Bike-teste: avaliamos as rodas Token C22A, as clincher mais leves do mercado

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Bike-teste: avaliamos as rodas Token C22A, as clincher mais leves do mercado

Com 1.300 gramas para o par, a roda impressiona pelo peso mas deixa a desejar em performance

Com 1,3kg são as mais leves do mercado

Do Bikemagazine
Texto e fotos de Gabriel Vargas

A Token é um fabricante de componentes cada vez mais conhecido pelas suas peças leves e soluções inovadoras. A marca apresenta uma extensa linha de rodas de alumínio e carbono, e também é conhecida pelos movimentos centrais, caixas de direção e pequenas partes com baixo peso.

Blocagens

Testamos a roda de estrada C22A desde fevereiro, percorrendo ao total 5800 quilômetros em duas diferentes bikes e encarando três provas (duas de estrada, com subidas, e uma de circuito). Esse modelo é disponibilizado no Brasil por meio do importador Pedal Ativo e pode ser encontrada em uma ampla rede de revendedores. O preço sugerido ao consumidor é de R$ 3.690,00.

Construção

Detalhe da fita de aro

A C22A é uma das rodas clincher de alumínio mais leves atualmente, e certamente a mais leve disponível oficialmente no mercado nacional. Com as fitas de aro, mas sem as blocagens, aferimos 1.352 gramas para o par, o que fica um próximo ao divulgado se considerarmos as fitas. O modelo pertence à família Zenith (ver nota ao fim do texto), formada pelos produtos top de linha da marca. O modelo que testamos é estruturalmente idêntico ao que está atualmente em catálogo, mas a roda recebeu atualizações no grafismo para a linha 2018.

As rodas são recomendadas para ciclistas de até 80kg, o que é um fator crítico. Não apenas por limitar possíveis consumidores, mas por passar a sensação de falta de robustez ou resistência. Por outro lado, encontrar tão indicação de peso máximo não é nada incomum em peças leves, e está próximo ao visto em pedais com eixo de titânio, canotes e selins de carbonos etc.

A Token C22A possui aros simétricos de 22 mm de altura, que realmente acusaram apenas 390 gramas em nossa balança. Com 13,6 mm internos e 18,2 mm externos, os aros ainda são estreitos e não seguem a tendência recente de aros mais largos. Como veremos adiante, isso influenciará drasticamente na performance do modelo. Os aros possuem grafismo discreto com interessantes adesivos refletivos.

Cubo traseiro de 210 gramas

Os cubos Token Arsenal com rolamentos TFT híbridos (combinando cerâmica e aço) são o destaque da roda, em termos de construção. São extremamente leves, com 210 gramas para o traseiro e 85 gramas para o dianteiro, e seu acabamento é caprichado. São feitos para uso com raios de cabeça reta, sendo 20 na dianteira, em disposição radial, e 24 na traseira, cruzados 3x do lado do cassete e radiais do lado oposto.

A roda é montada com raios achatados “aero” Pillar 1422 e utiliza nipples de alumínio de boa qualidade. Para finalizar, a roda inclui fitas de aro e blocagens Token Vigilante (121 gramas o par). Tudo veio muito bem abrigado em uma embalagem bonita, incluindo até um saco estilo zip-loc para transportar telefone e documentos durante os treinos.

Durante o teste
As primeiras impressões foram bastante vagas. Vinha de um período utilizando rodas montadas com aros Kinlin de 30 mm de perfil, também de alumínio, ao total 300 gramas mais pesadas que as Token. A vantagem do baixo peso só apareceu ao encarar as primeiras rampas acima de 12%, em que era sensível o menor esforço para manter o mesmo ritmo. Mas bastou um pouco de empolgação ao pedalar em pé para perceber uma falta de reatividade, algo não esperado para uma roda considerada topo de linha.

A roda traseira é mole. E veja bem: sou um ciclista leve, dois pares de quilos abaixo dos 70, e estou longe de ser excepcionalmente potente. Mas bastou instalar um par de 700×25 (no lugar dos pneus de 23mm anteriores) para notar que os pneus estavam raspando no quadro em qualquer pedalada em pé em subida acima dos 280 ou 300 watts. Ou seja, qualquer rampa, qualquer aceleração resultava em borracha encontrando o carbono do quadro.

