abranches, logo atrás da Igreja de Santa Cecília. Siga por ela até retornar a ver o Minhocão mais adiante, agora no trecho sobre a Avenida Amaral Gurgel. Você avistará o Largo do Arouche, com seu mercado de Flores, seus restaurantes tradicionais (o Gato que Ri e La Cassarole), bares e cafés que tem o público LGBT entre os frequentadores. Contorne o Largo do Arouche em direção à Avenida São João. Siga pela ciclovia e você entrará na Avenida Duque de Caxias, que leva diretamente até a Sala São Paulo, palco de concertos e apresentações regulares de música erudita, considerada uma das 10 melhores salas para este tipo de evento no mundo. Ao lado dela estão a Estação Júlio Prestes (da CPTM) e a Estação Pinacoteca (que abriga exposições de arte Moderna e Contemporânea e acervo de arte Moderna Brasileira), instalada no edifício do antigo DOPS (cenário importante no período da ditadura militar, onde presos eram torturados e mortos e que atualmente abriga um memorial voltado para suas vítimas).

Logo em frente você pode ver o prédio de arquitetura clássica, onde funciona a EMESP ou antiga Escola Livre de Música Tom Jobim.  Um pouco mais adiante está  a Estação da Luz, com seu tradicional relógio que replica o Big Ben de Londres. Desta estação partem trens em sentido a Mogi das Cruzes e Rio Grande da Serra, cidades vizinhas que possuem roteiros para quem curte pedalar em trilhas de mountain bike. Você pode fazer um passeio com sua bicicleta gastando bem pouco.

A região da Luz também abriga o Museu da Língua Portuguesa, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Parque da Luz. Reserve dias separados para cada uma das visitas: a Pinacoteca conta com um acervo próprio e frequentemente recebe exposições vindas de museus do mundo todo; o Museu da Língua Portuguesa tem uma programação voltada para a história específica da língua falada em todos os continentes do mundo; o Parque da Luz tem seus jardins inspirados nos jardins franceses, com alamedas frescas, bancos para descansar além de uma fonte e um lago com vista para a área submersa, de onde é possível ver os peixes que ali residem.

Para aproveitar mais e melhor a mobilidade de São Paulo

Para aproveitar mais e melhor a mobilidade de São Paulo

Mudanças, mudanças e mudanças
O pedal ainda não acabou. Provavelmente você não conseguiu fazer todo o percurso em um único dia, visitando os espaços dos quais falamos e aproveitando todas as dicas. A ideia é que você se oriente por esse roteiro e volte quantas vezes for preciso, descobrindo novas formas de ver a cidade e de pedalar com mais tranquilidade.

Evoluir no pedal e na relação com pedestres e motoristas é uma forma de contribuir com uma cidade mais “ciclável”, onde as pessoas são incentivadas a pedalar pelas ruas, rotas, ciclofaixas e ciclovias. Afinal a bicicleta é um meio de transporte que contribui na melhoria da qualidade de vida de cidadãos e de cidades e, por isso, incentivar e respeitar seu uso é uma questão de bom senso.

A cidade está se transformando aos poucos, e muitos dos espaços citados já possuem paraciclos ou bicicletários com vagas suficientes para receber grupos interessados em consumir mais do que alimentos. Existem regiões onde os paraciclos já estão instalados nas calçadas diante dos comércios. Em outras é preciso sugerir aos comerciantes que façam a adaptação, mostrando que mais ciclistas podem se tornar público cativo do local. Seja você um ciclista já habituado a percorrer longas distâncias ou alguém que está iniciando no pedal, saiba que todos colaboram para que mais espaços percebam e se adaptem às mudanças.

E, se você quiser, contribua com dicas interessantes do que viu e gostou pedalando pela cidade.

Sobre a autora: Aline Os é professora, fotógrafa, bike courier, gestora do projeto Selim Cultural, aprendeu a pedalar sem rodinha aos 6 anos de idade e está convicta que a bicicleta traz mais alegria para a vida

Saiba mais sobre o projeto Selim Cultural

LINKS RELACIONADOS
www.cetsp.com.br (Mapa das ciclovias e ciclorrotas)
www.movimentoconviva.com.br (Ciclofaixas de lazer; empréstimo de bicicletas)
www.prefeitura.sp.gov.br (programação da Biblioteca Mário de Andrade; Parque do Povo, Parque das Bicicletas, Parque da Luz, Parque Trianon, Parque Mario Covas)
Metrô de São Paulo (regulamento para ciclistas)
CPTM