UCI revela detalhes do equipamento que flagra doping mecânico

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UCI revela detalhes do equipamento que flagra doping mecânico

União Ciclística Internacional reúne imprensa para mostrar como a tecnologia está sendo usada para combater a trapaça; entidade diz que fez centenas de testes-surpresa em diversas competições

UCI reuniu a imprensa para apresentar tecnologia contra doping mecânico

UCI reuniu a imprensa para apresentar tecnologia contra doping mecânico

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação/UCI

Quatro dias depois de emitir um comunicado em que reitera seu compromisso contra o doping mecânico, a UCI reuniu alguns veículos de imprensa especializada em seu quartel-general, em Aiglé, na Suíça, para mostrar como a entidade máxima do ciclismo mundial vem combatendo este tipo de trapaça. Segundo a UCI, foram realizados centenas de verificações em busca de motores elétricos.

Foram 274 checagens no campeonato mundial de pista, em Londres, 216 no Tour de Flanders, 232 na Paris-Roubaix, 172 na categoria sub-23 da Liége-Bastogne-Liége, 164 na prova feminina Trofeo Alfredo Binda e mais de 507 verificações de surpresa no Tour da Romandia.

Jornalistas acompanham encontro em Aigle, na Suíça

Jornalistas acompanham encontro em Aigle, na Suíça

No encontro com a imprensa, o gerente técnico Mark Barfield e o presidente presidente da UCI Brian Cookson mostraram o equipamento usado pela entidade na busca de tecnologias proibidas. Os scanners na realidade são Mini Ipads com um case, um adaptador e um software especialmente desenvolvido para localizar campos magnéticos. Se o scanner encontrar alguma suspeita, a bike é levada para ser desmontada pelos fiscais UCI.

Na demonstração, o equipamento se mostrou eficiente para localizar um motor escondido numa bicicleta da marca Typhoon, com quadro de carbono.

Segundo Barfield, a UCI não usa detectores de calor – como fizeram os repórteres do canal Stade 2 e Corriere Della Sera – pois bastaria um bom isolamento térmico para enganar os sensores de calor e, fora isso, sensores térmicos só detectam motores se estiverem ainda quentes pelo uso.

Outras formas de detecção de motores escondidos seriam as máquinas de raio X, que são muito grandes e de logística complicada para se transportar, e também o ultrassom, que é ineficiente por conta da variedade de densidades e de materiais dos quadros, que exigiriam calibragens bike por bike.

O scanner usado pela UCI cria um campo magnético e o tablet detecta se há alguma interrupção neste campo magnético, que pode estar vindo de um motor, ímã ou algum objeto sólido, como uma bateria, por exemplo. Outra vantagem de usar o tablet, segundo a UCI é a facilidade de seu uso e a possibilidade de se verificar uma grande quantidade de bicicletas num curto período de tempo. Antes de entrar oficialmente em uso, o tablet foi amplamente testado em 2015.

“Nos últimos dois  anos fizemos investimentos consideráveis de recursos da UCI para encontrar métodos para testar fraudes tecnológicas que fossem flexíveis, confiáveis, efetivas, rápidas e fáceis de usar.  Consultamos experts de várias especialidades profissionais – universidades, engenheiros mecânicos, eletrônicos, de software e até físicos – e trabalhamos com a melhor tecnologia disponível. Nossa habilidade e credibilidade em testar tantas bikes transformou nosso trabalho nesta área e vamos continuar a testar amplamente em todas as disciplinas para assegurar que todo mundo que tentar trapacear dessa forma será pego”, declarou Brian Cookson.

Em janeiro, a UCI encontrou pela primeira vez um  motor escondido em uma bike no Mundial de Ciclocross. Veja aqui

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