Funvic cria força-tarefa contra o doping e mantém plano para 2017

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Funvic cria força-tarefa contra o doping e mantém plano para 2017

A exemplo de outras equipes mundo afora que sobreviveram a casos de doping, a Funvic vai seguir as orientações da UCI e montar grupo com médicos e especialistas

Funvic no Brasileiro de Ciclismo em Santa Catarina

Funvic no Brasileiro de Ciclismo em Santa Catarina

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

A exemplo de outras equipes mundo afora que sobreviveram a casos de doping, a Funvic vai seguir as orientações da UCI (União Ciclística Internacional) para continuar no pelotão em 2017. Segundo o manager e criador da equipe Funvic, Benedito Tadeu Azevedo Junior, o Kid, a luta contra o doping será intensificada, com uma força-tarefa para cercear qualquer tentativa de burlar as regras. “Somos a única equipe brasileira com passaporte biológico e isso não foi suficiente para barrar o doping. Vamos montar um grupo de trabalho como é feito nas equipes de fora, com dois médicos, um fisiologista especialista para analisar os dados de Watts x potência e um psicólogo”, conta Kid ao Bikemagazine.

Um dos médicos, explica o manager, terá a função de orientar o que um atleta pode ou não tomar em eventuais tratamentos de saúde e o outro vai analisar e acompanhar os números do passaporte biológico. Já o especialista em fisiologia vai atuar como um analista de dados, sempre em busca de irregularidades nos números. O psicólogo, por sua vez, agirá na orientação, acompanhamento e na elaboração do perfil de cada um dos atletas. “É importante saber o que se passa na cabeça do ciclista”, destaca Kid.

No dia 17 de novembro, a UCI confirmou que os exames do brasileiro João Marcelo Gaspar e do colombiano Ramiro Rincon realizados no dia 27 de julho, no prólogo da Volta a Portugal, acusaram o uso de CERA, um agente estimulante com efeito semelhante ao do EPO. De acordo com a legislação, os ciclistas foram suspensos e, no mesmo dia, a Funvic confirmou que os ciclistas foram desligados da equipe.

Esse foi o terceiro caso de doping na Funvic nesta temporada, em seu primeiro ano com a licença Profissional Continental, a segunda mais importante do ciclismo, atrás apenas do World Tour. Em 8 de agosto, Kleber Ramos, que representou o Brasil na prova de estrada dos Jogos Rio 2016, foi notificado de que havia sido pego em exame antidoping em amostras coletadas em testes fora de competição em 31 de julho e 4 de agosto também pelo uso de CERA.

Segundo o artigo 7.12.1 das Regras Antidoping, com três casos de doping em uma mesma temporada, a equipe pode receber também uma penalização, como a suspensão de participações em competições internacionais em um período que pode varias de 15 dias a 12 meses. Mas, segundo a UCI, o caso da Funvic ainda será levado para a Comissão Disciplinar, que “tomará a decisão oportunamente”. Leia as regras aqui

Para Kid, é importante deixar claro que os ciclistas pegos no doping agiram por conta própria. “Os atletas assumiram seus atos e serão punidos, mas a equipe não tem culpa, apesar deles terem prejudicado o projeto e os outros companheiros”. O manager da Funvic destaca que os planos para a temporada 2017 continuam e que pretende buscar cada vez mais jovens talentos para integrar a equipe. “Este é o caminho a longo prazo.”

Após os casos, duas parceiras da Funvic, a Soul Cycles e a Shimano, anunciaram o fim do apoio.