Reportagem especial: E-Bike, a reinvenção da bicicleta

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Reportagem especial: E-Bike, a reinvenção da bicicleta

Bikes elétricas revolucionam o mercado, ganham novas tecnologias e marcas nacionais apostam no novo fenômeno mundial

Bike cargueira dos correios alemães equipada com motor Bosch

Texto de Marcos Adami
Fotos de divulgação
Publicado com autorização da Revista Bike Action

Pedalar com a ajuda de um motor elétrico nas cidades, trilhas e estradas é um caminho sem volta. Desde a invenção da bicicleta, quase 200 anos atrás, o mundo não via uma revolução tão profunda na maneira de se pedalar. Assim como em 2007, com o serviço parisiense de bicicletas compartilhadas Vélib, que reinventou o jeito de utilizar a bicicleta nas cidades e se espalhou rapidamente mundo afora, as e-bikes, como são conhecidas as bicicletas com assistência elétrica, são a nova revolução.

A Vela S é vendida por R$ 4.690,00

O mercado das elétricas cresce rapidamente e virou um fenômeno mundial. No Brasil não é diferente e marcas nacionais como Blitz, Sense, Groove, Vela, Pedalla e a centenária Caloi apostam neste novo segmento com vários modelos.

“Apresentamos alguns modelos elétricos na Shimano Fest e foi um sucesso. A partir de janeiro teremos mais modelos. A bike mais em conta, a urbana E-Vibe City Tour, custa R$ 7.999 e vendemos toda a produção”, disse o diretor comercial da Caloi Eduardo Rocha. Confira o teste da mountain bike Caloi E-Vibe aqui.

A mineira Sense, com fábrica na Zona Franca de Manaus, uma das pioneiras neste mercado, tem quatro modelos elétricos e reconhece o sucesso.

“Tivemos um crescimento muito bom e para nossa surpresa São Paulo é o mercado mais forte atualmente. Mas há outros mercados com potencial de crescimento, como Brasília e também o Rio de Janeiro, que em que o mercado de elétricas sempre foi forte e tem crescido muito. O modelo Impulse, lançado em 2018, tem sido um sucesso e nos surpreendeu”, diz Nildo Guedes, gerente de marketing.

Outra marca que aposta no segmento é a francesa B’Twin, do grupo Decathlon. “Acredito que teremos e-bikes no Brasil até o final de 2018. Elas são uma realidade e estão no nosso radar”, garante Marcello Toshio, gerente da B’Twin.

E-MOBILIDADE

O modelo urbano E-Silence da Scott

Na Europa, 80% dos donos de e-bikes a utilizam como primeira opção de transporte. Veículos elétricos, aliás, ganham cada vez mais espaço e gradativamente substituem os antiquados e poluentes motores a combustão interna.

A evolução das baterias de íons de lítio usadas em notebooks, smartphones e outros gadgets criou um novo mundo e agora impulsiona carros, caminhões, ônibus, aviões e até navios movidos por motores elétricos.
O mercado automobilístico se apressa para se adaptar à nova realidade e há marcas, como a Tesla, dedicadas exclusivamente aos carros elétricos.

Na Inglaterra, até o ano 2040 os motores a combustão interna serão peças de museu e assim a popularidade de carros elétricos cresce rapidamente. Em 2013 havia 3.500 carros, em 2017 já são mais de 100 mil e o mercado só vai crescer.

Na Alemanha, a BMW anunciou em novembro de 2017 um investimento de 200 milhões de euros na construção de uma fábrica exclusiva de baterias para veículos elétricos e já trabalha na quinta geração de carros elétricos, que devem chegar ao mercado em 2021.

“Nós somos a geração que vai sepultar os motores a explosão”, afirma o biker Luciano Kdera, que vive a revolução das e-bikes desde 2006 quando rodou pela primeira vez com uma alemã Hotwild. “O ano de 2018 será meu E-year”, diz o paulistano de 50 anos, 40 deles dedicados ao mundo das bicicletas.

E-VANTAGENS

Silvia Ballan e a filha usam um modelo elétrico da Sense

As e-bikes oferecem enormes vantagens na mobilidade urbana. As elétricas não poluem, são leves, ágeis no trânsito, dispensam emplacamento, são práticas para guardar e estacionar e, de quebra ainda permitem ao ciclista fazer exercício físico (sem suar tanto a camisa, literalmente). São perfeitas para iniciantes e ciclistas fora de forma que precisam de uma forcinha para vencer as subidas.

A agilidade no trânsito foi uma das razões que levou a editora de vídeos Silvia Ballan a optar pela e-bike. Em 2012, Silvia vendeu o carro e adotou a bicicleta como veículo de locomoção diária em São Paulo. Em 2017, Silvia comprou uma Sense elétrica e leva a filha Nina de 10 anos para a escola – mesmo sob chuva – num percurso de 5km fora do alcance de ciclovias e ciclofaixas.

