Entrevista: Marcio Ravelli entre trilhas e o mundo dos negócios

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Entrevista: Marcio Ravelli entre trilhas e o mundo dos negócios

Ravelli, 12 vezes campeão brasileiro, comemora o sucesso do GP que leva seu nome e ensaia volta à Elite; "tipo um Rocky Balboa do mountan bike", brinca

Marcio Ravelli planeja voltar à Elite

Marcio Ravelli planeja voltar à Elite e comemora sucesso do GP que leva seu nome

Do Bikemagazine
Texto e foto: Dani Prandi

Marcio Ravelli ainda olha para o pelotão da Elite do mountain bike com vontade de estar lá. “Gostaria de brincar na Elite de novo”, admite o biker de Itu (SP), 12 vezes campeão brasileiro, que, aos 44 anos, não deixou as competições, mas hoje está muito mais voltado ao mundo dos negócios.

Em entrevista ao Bikemagazine durante a Copa Internacional de MTB, em Araxá (MG), a conversa foi marcada por palavras como fluxo de caixa, margem de lucro, gestão, custo e outros termos do universo administrativo. Ravelli é, hoje, um bem-sucedido organizador de eventos de MTB. O principal deles é o GP que leva o seu nome, que estreou em 2008.

O Circuito GP Ravelli, com quatro provas por ano, tem atraído uma média de 1.200 bikers por etapa. O recorde foi em Itupeva, no ano passado, com 1.570 atletas inscritos. “No começo fazia tudo sozinho, mas depois a Vanessa (Vanessa Cabral, esposa e também biker) assumiu e arredondou o projeto”, conta. “Hoje o GP está com tudo encaixado: cronometragem, cronograma, horários, esquema de abastecimento, equipe de apoio, tudo de acordo”, continua.

Cada etapa tem um custo de R$ 80 mil e, entre os gastos estão seguro de vida, ambulância UTI, comissário, fiscais e outros detalhes que fazem a diferença, como a premiação para todas as categorias Pro. Além das quatro etapas há, no final da temporada, uma prova 50K.

Os percursos nunca se repetem e é o próprio Ravelli o responsável por descobrir novas trilhas, sempre acompanhado por alguns de seus amigos de MTB. Agora são as cidades que o procuram e a competição já está além do território do interior paulista e já chegou a Minas Gerais. O objetivo é ir mais além e levar o GP para o ranking brasileiro e, quem sabe, ao ranking UCI.

Ravelli, que participou dos Jogos de Atlanta, em 1996, na estreia do mountain bike como modalidade olímpica, foi convidado pelo comitê dos Jogos Rio 2016 para carregar a tocha olímpica. Vale lembrar que o biker, até hoje, tem o melhor resultado de um brasileiro em Mundial. Ravelli foi o 24º colocado na disputa em Vail, em 1994.

Entre uma etapa e outra Ravelli volta a sentir o gosto das competições, em provas como a Copa Internacional de MTB. Na primeira etapa, acabou abandonando por um problema mecânico. Mas aproveitou a oportunidade para conversar com seu antigo treinador, Hélio Souza, que hoje orienta Henrique Avancini.  Seu objetivo, admite, é voltar a competir na Elite. “Na Máster a gente faz força mesma coisa. Na Elite é mais emoção, o público é maior”, diz. “Minha ideia é voltar a treinar mais forte e fazer um retorno tipo Rocky Balboa. Vamos ver.”

Apesar dos muitos fãs que o abordam para fotos e selfies, o biker sente o inverso quando ouve um “Ravelho” aqui e ali. “A idade pesa mais no social. Faço as mesmas coisas com a bike do que quando tinha 20 anos, mas algumas pessoas te jogam para baixo. Tem horas que eu me pergunto se estou velho mesmo”, afirma. “Mas fui um atleta pro a vida inteira e quando digo que vou parar é como se tivesse morrido.”

Ravelli foi tema de um recente documentário do Bike.tv.br, que repassa sua trajetória e conta com a participação de bikers e amigos. Confira:
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