Lance é acusado de ser o  1º a usar motor escondido na bike

HomeCaso Lance Armstrong

Lance é acusado de ser o 1º a usar motor escondido na bike

Segundo livro de jornalista francês, Lance Armstrong teria sido o comprador misterioso que pagou 2 milhões de dólares por invenção de engenheiro húngaro em 1998

Lance Armstrong nos tempos da US Postal Service

Do Bikemagazine
Fotos: arquivo e divulgação

O livro “Rouler plus vite que la mort” (Correr mais rápido que a morte), do jornalista francês Philippe Brunel (Grasset Edition), foi lançado nesta quarta-feira (10 de janeiro) com polêmica. No livro o autor afirma que Lance Armstrong teria sido o primeiro ciclista a usar doping mecânico e correr com um motor escondido na bike.

O livro do jornalista francês Philippe Brunel

Segundo reportagem do Le Monde, o autor afirma que o texano, que já foi banido do esporte por liderar um dos maiores esquemas de doping que já se teve notícia no esporte, é o “desconhecido” que teria comprado em 1998 a invenção do engenheiro húngaro Istvan Varjas, considerado o pai do doping mecânico.

No final de janeiro de 2017, a rede de televisão norte-americana CBS apresentou no programa semanal “60 Minutes” uma reportagem sobre os motores elétricos escondidos em bikes do pelotão profissional. O repórter Bill Whitaker foi a Budapeste, na Hungria, e entrevistou o engenheiro e ex-ciclista Istvan Varjas, tido como inventor dos pequenos motores elétricos que vão embutidos no interior do quadro, que ele fabrica desde 1998.

Na ocasião, Varjas contou que vendeu um dos motores para bike para um comprador anônimo por US$ 2 milhões sob a condição de manter o silêncio e não vender outros motores por um período de 10 anos. Agora, o jornalista diz que apurou que o comprador teria sido Lance Armstrong, que negou e ainda tratou a história na “brincadeira”.

As primeiras denúncias sobre uso de motores escondidos apareceram em 2010, com suspeitas que recaíram sobre o suíço Fabian Cancellara. As suspeitas desde então só cresceram a ponto da UCI passar a monitorar com máquinas de raio X as principais corridas do calendário, incluindo as grandes voltas.

A  comprovação finalmente veio no Mundial de Ciclocross de 2016, quando a UCI flagrou na Bélgica a bike da atleta Femke Van den Driessche com um motor escondido no quadro. Tal e qual se desconfiava.  Veja aqui

No final de dezembro, o jornal francês Le Canard enchaîné havia voltado ao tema com a notícia de que desde junho de 2017 investigadores especializados em infrações financeiras, sob a direção do Ministério Público, estavam apurando casos que desobedecem a lei francesa de fraude tecnológica e entre eles estava o doping mecânico.

LEIA TAMBÉM
Pai do doping mecânico diz que já vendeu motor para bike por US$ 2mi
Era tudo verdade: como a UCI encontrou o motor escondido
Motor elétrico em bike de estrada é realidade há dez anos
UCI checa bike de Hesjedal que girou sozinha após queda na Vuelta
Reportagem investigativa comprova doping mecânico em duas corridas

CASO CANCELLARA
Em 2010 o  suíço Fabian Cancellara envolveu-se em uma polêmica sobre o uso do doping tecnológico. A denúncia de que estava usando uma bicicleta com motor embutido foi publicada pelo  jornal italiano Gazzetta Dello Sport. Nas imagens da RAI feitas durante a Paris-Roubaix e o Tour de Flandres daquele ano é possível ver o atleta acionar um botão na bike e aumentar repentinamente a velocidade. Veja aqui