UCI suspende André Almeida no 3º caso de doping na Funvic em 2018

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UCI suspende André Almeida no 3º caso de doping na Funvic em 2018

Mais um ciclista da equipe brasileira aparece na lista atualizada da UCI; somente nesta temporada mais dois ciclistas foram suspensos, Roberto Pinheiro e Caio Godoy

André Almeida, da Funvic, aparece na lista de suspensos da UCI

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

A UCI (União Ciclística Internacional) atualizou nesta quinta-feira (12 de julho) sua lista de ciclistas suspensos provisoriamente por doping e um novo integrante da equipe Funvic aparece: André Almeida. O ciclista de São Paulo é o 3º nome da equipe brasileira a receber a penalidade na temporada 2018, depois de Roberto Pinheiro em abril e Caio Godoy em maio (leia mais abaixo).

O ciclista, em entrevista ao Bikemagazine, explicou que a suspensão se deve aos resultados de um passaporte biológico de 2016 que acusou baixa hemoglobina. “É um exame de 2016 que eles resolveram me acusar em 2018, é estranho. Acredito que foi em uma época que estava gripado, me sentindo mal, mas fiz os exames e não informei meu estado porque achava que se eu não estava usando nada não poderia ser acusado de nada”, explicou.

André Almeida, que tem 25 anos, integra a Funvic desde 2014 e já fez pelo menos 18 vezes o passaporte biológico, segundo relatou. Para recorrer, a multa é de cerca de 18 mil euros. “É uma suspensão provisória, mas o valor para recorrer é muito alto”, diz o ciclista. “Parece perseguição.”

No comunicado não há a data ou detalhes do exame que teria gerado a suspensão provisória de André Almeida, que acaba de disputar o Campeonato Brasileiro e foi o 19º colocado na prova de resistência. 

Confira o nome do brasileiro André Almeida adicionado neste dia 12 de julho

VEJA A LISTA AQUI

Acompanhe as atualizações da UCI aqui

Esta é a terceira suspensão da Funvic em 2018. Em abril, a UCI  confirmou que o ciclista Roberto Pinheiro da Silva, o Betinho, na época o campeão brasileiro de estrada, estava provisoriamente suspenso de qualquer competição oficial por suspeita de doping. Diante do caso, a Confederação Brasileira de Ciclismo revisou sua convocação para as provas do Campeonato Pan-Americano de Ciclismo, em San Juan, na Argentina, e baniu os ciclistas da Funvic. Leia aqui

Em maio, Caio Godoy, então bicampeão brasileiro de estrada da categoria Sub 23 (que venceu em 2016 e 2017), também caiu em um exame feito na Volta do Uruguai. Na época, o ciclista contou que tomou erva-mate misturada com folhas de coca e de maconha sem saber. Leia aqui 

A Funvic, que nesta temporada perdeu sua licença Pro Continental após dois anos, conta com uma série de casos envolvendo o doping de seus atletas. Em agosto de 2016, Kleber Ramos, que representou o Brasil na prova de estrada dos Jogos Rio-2016, foi notificado de que havia sido pego em exame antidoping em amostras coletadas em testes fora de competição em 31 de julho e 4 de agosto pelo uso de CERA. Em novembro do mesmo ano, os exames de João Marcelo Gaspar e do colombiano Ramiro Rincon realizados no dia 27 de julho, no prólogo da Volta a Portugal, também acusaram o uso de CERA, um agente estimulante com efeito semelhante ao do EPO.

Em março de 2017, um dia depois do término da Volta da Catalunha, na Espanha, a equipe Funvic foi surpreendida por um novo anúncio da UCI, que suspendeu os ciclistas Alex Diniz e Otávio Bulgarelli por violações das regras de doping. Em 2009, Diniz já havia sido suspenso depois de testar positivo por eritropoetina. O atleta competia na Funvic desde 2013 e deixou a equipe. Já Bulgarelli foi inocentado da acusação de manipulação de amostra de urina pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) em junho e continuou na equipe, mas como auxiliar técnico.

Em 2016 a Funvic cumpriu 55 dias de suspensão e em 2017 teria de cumprir mais 35 dias, mas com o resultado do processo de Bulgarelli a pena foi reduzida. Em julho do ano passado, porém, a equipe teve de recorrer à Justiça Desportiva para poder disputar a Volta de Guarulhos. Por causa da vigência da suspensão para provas internacionais, a CBC resolveu seguir a UCI e vetou a Funvic, que recorreu. No final, a Funvic conquistou o título de campeã com Murilo Affonso na classificação geral e na classificação por pontos, com Magno Nazaret na classificação de montanhas e a própria Funvic como a melhor equipe.

Em 2016, no primeiro ano na Pro Continental, a equipe disputou provas no Gabão, Espanha, Itália, Portugal, Malásia, Turquia e China. Em 2017, foi para a Volta da Catalunha, na Espanha, a Volta da Turquia e a Volta do Uruguai, entre outras, quando Magno Nazaret conquistou o título de campeão pela segunda vez na carreira. Nesta temporada, o ciclista faturou o título pela 3ª vez e se tornou o primeiro estrangeiro tricampeão.

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