Entrevista: Marcelo “Mixirica” no domínio das longas distâncias

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Entrevista: Marcelo “Mixirica” no domínio das longas distâncias

Brasileiro que ficou em 3º lugar na prova mais longa do mundo, a Trans-Siberian Extreme, com mais de 9 mil km de percurso, revê sua trajetória e sonha com o Race Across America

Marcelo Florentino Soares, o "Mxirica", no Shimano Fest Foto: Dani Prandi

Marcelo Florentino Soares, o “Mixirica”, no Shimano Fest Foto: Dani Prandi

Dani Prandi / Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

A entrevista mal começou e um fã de Marcelo Florentino Soares interrompe para dar os parabéns. Por onde anda, o ciclista de 44 anos, mais conhecido pelo apelido de “Mixirica”, recebe cumprimentos entusiasmados. Entre uma selfie e outra, no meio do agito do Shimano Fest, em São Paulo, no final de setembro, a reportagem do Bikemagazine conversou com o ciclista, que entra para a história como o primeiro brasileiro a completar a prova por etapas mais longa do mundo, a Red Bull Trans-Siberian Extreme.

O brasileiro não só completou como conquistou o terceiro lugar na disputa entre Moscou a Vladivostok, entre os dias 5 a 28 de julho, com 9.287 quilômetros de percurso. Na categoria solo, largaram, além do brasileiro, o russo Alexei Shchebelin (o vencedor), os austríacos Andreas Fuchs e Eduard Fuchs (segundo colocado), o francês Pascal Pich e o tailandês Pwinn Rujikietkhomjron.

O brasileiro na disputa Foto: © Denis Klero/Red Bull Content Pool

O brasileiro na disputa Foto: © Denis Klero/Red Bull Content Pool

Na largada em Moscou Foto: Red Bull

Na largada em Moscou Foto: © Denis Klero/Red Bull Content Pool

Quando criança, “Mixirica” conta que gostava de fugir de casa de bicicleta. “Mas comecei no ciclismo tarde, com 18 anos.” O apelido veio da turma da bike porque levava mexericas no bolso para se alimentar durante as provas. Logo tomou gosto pelas longas distâncias. Disputou o Audax, pedalou de São Paulo até Florianópolis, e, em outra ocasião, até o Rio de Janeiro. E, assim, se divertia.

No ano passado, quando um amigo o desafiou, percorreu os 10.345 quilômetros que separam o Monte Caburaí, o ponto mais extremo no Norte do Brasil, até Chuí, o ponto mais extremo no Sul. “Saí dia 8 de janeiro e terminei dia 5 de março. Fiz em 57 dias e bati o recorde anterior, que era de 79 dias”, destaca.

No pódio Foto: Red Bull Content Pool

No pódio final Foto: © Denis Klero/Red Bull Content Pool

“Mixirica”, então, começou a sonhar em disputar provas de ultraciclismo renomadas, como a Race Across America, nos Estados Unidos. Mas a oportunidade de estar na Trans-Siberian Extreme, na longínqua Rússia, veio antes. “Recebi o convite e consegui embarcar depois que a família e os amigos fizeram uma vaquinha e pagaram a passagem”, conta. A prova acompanha a lendária rota ferroviária Transiberiana, na Rússia, que passa pelas fronteiras da Mongólia e da China.

Os participantes, ou por que não dizer, heróis, largaram no dia 5 de julho e terminaram o desafio no dia 29 de julho. Apesar dos belos e inóspitos cenários, o brasileiro garante que não viu “nada”. “É tudo muito extremo.”

No percurso da prova mais longa do mundo, na Rússia Foto: Red Bull Content Pool

No percurso pela Rússia Foto: © Denis Klero/Red Bull Content Pool

Em uma das etapas, recorda, o ritmo estava tão intenso que ele resolveu pedir para o ciclista da ponta ir mais devagar. “Eu fui até ele e falei slow, slow, mas ele entendeu que estava indo muito devagar e acelerou ainda mais”, diverte-se.

Quando “Mixirica” chegou à Rússia, a organização da prova viu que ele precisava de roupas e equipamentos adequados para enfrentar o frio e a maratona. E forneceram tudo. O uniforme, aliás, bancado por uma rede de hotéis, era o mesmo que o brasileiro usava no Shimano Fest. “Só tenho esse”, diz, na maior simplicidade. “Quando fui para a corrida tinha inscrição, hotel e alimentação pagos. Os russos me ajudaram muito, sou muito agradecido. Para você ter uma ideia, viajei com 50 reais e voltei com os 50 reais”, conta.

Agora, seu objetivo é conseguir apoio para disputar o Race Across America, nos Estados Unidos, no ano que vem. “Mas estou na mesma situação, sempre buscando patrocínio”, diz.

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