Volta das Transições, novo cicloturismo mineiro

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Volta das Transições, novo cicloturismo mineiro

Uma pedalada no mais novo roteiro em Minas Gerais; o trajeto, todo sinalizado, tem 365km e cruza 10 cidades

O roteiro da Volta das Transições tem 365 quilômetros e passa por 10 cidades

Texto: Marcos Adami / Do Bikemagazine
Fotos de Marcos Adami e Márcio Lucinda Lima

Pedalar é uma das formas mais prazerosas de se viajar. Sempre fui apaixonado pela liberdade das viagens ao estilo “mochilão” e o cicloturismo cai como uma luva para pessoas como eu. Encarar longas distâncias a uma velocidade média entre 20 e 25km/h é perfeito para curtir a paisagem, ouvir os sons da natureza e, sim, conhecer pessoas.

A Mongoose Hill Topper da década de 80 pronta para a cicloviagem

Na semana do Natal de 2017 estava determinado a cair na estrada e conhecer algum lugar inédito.

Já tinha ouvido falar da Volta das Transições, um roteiro turístico em Minas Gerais que passa por várias cachoeiras e montanhas. O trajeto, todo sinalizado, tem 365km e cruza 10 cidades da Zona da Mata e Sul de Minas Gerais.

Naquela região, eu já conhecia Conceição de Ibitipoca, pequena localidade que pertence ao município de Lima Duarte e é famosa pelo Parque Estadual de Ibitipoca. O parque é o mais visitado em Minas Gerais, com 100 mil visitantes por ano, e tem como atrações grandes cachoeiras, cavernas, trilhas para trekking, além da famosa “Janela do Céu”.

TRANSIÇÕES
O nome “Volta das Transições” se refere às transições naturais de vegetação, relevo, história e cultura, mudanças bem evidentes ao longo do trajeto. Também são claras as mudanças de clima e relevo entre os campos de altitude, mata atlântica, serras, vales e planaltos.

O caminho é praticamente todo em estradinhas de terra, com passagem aqui e ali por algum trecho de paralelepípedos e asfalto, às vezes com travessia de riachos. O roteiro é dividido em sete etapas, com início ou término em pontos com hospedagem e alimentação. O trajeto pode ser percorrido de bicicleta, a cavalo, moto ou mesmo de carro. As estradas em geral são muito boas e, sem chuva, dispensa o uso de carros 4×4.

Apesar de ser tentador percorrê-lo a pé, o caminho é complicado para os caminhantes, pois os locais de pouso são muito distantes um do outro, com jornadas de até  65km por etapa.

A Fazenda Santa Clara é atração da primeira etapa

Ciclistas bem treinados conseguirão fazer mais de uma etapa por dia. Dá para fazer duas, mais que isto é só para os muito bem treinados. A Volta das Transições, aliás, pode ser usada como treinamento para atletas que vão correr longas maratonas ao estilo Brasil Ride ou Cape Epic.

Trecho da Volta das Transições que percorre antigo leito ferroviário

O PROJETO
O circuito turístico foi lançado em dezembro de 2016 por iniciativa de guias que organizavam passeios de bike na região. Um grupo de trabalho foi criado e com a ajuda da Associação Circuito Serras de Ibitipoca, com 10 municípios, o circuito foi criado após vários estudos, mapeamentos e levantamentos da sinalização. Em 2017, o roteiro recebeu mais de 100 inscrições e foram emitidos 70 certificados para ciclistas que completaram o trajeto.

“O circuito é novo e foi idealizado para ser percorrido de bicicleta, mas temos também visitantes a cavalo e de jipe. Estamos fazendo correções na sinalização e vamos também repor placas que foram vítimas de depredação. Vamos corrigir algumas imprecisões nas distâncias e alterar algumas coisas no site”, conta Márcio Lucinda Lima, guia turístico e consultor de políticas de turismo.

Como em outros roteiros famosos, o ciclista tem direito a receber um certificado de conclusão. Para isto, basta se cadastrar no site da Volta das Transições (www.voltadastransicoes.com) e preencher um cadastro. Por e-mail o ciclista recebe um passaporte, que deve ser carimbado nas paradas. No fim da viagem, basta tirar uma foto do documento e enviar para o site. Depois é só aguardar a chegada do certificado pelo correio.

