Reportagem investigativa comprova doping mecânico em duas corridas

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Reportagem investigativa comprova doping mecânico em duas corridas

Repórteres comprovam que 7 ciclistas usaram motores escondidos na Strade Bianche e na Coppi e Bartali

Imagem usada na reportagem

Repórteres usaram detector de calor disfarçado de máquina fotográfica

Do Bikemagazine
Foto de divulgação

O canal francês de televisão Stade 2 e o jornal italiano Corriere Della Sera confirmaram neste domingo (17 de abril) que sete ciclistas usaram bicicletas equipadas com motores elétricos nas corridas Strade Bianche e Coppi e Bartali. A afirmação é dos repórteres Thierry Vildary e Marco Bonarrigo, que conduziram uma investigação particular nas provas italianas usando um sofisticado sistema de detecção de calor disfarçado de câmera fotográfica. Os nomes dos atletas não foram revelados.

Neste domingo, a TV francesa exibiu um documentário de 20 minutos e o jornal italiano publicou uma matéria de duas páginas com a reportagem. De acordo com Vildary e Bonarrigo, cinco bicicletas tinham o motor escondido no seat tube (tubo vertical) e duas traziam o motor no cubo traseiro.

A dupla de jornalistas procurou o engenheiro húngaro Istvan Varjas, apontado por muitos especialistas como um dos inventores das bicicletas de corrida com motores elétricos ocultos. Varjas mostrou aos repórteres as primeiras versões desses motores e admitiu que o sistema vem sendo usado desde 1998 e que o equipamento funciona melhor com alta cadência de pedalada.

Os micromotores elétricos atuais são muito leves, com apenas 5cm de comprimento e potência regulável que entrega até 250 Watts.

E o doping mecânico não para de evoluir. Além dos motores elétricos, é possível turbinar uma bicicleta com rodas magnéticas que funcionam com potentes placas com ímãs de néodmio que produzem até 60 Watts de potência e ficam escondidos entre as paredes dos aros de carbono. De acordo com o Corriere Della Sera, rodas com essa potência são capazes de transformar um ciclista mediano num fenômeno.

O dispositivo magnético nas rodas é controlado por Bluetooth, por exemplo, no relógio de pulso do ciclista, e só é detectado por meio de um poderoso detector de campo magnético. O preço desse equipamento é para poucos: nada menos que 50 mil euros, o equivalente ao preço de um bom e veloz carro esportivo.

A UCI aprovou um série de regras para coibir o uso desse tipo de fraude e tem feito verificações regulares em bicicletas nas principais provas do calendário. Entre essas medidas, está o uso do famoso “tablet azul”, um aplicativo instalado num tablet e detecta campos magnéticos. Muitos especialistas, entretanto, alegam que o equipamento é ineficaz em muitos casos para revelar a existência de doping mecânico.

Em janeiro, a UCI encontrou pela primeira vez um  motor escondido em uma bike no Mundial de Ciclocross. Veja aqui

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CASO CANCELLARA
Em 2010 o  suíço Fabian Cancellara – medalhista de ouro na crono e de prata na estrada nos Jogos Olímpicos de Pequim e tetracampeão do mundo de contrarrelógio individual – envolveu-se em uma polêmica sobre o uso do doping tecnológico. A denúncia de que estava usando uma bicicleta com motor embutido foi publicada pelo  jornal italiano Gazzetta Dello Sport. Nas imagens da RAI feitas durante a Paris-Roubaix e o Tour de Flandres daquele ano é possível ver o atleta acionar um botão na bike e aumentar repentinamente a velocidade. Veja aqui

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