Seis meses depois, Kleber Ramos desabafa: Fui pego no doping, justo

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Seis meses depois, Kleber Ramos desabafa: Fui pego no doping, justo

Em depoimento postado nas redes sociais, ciclista paraibano diz que "dói como se tivesse sido ontem" e que errou ao assumir a "responsabilidade de fazer algo ilegal"

O paraibano Kleber Ramos, o "Bozó", estreia em Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro

O paraibano Kleber Ramos, o “Bozó”, pego em exame de doping nos Jogos Rio 2016

Do Bikemagazine
Foto de arquivo

Seis meses após ser pego no doping nos Jogos Rio-2016, o ciclista Kleber Ramos postou um texto em sua página no Facebook no qual diz que “dói como se tivesse sido ontem”. Ex-integrante da equipe Funvic, o ciclista paraibano de 30 anos, que representou o Brasil na prova do ciclismo de estrada, foi pego em exame surpresa que constatou uso da substância CERA, um agente estimulante com efeito semelhante ao do EPO. Leia aqui

CONFIRA O DEPOIMENTO

“Iniciei no ciclismo ainda criança, fui morar em São Paulo aos 14 anos. Perdi tudo que envolve uma vida social “normal”. Saídas com amigos durante adolescência, Natal e Réveillon em família. Fui pai e perdi de acompanhar várias fases importantes na vida do meu filho como a primeira palavra, os primeiros passos, apresentações dele na escola…

Não me arrependo de nenhum sacrifício, de nenhuma renúncia.

Longos treinos, muito sofrimento com chuva ou sol nas estradas, dores por todo o corpo, mas sempre, sempre muito dedicado.

Tive muitos desafios ao longo da minha vida como atleta… em 2012 foi o período em que enfrentei dois sérios problemas de saúde, um problema de joelho que me fez pensar que não iria conseguir continuar seguindo como profissional, além de uma cirurgia de catarata no olho. Mesmo com minha saúde comprometida, consegui me reerguer e ser campeão do Tour do Rio nesse mesmo ano. Sempre estive entre os melhores no ciclismo brasileiro, e cada lembrança, cada foto ou comentário sobre minha história me traz muita emoção… Quando fui convocado para as Olimpíadas mal podia acreditar, é o sonho de todo atleta, é o topo mais alto do esporte…

Era um orgulho pra mim, minha família e os amigos que torciam por mim. Eu, como muitos atletas, na ansiedade e pressão sofrida por todos acabei por fazer uso de uma substância ilegal no período da preparação para os jogos. Fui pego no doping, justo.

Além da dor que me corrói todos os dias ao ir dormir e ao acordar por lembrar que não sou mais um ciclista profissional, encerrei minha carreira muito antes do tempo, decepcionei muitas pessoas. Além disso, preciso lidar com a hipocrisia de muitos que conviveram comigo, dirigentes que me ignoraram, mensagens carregadas de ódio, xenofobia, desprezo…

Já se passaram seis meses, e me dói como se tivesse sido ontem. Se eu pudesse voltar no tempo, não posso dizer que teria feito diferente, porque não é assim que o ciclismo profissional tem funcionado… Infelizmente somos contaminados com todo tipo de informação e incentivo que nem sempre são positivos. Só posso pensar no hoje por diante… Fazer melhor, ser melhor, assumir que errei. Errei quando assumi a responsabilidade de fazer algo ilegal, errei quando lá atrás não segui firme no verdadeiro valor que o esporte tem a oferecer.

O esporte deve unir as pessoas, formar cidadãos melhores, precisa ultrapassar a intenção mercadológica, e para isso, é preciso cuidar e orientar daqueles que estão iniciando.

Agradeço aos que verdadeiramente me deram palavras de conforto, incentivo, que verdadeiramente não me abandonaram.

Principalmente, agradeço a minha família.

Eu não escolhi o ciclismo, o ciclismo me escolheu… Se tornou uma extensão do meu eu…

Não sou mais um atleta profissional, mas sou um eterno ciclista, não é por escolha, mas assim como o ar que respiro, é uma necessidade.”