Exclusivo: Caio Godoy conta porque está suspenso por doping

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Exclusivo: Caio Godoy conta porque está suspenso por doping

Bicampeão brasileiro de estrada da categoria Sub 23 tomou, sem saber, erva-mate misturada com folhas de coca e de maconha durante a Volta do Uruguai

Caio Godoy na Volta do Uruguai 2018 Foto: Luis Claudio Antunes/Bike76

Do Bikemagazine
Foto de divulgação

O ciclista Caio Godoy, da equipe Funvic, bicampeão brasileiro de estrada da categoria Sub 23 (venceu em 2016 e 2017) está suspenso provisoriamente pela CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo), segundo notificação publicada nesta quinta-feira (3 de maio) pela entidade. Veja aqui

Em entrevista ao Bikemagazine, o ciclista contou que, durante a Volta do Uruguai, em abril, tomou  erva-mate com uma garota que conheceu por lá sem saber que a bebida estava misturada com folhas de coca e de maconha. “Na hora eu me senti mal e vi que havia algo errado, eu não sabia, achei que estava tomando somente mate, como é o costume no Uruguai”, disse. “A garota, que não é do meio do ciclismo, não sabia que aquilo poderia me prejudicar…”

“Exatamente no dia seguinte fui chamado para fazer o exame e depois fui avisado de que teste tinha dado positivo por causa das folhas de coca”, completou o ciclista, que diz ter feito três exames anti-doping durante a Volta do Uruguai.

O ciclista fez questão de contar sua história para reiterar que não usou nenhum tipo de substância para aumentar sua performance na corrida. “Estava em um momento bom, ia entrar para a FAB, agora não sei mais o que vou fazer”, lamentou. Pelas regras da UCI, o ciclista, caso condenado, terá de cumprir 4 anos de suspensão.

Godoy, de 23 anos, começou no ciclismo profissional em 2014 na equipe DataRo e ficou três temporadas no Centro Mundial de Ciclismo da UCI em Aigle, na Suiça, entre 2014 e 2016. No período, chegou a atrair as atenções de equipes profissionais, como a então Bretagne Seche, equipe francesa que hoje se chama Fortuneo Vital Concept, mas problemas burocráticos impediram sua contratação.

O ciclista, que já disputou quatro vezes o Mundial de Ciclismo (Limburg, na Holanda, em 2012; Firenze, na Itália, em 2013; Ponferrada, na Espanha, em 2014 e Richmond, nos EUA, em 2015) voltou ao Brasil na temporada passada e assinou com a Funvic. Em 2017, entre seus resultados, foi o campeão da Prova 9 de Julho.

Esta é a segunda suspensão da Funvic em 2018. Em abril, a UCI (União Ciclística Internacional) confirmou que o ciclista Roberto Pinheiro da Silva, o Betinho, atual campeão brasileiro de estrada, estava provisoriamente suspenso de qualquer competição oficial por suspeita de doping. Diante do caso, a CBC revisou sua convocação para as provas do Campeonato Pan-Americano de Ciclismo, em San Juan, na Argentina, e baniu os ciclistas da Funvic. Leia aqui

Histórico
A Funvic, que nesta temporada perdeu sua licença Pro Continental após dois anos, conta com uma série de casos envolvendo o doping de seus atletas. Em agosto de 2016, Kleber Ramos, que representou o Brasil na prova de estrada dos Jogos Rio-2016, foi notificado de que havia sido pego em exame antidoping em amostras coletadas em testes fora de competição em 31 de julho e 4 de agosto pelo uso de CERA. Em novembro do mesmo ano, os exames de João Marcelo Gaspar e do colombiano Ramiro Rincon realizados no dia 27 de julho, no prólogo da Volta a Portugal, também acusaram o uso de CERA, um agente estimulante com efeito semelhante ao do EPO.

Em março de 2017, um dia depois do término da Volta da Catalunha, na Espanha, a equipe Funvic foi surpreendida por um novo anúncio da UCI, que suspendeu os ciclistas Alex Diniz e Otávio Bulgarelli por violações das regras de doping. Em 2009, Diniz já havia sido suspenso depois de testar positivo por eritropoetina. O atleta competia na Funvic desde 2013 e deixou a equipe. Já Bulgarelli foi inocentado da acusação de manipulação de amostra de urina pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) em junho e continuou na equipe, mas como auxiliar técnico.

Em 2016 a Funvic cumpriu 55 dias de suspensão e em 2017 teria de cumprir mais 35 dias, mas com o resultado do processo de Bulgarelli a pena foi reduzida. Em julho do ano passado, porém, a equipe teve de recorrer à Justiça Desportiva para poder disputar a Volta de Guarulhos. Por causa da vigência da suspensão para provas internacionais, a CBC resolveu seguir a UCI e vetou a Funvic, que recorreu. No final, a Funvic conquistou o título de campeã com Murilo Affonso na classificação geral e na classificação por pontos, com Magno Nazaret na classificação de montanhas e a própria Funvic como a melhor equipe.

Em 2016, no primeiro ano na Pro Continental, a equipe disputou provas no Gabão, Espanha, Itália, Portugal, Malásia, Turquia e China. Em 2017, foi para a Volta da Catalunha, na Espanha, a Volta da Turquia e a Volta do Uruguai, entre outras, quando Magno Nazaret conquistou o título de campeão pela segunda vez na carreira. Nesta temporada, o ciclista faturou o título pela 3ª vez e se tornou o primeiro estrangeiro tricampeão.

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