UCI suspende Isabella Lacerda e Nunes Montoya por quatro anos

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UCI suspende Isabella Lacerda e Nunes Montoya por quatro anos

Tribunal Anti-Doping confirma as suspensões dos dois atletas do mountain bike nacional; Isabella Lacerda, campeã brasileira de 2015, só poderá voltar às competições em 2021

Isabella Lacerda, campeão brasileira de XCO de 2015, está suspensa pela UCI

Isabella Lacerda, campeã brasileira de XCO de 2015, está suspensa pela UCI

Do Bikemagazine
Foto de divulgação

Dois atletas do mountain bike brasileiro estão suspensos pela UCI (União Ciclística Internacional) por violação das regras anti-doping: Isabella Moreira Lacerda e Josemberg Nunes Pinho, o “Montoya”. Ambos terão de cumprir quatro anos de suspensão, de acordo com decisão do Tribunal Anti-Doping publicada dia 18 de agosto. (veja aqui).

Isabella Lacerda, campeã brasileira de XCO em 2015, estava provisoriamente suspensa desde o dia 25 de janeiro por causa de alterações no passaporte biológico. A atleta contou que, antes da suspensão, foi contatada por um comissário da UCI, que pediu seu histórico médico para verificar a causa das alterações constatadas em seus exames.

Depois de algum tempo de análise por um especialista da entidade, a atleta recebeu uma carta informado que estava suspensa. Em sua defesa, Isabella Lacerda destaca que teve dengue, tomou antibióticos e fez um treinamento com tenda de altitude. A brasileira recorreu, mas a decisão da UCI foi pela suspensão. A atleta só poderá voltar a competir em 2021.

Já Josemberg Nunes Pinho, que foi suspenso por uso de esteroides anabólicos durante teste feito na ultramaratona Brasil Ride de 2015, já estava cumprindo suspensão e poderá voltar às competição em 2019. O brasileiro foi testado na 5ª etapa da Brasil Ride, no mesmo dia em que abandonou a disputa.

NOTA DE ESCLARECIMENTO
Isabella Lacerda publicou a seguinte nota de esclarecimento após a decisão da UCI:

“Venho travando uma batalha com a UCI durante todo o processo administrativo instaurado por ela, mas nessa sexta-feira, 18 de agosto, meu nome foi incluído na lista de suspensões me impedindo de competir.

Durante todo o processo, forneci todas as provas da minha inocência, com atestados médicos e provas robustas, mas a UCI não levou nada em conta, mas com base em uma hipótese acadêmica, fornecida por seus subordinados, condena-me sumariamente com base em suposições. Todos os direitos humanos são desrespeitados pela instituição. A UCI elabora a norma, ela mesma procede o andamento processual e ela mesma julga com base no seu livre arbítrio, ou seja, não há defesa, mas sim uma mera representação de oportunidade de defesa, sendo que a condenação já está prevista e imodificável, porém ainda posso entrar no Tribunal Arbitral Internacional, mas tenho que arcar com todos os custos extraordinários com advogados e peritos, os quais não tenho como fazer.

Assim, a UCI acaba com o que se conhece de princípio da presunção da inocência. Se quiser, gaste o que você tem e o que não tem, e vai buscar uma defesa no TPI (tribunal já citado). E mais, não sou uma exceção, a música é essa, sofre o atleta que não tem uma base financeira forte. Fica aqui a minha indignação, com o tratamento negligenciado por parte das instituições, que, em tese, deveriam fomentar o esporte, mas parece que só querem punir com olhos vendados, sem o mínimo de pudor.

Durante todo o ciclo olímpico fui a única atleta do MTB feminino testada fora das pistas, onde preenchia todo trimestre, o endereço de onde estava, onde dormiria e um horário para que pudessem me encontrar nesse local para caso quisessem realizar um exame antidoping, e assim, todos meus exames foram NEGATIVOS para qualquer substância.

Quem acompanha minha carreira presenciou como foi complicado os dois últimos anos. Sofri uma queda forte nos EUA batendo a cabeça e o peito no chão que gerou um edema no osso esterno e precisei ficar afastada dos treinos e competições por 20 dias. Fiquei doente várias vezes precisando ser medicada e para completar e piorar ainda fui contaminada pelo vírus da dengue.

Eu não era a líder da seletiva olímpica, também não era a atual campeã brasileira e não estava ganhando quase nenhuma prova devido a tantos problemas de saúde. Precisei abandonar competições por não conseguir sequer pedalar, perdendo também a chance de ir para as Olimpíadas.

Fico de um lado, triste pelo tratamento desrespeitoso, mas, em um país que não há educação, saúde, probidade e, acima de tudo, respeito, o que se pode esperar?! De outro lado, fico feliz pelo apoio que recebi de todos, isso não tem preço. Respeito é tudo.

Deus nunca falha, e é na justiça Dele que eu confio!

Seguimos. A luta nunca para, só um dia…”

 

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