Confira bike-teste da Vela S, a e-bike mais leve do Brasil

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Confira bike-teste da Vela S, a e-bike mais leve do Brasil

Testamos a bicicleta elétrica com visual retrô que leva a bateria embutida no tubo de selim, de grande diâmetro; saiba como foi a performance

O visual clean e retrô da Vela S

Do Bikemagazine
Fotos de Gabriel Vargas

As bicicletas com assistência elétrica são um caminho sem volta. No mundo todo as e-bikes ganham terreno e no Brasil não é diferente. Tivemos a oportunidade de pedalar a Vela S, a bike elétrica mais leve do Brasil e que pesa menos de 20kg. A bike é produzida pela start up Vela Bikes (www.velabikes.com.br) com sede e fábrica em Pirituba, na Grande São Paulo. Vendida por R$ 4.390, o modelo S é o mais leve e mais acessível da marca, que tem ainda o modelo Vela 1, na versão masculina e feminina a R$ 5.590.

Detalhe do motor Maxus de 250W e o pinhão de 18 dentes

Na realidade, a bicicleta é praticamente toda importada. O quadro de cromo-molibdênio de liga CrMo 4130 vem de Taiwan, as células da bateria Panasonic vêm do Japão e o restante é da China. Segundo o fundador da empresa Victor Hugo, a bike está em um processo de nacionalização e os contatos com os fornecedores nacionais já está em andamento. No galpão em Pirituba é feita a montagem das rodas bem como a pintura eletrostática e o acabamento do quadro e a montagem das células da bateria e do sistema elétrico.

“O projeto da Vela tem uns 5 anos. Comecei no final da faculdade. Sempre andei de bike e fazia trilhas de mountain bike”, conta o engenheiro de produção de 28 anos formado pela FEI de São Bernardo do Campo.

A bateria fica oculta dentro do canote de grande diâmetro

A bateria vai embutida no tubo de selim, de grande diâmetro, e o canote – customizado no tamanho do cliente – mantém a bateria fixada em seu lugar.

O motor do modelo testado é um Maxus de 250 Watts, sem escovas, com engrenagem e redução de 5:1, fabricado na China e 2,6kg de peso. Além disso, o motor tem um sistema de roda livre que não segura a bike nas descidas. As novas versões da Vela S saem de fábrica com o motor de 350 Watts, que é o limite para o Brasil, de acordo com as normas do Contran.

A BIKE
A bicicleta foi apresentada na feira Brasil Cycle Fair, em setembro de 2017, e apesar de não ter vendas concretizadas no evento, a Vela agradou bastante e mais de 80 unidades foram vendidas em três meses pela internet e também pela loja física no número 1.302 da Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros.

“São pessoas em busca de modalidade. Alguns trocaram o carro pela nossa bike elétrica. A Vela é uma bike para mobilidade. O peso dela é interessante”, conta Victor.

Segundo a empresa, 90% das vendas foram para a cidade de São Paulo, e tiveram unidades comercializadas para o Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba. A bike pode ser adquirida também em alguns representantes no Sul, Sudeste, Brasília e em Fortaleza. Atualmente todos os modelos da Vela estão esgotados no site e há uma fila de espera para novas aquisições, com de entrega, segundo o site, entre 8 e 10 semanas.

A Vela S é equipada com um alarme comandado por um controle remoto codificado que lembra as chave de ignição de muitos automóveis. Basta apertar um botão para ligar a bike ou, quando se estaciona, aperta-se outro botão para ligar o alarme de movimento que é dispara ao menor movimento da bike.

A bicicleta vem com um kit bem interessante de ferramentas com uma bomba compacta, dois controles remotos, uma chave múltipla e uma chave de cromo vanadium 15×14 para os pedais. O manual não acompanha e deve ser baixado do site da empresa.

A bike de 19,5kg (dados do fabricante), o modelo S chama a atenção pela elegância do design e do visual retrô. Os detalhes em couro sintético no selim, nas manoplas e na caixa que protege a central elétrica e os pneus de cor clara dão um charme especial à bicicleta.

“A bike é bem enxuta, mas oferecemos vários acessórios em nosso site”, conta Victor. Descanso lateral, bagageiro traseiro e dianteiro, caixa de madeira, campainha e até um poncho para chuva são vendidos no site www.velabikes.com.br ou também por telefone.

São oferecidos cinco tamanhos e geometrias diferentes de quadro, com opções de tamanho 49cm e 51cm com quadro baixo, e 51cm, 55cm e 59cm no quadro reto. Para o quadro baixo, o tamanho 49cm está disponível com rodas aro 26 e o 51cm com rodas 700C. No quadro reto, o tamanho 51cm tem aros 26 e os tamanhos 55cm e 59cm tem rodas 700C.

