Bulgarelli é absolvido de acusação de doping: “Fiz justiça”

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Bulgarelli é absolvido de acusação de doping: “Fiz justiça”

Ciclista conta ao Bikemagazine como foi o desfecho do processo que o inocentou da acusação de manipulação de amostra em exame surpresa

Otávio Bulgarelli é um dos organizadores do GP Campinas Foto: Dani Prandi

O ciclista Otavio Bulgarelli Foto: Dani Prandi/Bikemagazine

Texto e foto: Bikemagazine

O ciclista Otavio Bulgarelli foi inocentado da acusação de manipulação de amostra de urina pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). A acusação, divulgada em março pela UCI, com informações da ABCD (Agência Brasileira de Controle de Dopagem), foi retirada durante jugamento em Curitiba (PR), no dia 26 de junho. “Tirei uma tonelada, fiz justiça, provei que eles estavam errados”, conta o ciclista em entrevista ao Bikemagazine.

“Quando fiquei sabendo que o exame apontava material misturado eu imediatamente contestei. Não tive nenhuma resposta e após três meses veio a intimação para o julgamento. Fiquei espantado, pois tinha direito a pedir a amostra B”, diz Bulgarelli.

No tribunal, o ciclista teve mais uma surpresa: “A advogada da ABCD (Agência Brasileira de Controle de Dopagem) afirmou que a amostra B já tinha sido aberta. Como então eu poderia provar? Fui considerado inocente por unanimidade”, completa o ciclista.

O caso aconteceu no ano passado, quando Bulgarelli ainda estava no pelotão da equipe Funvic, que integra a categoria Pro Continental e é obrigada a seguir regras rígidas de controle anti-doping. “Os ciclistas têm que informar onde estão uma hora por dia para os exames feitos de surpresa. Já tive essa rotina na Itália e no Canadá e aqui passei o horário das 6h às 7h. Um dia recebi a visita às 6h. O fiscal entrou, foi ao banheiro comigo, eu urinei, lacrei o material, assinei os documentos, um procedimento normal para quem é ciclista. Foi mais um entre muitos que já fiz”, relata.

No resultado, o exame apontou mistura de DNA. “Encontraram DNA de mulher na urina, provavelmente a contaminação aconteceu no laboratório, que já foi inclusive descredenciado”, continua o ciclista. “A informação foi passada pela UCI, que divulgou, mas em nenhum momento eu fui suspenso. Foi um caso atípico”, completa.

Bulgarelli, campeão brasileiro de 2014, que deixou o pelotão pro nesta temporada para atuar na equipe técnica da Funvic, diz que seu caso deve ser inédito no Brasil. “Um ciclista ser absolvido é um caso inédito. Poderia ter deixado essa história de lado, mas não teria justiça. Gastei dinheiro com o processo, com a viagem e hospedagem em Curitiba, e muito provavelmente vou processar a ABCD”, completa.