Pai do doping mecânico diz que já vendeu motor para bike por US$ 2mi

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Pai do doping mecânico diz que já vendeu motor para bike por US$ 2mi

Programa de TV dos EUA entrevista Istvan Varjas, o homem por trás dos motores que podem ter sido usados no pelotão profissional

Istvan Vargas Foto: lemonade.fr

O engenheiro e ex-ciclista Istvan Varjas Foto: lemonade.fr

Marcos Adami / Do Bikemagazine
Foto de divulgação

 ​Neste domingo (29 de janeiro), a rede de  televisão norte-americana CBS apresenta no programa semanal “60 Minutes” uma reportagem sobre os motores elétricos escondidos em bikes do pelotão profissional. O  repórter Bill Whitaker foi a Budapeste, na Hungria, e entrevistou o engenheiro e ex-ciclista Istvan Varjas, tido como pioneiro e inventor dos pequenos motores elétricos que vão embutidos no interior do quadro. Estes motores existem desde 1998 e, segundo Varjas, ele vendeu um deles para um comprador anônimo por US$ 2 milhões sob a condição de manter o silêncio e não vender outros motores por um período de 10 anos.

Na reportagem, quando Varjas é perguntado se ele acredita que motores como o dele foram utilizados em corridas oficiais UCI a resposta é simplesmente “sim”. Mas ele diz não ter culpa que seu produto seja usado ilegalmente por profissionais. “Se um senhor vem aqui e compra meu produto e presenteia o seu neto que é ciclista, não é minha culpa”, defende-se.

A sinceridade de Varjas vai ainda mais longe. Whitaker pergunta se ele venderia uma bike com motor para algum profissional que avisou que quer o produto para trapacear. No meio de uma gargalhada, o engenheiro responde: “Se a grana é boa, por que não?”

Modelo de alta performance da EPowers com motor elétrico de fábrica "invisível e silencioso"

Modelo de alta performance da EPowers com motor elétrico de fábrica “invisível e silencioso”

Varjas é proprietário da empresa EPowerS Bike (www.epowers.bike), que produz bicicletas de alta performance que já saem de fábrica com o motor embutido no quadro “invisível e silencioso”, conforme anuncia o slogan na webpage.

Na loja de Varjas, em Budapeste, o repórter Whitaker é apresentado a toda linha de motores da empresa e vê de perto como o motor pode ser acionado por um botãozinho escondido. Nos modelos mais recentes, o motor pode entrar em ação de forma totalmente automática, de acordo com o batimento cardíaco do ciclista.

As primeiras denúncias sobre uso de motores escondidos apareceram em 2010, com suspeitas que recaíram sobre o suíço Fabian Cancellara. As suspeitas desde então só cresceram a ponto da UCI passar a monitorar com máquinas de raio X as principais corridas do calendário, incluindo as grandes voltas.

A  comprovação finalmente veio no Mundial de Ciclocross de 2016, quando a UCI flagrou na Bélgica a bike da atleta Femke Van den Driessche com um motor escondido no quadro. Tal e qual se desconfiava.  Veja aqui

O programa “60 Minutes” vai ao ar neste domingo, dia 29, na rede CBC, nos Estados Unidos.

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CASO CANCELLARA
Em 2010 o  suíço Fabian Cancellara envolveu-se em uma polêmica sobre o uso do doping tecnológico. A denúncia de que estava usando uma bicicleta com motor embutido foi publicada pelo  jornal italiano Gazzetta Dello Sport. Nas imagens da RAI feitas durante a Paris-Roubaix e o Tour de Flandres daquele ano é possível ver o atleta acionar um botão na bike e aumentar repentinamente a velocidade. Veja aqui

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