Paris-Roubaix: entrevista com John Degenkolb, vencedor de 2015

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Paris-Roubaix: entrevista com John Degenkolb, vencedor de 2015

Alemão que ficou de fora no ano passado após ser atropelado em treino retorna como favorito e relembra a emoção da disputa e a dureza do percurso: "Tudo tem ser perfeito para vencer"

Degenkolb na largada do Tour de Flanders Foto: Kristof Ramon

Degenkolb na largada do Tour de Flanders Foto: Kristof Ramon

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O campeão da edição 2015 da Paris-Roubaix, o alemão John Degenkolb (Trek-Segafredo), ficou de fora o ano passado por causa de um acidente durante um treinamento na estrada. Degenkolb foi o segundo alemão a vencer na história da Paris-Roubaix. Antes dele, a única vitória alemã foi com Josef Fischer, na primeira edição da corrida, em 1896.

Plenamente recuperado, o ciclista chega apontado como um dos favoritos ao pódio no próximo domingo (9 de abril). A temporada tem sido boa e, em 2017, foi sétimo colocado na Milão-São Remo e no Tour de Flandres.

Degenkolb comemora a histórica vitória da paris-Roubaix 2015

Degenkolb comemora a histórica vitória da Paris-Roubaix de 2015

Que imagens vem na sua cabeça quando você pensa na Paris-Roubaix e, claro, quando pensa na vitória de 2015?
Toda experiência é única. Mas no momento quando você cruza a linha de chegada, sabendo que você ganhou a corrida e poder desfrutar desta alegria… Este é um contraste em relação a outras corridas, que quando acabam, você é engolido pelos fotógrafos. No velódromo você não é incomodado. Quando subi no pódio e chamaram a equipe completa para se juntar a mim foi inesquecível. Sempre olho essa foto em minha casa. Foi o maior dia de minha carreira. As emoções são realmente especiais. Só de falar arrepia. É algo bem particular que nunca vou me esquecer e me motiva para estar entre os líderes neste domingo.

O que a corrida significa exatamente para você?
É uma das mais duras corridas do ano. Andamos sobre tantos trechos com paralelepípedos e superamos tantas dificuldades que é uma corrida incomparável. E os últimos metros no velódromo de Roubaix são únicos. Quando pedalamos sobre os paralelepípedos, alguns que são parte do percurso desde o começo do evento, significa que estamos pedalando em estradas com mais de 120 anos de história. Eu não tenho um trecho favorito, mas quando passamos pelo “*Carrefour de l’Arbre” liderando, você realmente tem a impressão de que o termo “Inferno do Norte” é perfeito para a corrida.
*Um conhecido entroncamento a cerca de 10km da chegada e já no final do calçamento de pedras. Ali, há uma grande árvore e uma parada para descanso, com um bar e restaurante.

Foi doloroso não poder defender o título no ano passado?
Ficou logo claro que eu não seria capaz de disputar as Clássicas. Mas quando as corridas começaram mais o fato de eu ter assistido todas as outras Clássicas, como a Milão-São Remo e o Tour de Flandres, eu consegui gostar em vez de me sentir deprimido. Eu assisti com amigos e conseguimos ver a corrida por uma perspectiva totalmente diferente. Não foi tão dolorido assim. Eu gostei, eu consegui ver mais detalhes do que se eu estivesse na corrida. Mas este ano, absolutamente ,eu quero correr!

Degenkolb é o 2º alemão a vencer em Roubaix, o primeiro foi em 1896 (!)

Degenkolb foi o 2º alemão a vencer em Roubaix, o primeiro título é de 1896

Você foi vice em 2014 e ganhou em 2015. Existe uma fórmula vencedora para a Paris-Roubaix?
Tudo tem ser perfeito para vencer. Logo de cara você tem que se manter frio e ter alguma sorte. Se tudo estiver funcionando direitinho e a equipe está bem, não há motivos para ter medo. Você simplesmente tem que tomar a frente das decisões, arriscar, atacar e se posicionar na frente da corrida. Muitos dizem que é difícil para um sprinter se meter com os caras especialistas nas Clássicas. De minha parte eu sempre tentei pedalar de uma maneira defensiva me poupando o máximo possível. Estou feliz por ter aprendido ao longo dos anos. Em 2015, houve um momento em que eu disse para mim mesmo que tínhamos que atacar, e funcionou.

Pode dar uma dica para um estreante na Paris-Roubaix?
A primeira coisa que você tem que perguntar para você mesmo é se a corrida serve para você. Quando eu era ainda uma jovem esperança, eu sempre participava do Tour de Flandres e nunca da Paris-Roubaix. A primeira vez, em 2011, eu senti que estava bem preparado. Eu achava que não seria tão difícil. Mas o treino no percurso foi um choque para mim. Eu nunca imaginei que seria tão difícil nos paralelepípedos. Eu acho que o mais importante é segurar o guidão bem firme. Apertar demais o guidão provoca bolhas nas mãos rapidinho.

VÍDEO


Interview John Degenkolb (EN) – Paris-Roubaix 2017 por tourdefrance

 

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