O site é bem completo e traz todas as dicas para uma viagem tranquila. O trajeto pode ser baixado no formato GPX e inserido no GPS do ciclista ou em smartphones com o aplicativo Wikiloc. Quem não tem o equipamento, pode baixar o PDF e navegar pela planilha, distâncias, altimetria e direções. O site também indica lugares para comer e dormir, além de indicar bicicletarias, serviço de emergências e linhas de ônibus.

Beleza é o que não falta nos 365km da Volta das Transições

A VIAGEM
Gosto de viagem de maneira autossuficiente, ou seja, colocar tudo no alforje e sair para o mundo. Montei o bagageiro em minha Mongoose Hill Topper velha de guerra – quadro feito de tubos de cromo molibdênio Tange, grupo 3×7 velocidades e freios V-Brake – tirei meus alforjes do fundo do guarda-roupa e levei somente o necessário.

Embora agregue conforto e comodidade é perfeitamente possível fazer a Volta das Transições sem carro de apoio e sem guia.

Todo o trajeto é sinalizado, embora em alguns pontos falte sinalização por conta de depredação e vandalismo. Diferentemente do Caminho da Fé, com sinalização a cada dois quilômetros com a contagem regressiva até o santuário em Aparecida, e as famosas setas amarelas nos postes, muros, pedras e troncos de árvores, que deixam o roteiro praticamente impossível de se perder, a sinalização da Volta das Transições exige um pouco mais de atenção.

Exemplo de placa de orientação da Volta das Transições

A sinalização é bonita e traz informações como direção a seguir, distância percorrida, altitude, coordenadas geográficas e até o nome da bacia hidrográfica, mas peca por não ter uma contagem regressiva até a próxima cidade e, pior: nas áreas urbanas, as placas costumam sumir e o jeito é pedir ajuda aos locais. Aliás, faltam também informação e engajamento da população. Em quase todas as pousadas onde fiquei o proprietário não sabia do que se tratava a tal “Volta das Transições”.

Em algumas localidades a estrutura turística praticamente não existe. Em outros, achar o que comer foi trabalhoso, nem que fosse um simples pão com mortadela. Deu trabalho. Mas a beleza do caminho e a hospitalidade compensam tudo.

O roteiro turístico começa e termina na cidade de Santa Rita do Jacutinga, junto à divisa com o estado do Rio de Janeiro. Quem for de carro pode deixar estacionado em alguma pousada e pegá-lo no fim da viagem.

Quem vai de transporte público esteja preparado para pegar vários ônibus. Juiz de Fora (MG) ou Volta Redonda (RJ) têm ligação por ônibus, mas os horários são bem limitados e é bom planejar atentamente as conexões para evitar longas esperas nas rodoviárias ou mesmo ter que pernoitar em alguma cidade não planejada.

AS ETAPAS
Etapa 1 – Santa Rita do Jacutinga – Vila do Funil (Rio Preto) – 58km – 865m de ascensão
Etapa 2 – Vila do Funil – Lima Duarte – 53,47km – 563m de ascensão
Etapa 3 – Lima Duarte – Bias Fortes – 52,85km – 1.018m de ascensão
Etapa 4 – Bias Fortes – Ibertioga – 45,73km – 1.009m de ascensão
Etapa 5 – Ibertioga – Conceição de Ibitipoca – 64,89km – 1.543m de ascensão
Etapa 6 – Conceição de Ibitipoca – Bom Jardim de Minas – 63,72km – 830m de ascensão
Etapa 7- Bom Jardim de Minas – Santa Rita do Jacutinga – 45,11km – 1.186m de ascensão

QUEM LEVA
Sauá Turismo
Rua Geraldo Fortes 31- Conceição de Ibitipoca – Lima Duarte – MG
(32) 984043905 e (32) 984439351
www.sauaturismo.com

Ibitiaçu Ecoturismo
Estrada do Parque – Conceição de Ibitipoca – Lima Duarte – MG
(32) 99930-7953 e (32) 98517-1001
www.ibitiacuecoturismo.com