Além da sensação de falta de firmeza e responsividade da roda, havia também a sensação de frenagem causada pelo atrito entre as partes envolvidas. Uma decepção para um modelo que custa 3.600 Reais. A roda dianteira, por outro lado, até agradou pela firmeza, que influenciou positivamente na hora de entrar em curvas velozes e ao pedalar em pé.

As rodas giram muito bem, graças aos excelentes cubos. A sensação de rolagem macia e desenvolta é perceptível no plano ou nas descidas, mas ao mesmo tempo não há nenhuma vantagem nesses terrenos – o que é de se esperar para uma roda com 22 mm de altura. Mesmo assim, uma Mavic Aksium (que definitivamente não é uma roda de perfil alto ou aero) ou uma Vzan Futura, por exemplo, dão um banho na Token nessas situações.

Há duas importantes vantagens nos aros de perfil baixo (além do peso) que podem ser diferenciais para possíveis interessados: torna a bike muito mais segura e fácil de guiar com vento lateral e nos “sustos” causados pelo ar deslocado pelos caminhões.

Detalhe do logotipo refletivo

Tenho visto muitos ciclistas iniciantes e intermediários investindo em maravilhosas rodas de carbono de perfil alto, mas que acabam mais lentos por simplesmente não se sentirem confortáveis e seguros quando a velocidade passa dos 40 km/h. A outra vantagem é o conforto: como a roda tem menor rigidez vertical, ela absorve e dissipa vibração e pequenos impactos do solo muito melhor do que as rodas de perfil alto. E a C22A realmente é uma roda que tem um rodar confortável e agradável.

A superfície de frenagem é apenas razoável. Na faixa de preço em que está situada, esperava uma qualidade de frenagem pelo menos próxima da Mavic Ksyrium. Outra pequena decepção foi no momento de instalar e remover pneus ou trocar câmaras furadas. O aro é pouco “cavado” e resta pouco espaço para manobrar as espátulas, o que torna o serviço um pouco mais complicado do que em outras rodas. E por fim, as belas blocagens Token Vigilante tem um acionamento vago e esponjoso. Elas seguram bem as rodas, sem dúvida, mas também não condizem com o valor total do equipamento.

Após o teste
Foram 6 meses e 6 mil quilômetros com as Token C22A. Mesmo encarando muitas pancadas em asfalto de todos os tipos (e até mesmo em trechos de terra) a roda dianteira permanece alinhada, enquanto a traseira ficou um pouco fora, embora tenha sido realmente muito pouco. Os cubos e freehub permanecem intactos internamente, mostrando que a proteção contra poeira é boa.

Vista lateral do aro, raios e nipples

Os aros estreitos, necessários para manter os números de peso dentro da meta dos engenheiros, prejudicam não apenas a rigidez do conjunto, mas também não são ideias para o uso com os pneus mais largos. São recomendados até 700x25c, embora utilizamos modelos de 28 sem maiores problemas.

Nessa faixa de preço, é possível encontrar no mercado outras opções como as Mavic Ksyrium mais básicas, algumas Fulcrum, modelos da Shimano, etc. Dificilmente a Token C22A é uma melhor compra em relação a estes outros modelos. Sua única grande vantagem perante outras rodas de alumínio são as 200 a 350 gramas abaixo das concorrentes, mas ao custo de performance geral.

As Token C22A podem ser uma opção para ciclistas muito leves (na casa dos 50 kg) ou para quem realmente procura o que há de mais leve nessa faixa de preço.

Gostamos: baixo peso, visual discreto, adesivo refletivo.
Não gostamos: rigidez insuficiente, custo-benefício ruim, superfície de frenagem apenas razoável.

Nota: Curiosamente, ao acessar o website internacional da Token antes da publicação deste review, percebemos que a C22A foi “rebaixada” para a família Resolute, abaixo da Zenith e Prime.