Dentro do pelotão da Bike Series no autódromo Velo Città

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Dentro do pelotão da Bike Series no autódromo Velo Città

Colunista do Bikemagazine, Gabriel Vargas encara o desafio e termina no pódio: "Alguns estavam lá para disputar, outros para completar e todos, sem dúvida, para curtir"

Gabriel Vargas/Especial para o Bikemagazine
Fotos de divulgação/SBorges

A prova com três horas de duração foi realizada no autódromo Velo Città, em Mogi-Guaçu, SP. A pista tem 3,5km de extensão, pista larga, impecavelmente limpa e com um asfalto que é o sonho de todo ciclista. Eram 400 participantes, entre solo, duplas, homens e mulheres. Alguns estavam lá para disputar, outros para completar e todos, sem dúvida, para curtir o evento, que realmente foi muito divertido e desafiador.

O competidor pode escolher entre várias categorias. Para os ciclistas solo, havia a Classe Sport (para não federados) com 10 categorias de idades divididas de cinco em cinco anos, tanto para homens quanto mulheres. A Classe Pro, para atletas federados, tinha oito categorias masculinas e três femininas. Havia também as duplas femininas, duplas masculinas, duplas mistas e PNE (Classe C).

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Disputa no autódromo em Mogi-Guaçu

Vista aérea da pista

Vista aérea da pista

O CIRCUITO
Ao contrário do ano passado, a edição 2017 percorreu o circuito no sentido horário. Logo, o percurso era novidade para todos. A pista inicia em uma reta larga, exposta a um forte vento contra. Algumas curvas após a reta, há uma subidinha dura de 500 metros com uns 7% de inclinação, seguida por um breve falso plano e uma descida técnica com quatro curvas – as duas últimas deram um baita susto em muita gente! Mais algumas curvas em falso plano e novamente estamos na reta principal – e de cara para o vento.

A organização instalou tendas de apoio em ambos os lados da pista nesta reta, onde estavam distribuindo garrafinhas de água gelada com isotônico, uma bênção! Além disso, havia apoio mecânico nos boxes, frutas, uma variedade de pequenos alimentos e até recovery drinks após a prova.

O circuito de 3,5 inclui uma subida exigente e uma descida técnica com curvas velozes

O circuito de 3,5 inclui uma subida exigente e uma descida técnica com curvas velozes

FRIO E VENTO

Ciclistas alinhados para a largada no pit-lane

Ciclistas alinhados para a largada no pit-lane

Cheguei ao Velo Cittá com tempo de sobra para estacionar, encontrar alguns amigos, retirar os kits e armar o rolo para aquecer. Apesar da manhã de céu azul e sol brilhante, estava frio e o Garmin marcava 15 graus, com um vento gelado vindo da paisagem rural que rodeia o autódromo.

Enquanto aquecia no rolo escondido do vento atrás do carro (fica a dica), o dorsal era alfinetado na parte de trás da camisa e o chip instalado no garfo. Depois de três tradicionais visitas ao banheiro, seis sachês de gel de carboidrato nos bolsos e duas caramanholas cheias nos suportes, chegou a hora de alinhar para a largada.

Enquanto todos tremiam de frio no pit-lane – a pista que passa pelos boxes – o locutor do evento passava o briefing, explicando alguns procedimentos e destacando importantes detalhes de segurança sobre a pista e como agir ao ultrapassar ou ser ultrapassado por ciclistas que estavam em voltas diferentes. Partimos às 8h para uma volta neutralizada atrás do carro-madrinha, o que foi excelente para a segurança: pudemos percorrer a pista em velocidade controlada e já separar os mais afoitos dos mais tranquilos. O carro foi para os boxes na reta e foi dada a bandeirada de largada em movimento.

BUSCA PELO PÓDIO
Meu objetivo era subir no pódio em minha categoria e isso significa que não havia tempo para distrações: como estava na metade do pelotão, precisei me deslocar pelas laterais até conseguir me posicionar onde eu conseguia ver a ponta. Como sempre, as primeiras voltas tiveram ritmo forte e chegamos a manter a média de 37km/h por algum tempo, o que era bastante para as características do percurso.

Na terceira ou quarta volta, os ponteiros atacaram na subida e o pelotão quebrou. Havia um grupo com os seis atletas mais fortes, incluindo Francisco Chamorro e Otávio Bulgarelli (profissionais da Funvic); um segundo grupo com uns 20 ciclistas e um terceiro grupo com aproximadamente 30 ciclistas, no qual eu estava presente. Os demais 350 ciclistas estavam espalhados em ritmos variados e em outros pequenos grupos ao longo da pista.

Volta após volta, conseguimos minar as forças de vários ciclistas do nosso grupo forçando o ritmo na subida e depois descendo o mais rápido possível. Nosso pelotão foi reduzindo ao longo da prova e entramos na última meia hora com apenas seis ou sete ciclistas no nosso grupo. Enquanto isso, minha esposa avisava, da grade dos boxes, que a cronometragem em tempo real indicava que eu estava ao redor da vigésima colocação geral.

Chegamos a levar uma volta de vantagem do grupo dos líderes, que passaram trovejando na subida. Mas logo depois eles reduziram o ritmo e pudemos andar juntos por um tempo, o que ajudou a poupar as energias, mas aumentou a sensação de ansiedade por ataques. Quando eles dispararam para as últimas voltas, restaram apenas 2 ciclistas comigo, e já estávamos nos arrastando pela pista na volta final. Claro, arranjamos alguma energia para bater um sprint. Terminei em terceiro em minha categoria e ainda emplaquei um top 20! Ao fim, foram 29 voltas, uma menos que o vencedor, totalizando 98 quilômetros e 1.600 metros de ascensão.

O pódio da minha categoria; eu em terceiro

Gabriel Vargas no pódio da sua categoria, na 3ª colocação

IMPRESSÕES

Uma das vantagens de correr em autódromo é a estrutura e o conforto

Uma das vantagens de correr em autódromo é a estrutura e o conforto

Acostumado a correr provas de circuito em ruas, condomínios e parques industriais, a prova no autódromo foi espetacular. Quem buscava disputa e um bom pega encontrou um ótimo nível competitivo em um local mais do que adequado. Quem tinha como objetivo o desafio de completar as 3 horas e superar o percurso duro, independentemente de classificação, certamente teve uma experiência divertida e desafiadora.

Além de toda a estrutura de apoio ao atleta entregue pela organização, os amigos e familiares que acompanharam os ciclistas puderam desfrutar da excelente e confortável estrutura do autódromo, com paddock amplo e cheio de atrações, vista de praticamente todo o circuito e classificação em tempo real nos painéis digitais.

A inscrição não é exatamente barata, mas também não chega a ser surreal como alguns outros eventos que estão sendo realizados pelo Brasil. De toda forma, o que é cobrado pelo Bike Series é perfeitamente justificado pelo nível de conforto, segurança, praticidade e organização, com estacionamento orientado, estrutura de suporte aos atletas e conveniências para os acompanhantes, resgate, fiscais e fotógrafos posicionados em toda a pista etc.

A próxima etapa do Bike Series será no dia 25 de novembro, no autódromo Capuava, em Indaiatuba, SP.

Mais informações no sites www.bikeseries.com.br e www.autodromovelocitta.com.br

Gabriel Vargas representou o Bikemagazine a convite da organização

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