NA CIDADE

O guidão estreito facilita no trânsito urbano mas afeta a dirigibilidade

Pedalar na cidade com a Vela é agradável. O guidão bem estreito (50cm) e lembra muito as bikes fixas usadas pelos bike couriers. Se o guidão estreito facilita a passagem pelo meio dos carros, um guidão mais largo deixaria a bike mais estável e fácil de conduzir.

“Oferecemos quatro tamanhos de guidão. Este guidão menor foi pensado para as pessoas que vão utilizar a bike no trânsito de São Paulo”, explica Victor, que já pedalou bikes fixas.

Detalhe do botão seletor de potência

Um pequeno botão seletor na manopla esquerda comanda o nível de potência do motor. Na posição inicial, o motor funciona a 50% da potência (no nosso caso, 125W), suficiente para levar a bike até uns 12 ou 15km/h. Na outra posição, o motor entrega toda a potência.

O pedivela de 175mm com coroa de 46 dentes

A bicicleta não tem marcha e a relação coroa 46 dentes x 18 dentes do pinhão compromete bastante o desempenho nas subidas íngremes. Em rampas com inclinação de 20% ou mais, pode ser necessário o ciclista desmontar e empurrar a bike morro acima. De acordo com Victor, as versões mais novas da Vela virão com gancheira que aceita câmbios de até 5 marchas, o que certamente vai facilitar bastante a vida do ciclista e deixar a bike mais versátil para encarar relevos mais duros. Opcionalmente a empresa oferece a opção de pinhões de 16, 18, 20 e 22 dentes que o comprador pode configurar na hora da compra, pelo site ou por telefone.

Diferente de outras e-bikes que avaliamos, a Vela S tem um incômodo delay (atraso) entre o momento em que se começa a pedalar e o momento em que o motor elétrico entra em ação. Apesar de ter 12 ímãs sensores, este delay pode variar entre meia pedalada (aceitável) até três, quatro ou mais pedaladas. Parece pouco, mas na prática atrapalha bastante o equilíbrio e torna bem mais difícil a tarefa de cortar o trânsito no meio dos carros. Também é complicado parar em um semáforo em subida e iniciar a pedalada.

Para nossa surpresa, o delay também se apresentou ao se parar de pedalar. Por vezes o motor insistia em continuar funcionando por alguns segundos e isto pode ser perigoso, embora basta um toque nos freios para que o motor pare de funcionar imediatamente. Os freios são do tipo V-Brake da marca Promax, especiais para e-bikes e contam com o sistema de inibição do motor quando acionados.

A bateria removível (1,7kg) de 220Wh tem duração relativamente curta e o ciclista deve ficar atento. Autonomia varia bastante, algo entre 20 e 35km. Em nosso teste a bateria foi suficiente para pedaladas de até 28km. Quando a carga está próximo dos 5% finais, o motor começa a cortar, com engasgos que lembram um carro quando começa a faltar gasolina. Pelo site é possível adquirir uma bateria de maior capacidade (mais pesada portanto) mas de maior duração. O carregador é bivolt de 86W, 2.0A e o tempo de recarga é de 2 a 3 horas.

Detalhe da central elétrica, com saída USB e o pequeno LED que informa a carga da bateria

Na central elétrica localizada abaixo do tubo vertical, há um pequeno LED. Verde significa carga plena, laranja 10% de carga e a luz vermelha indica que a bateria atingiu 5% de sua carga.

O problema é que o LED fica localizado em uma posição impossível de ser vista quando se pedala, pois fica encoberto pelo tubo horizontal e, de acordo com o manual, a leitura é mais precisa com o motor em funcionamento. A central tem uma saída USB, de utilidade questionável.

O quadro não tem orifícios de fixação para um suporte de caramanhola, fato que segundo Victor será corrigido nas próximas versões.

O quadro tem garantia de três anos e de um ano para os demais componentes. “Temos um mini caminhão com uma oficina montada e vamos em algumas cidades periodicamente para revisões e assistência. A frequência destas visitas vai aumentar quando tivermos mais clientes nas ruas”, explica Victor.

GOSTAMOS
Alarme
Controle remoto
Preço
Visual retrô com detalhes em marrom
Peso

NÃO GOSTAMOS
Guidão
Autonomia
Falta de marchas
Delay na hora de pedalar

Mais informações no site www.velabikes.com.br