“Minha filha pesa 30kg e o motor facilita muito nas subidas. Faço tudo com a bike, vou às compras, encontro amigos. Coloquei alforjes e sempre tenho uma capa de chuva à mão. Deixei de usar o transporte público, Uber e táxi. Ganho tempo e praticidade. Todo dia, rodo uns 20km. Em casa, deixo a bike na sala”, conta.

E-ECONOMIA
A economia é outra atração e a tendência é que as e-bikes concorram diretamente com as motocicletas e scooters de baixa cilindrada. Nesta comparação, as bicicletas elétricas levam enorme vantagem, já que não consomem gasolina, a manutenção é mais barata e, por dispensar emplacamento, não pagam IPVA e nem seguro obrigatório.
Outra vantagem está no preço de aquisição, com modelos elétricos a partir de R$ 4.690, como a nacional Vela S, com motor de 350W e menos de 20kg de peso e também o modelo Gioia, da Pedalla, pelo preço promocional de R$ 3.790. Para efeito de comparação, a scooter de 125cc Yamaha Neo, relançado recentemente, pesa 96kg e custa R$ 9 mil. Já uma Suzuki Burgman 125i sai por R$ 9.500.

“Muita gente adquire nossas bikes atraídas pela economia. São pessoas que venderam o carro, mas não podem depender do transporte coletivo. Nossa bicicleta é perfeita para quem quer gastar pouco, não ficar preso no trânsito e sem as despesas de uma moto”, explica Victor Hugo Cruz, proprietário e fundador da Vela, empresa nacional com sede em Pirituba, na Grande São Paulo.

O gasto com energia elétrica é mínimo. A energia necessária para percorrer 10km numa e-bike é a mesma necessária para ferver 700ml de água.

E-POSSIBILIDADES
Além de todas estas vantagens na mobilidade, as elétricas possibilitam uma nova e ampla gama de atividades como serviços de policiamento e entregas. O motoboy tende a ser substituído pelo e-bikeboy.

No ABC paulista, a Guarda Municipal das cidades de Santo André e São Bernardo do Campo avaliam o emprego de e-bikes no patrulhamento.

Bicicletas elétricas são uma alternativa perfeita para atletas que se recuperam de lesões, servem de veículo de inspeção de pista para organizadores de provas (a Copa Internacional já as utiliza para esta finalidade), dão aquela força para praticantes de freeride e downhill na hora de subir para o início da trilha e ampliam os horizontes dos cicloturistas. Com elas, ficou mais fácil e democrático cruzar os Alpes ou os Andes, percorrer o Caminho da Fé, peregrinar no Caminho de Santiago de Compostela ou, por que não, dar a volta ao mundo. A maior cicloviagem que se tem notícia foi na Austrália, num percurso de 16 mil quilômetros.

“Eu, por exemplo, tive a oportunidade de pedalar com o Henrique Avancini. Eu subia com ele e descia logo atrás com uma Caloi elétrica full suspension com curso de 160mm que estou avaliando”, contou, orgulhoso, Luciano Kdera.

E-GERAÇÕES
As primeiras bicicletas elétricas, chamadas de “Geração 1”, eram basicamente scooters com motores elétricos. Bastava sentar no selim e acelerar para desfrutar de um veículo que mais lembrava uma pequena motocicleta com uma grande bateria – localizada normalmente no bagageiro traseiro ou no seat tube – que impulsionava um motor instalado na roda dianteira ou traseira. Estes modelos ainda podem ser vistos com frequência em cidades praianas como Rio de Janeiro e nas ciclovias de grandes cidades.

A “Geração 2” é a que ficou conhecida como Pedelec (Pedal Eletric Cycle, em inglês), em que o motor elétrico no cubo da roda só funciona se o ciclista pedalar.

A “Geração 3” por sua vez inovou com motores centrais (também conhecidas como mid-drive) que atuam diretamente no movimento central e oferecem uma pedalada mais equilibrada e eficiente. O motor é controlado por uma central localizada no guidão, ao alcance do ciclista. A potência pode ser ajustada em vários níveis e um display exibe diversas informações ao ciclista. O motor e todo o sistema são à prova de chuva.

E-QUALIDADE
As mid-drive são as bicicletas que as grandes marcas apostam suas fichas e têm ganhado cada vez mais o mercado, especialmente depois que gigantes como Yamaha, Shimano e Bosch desenvolveram produtos de altíssima qualidade para este segmento.

Desde 2013, a Shimano atua no mercado de e-bikes e em maio de 2016 apresentou ao mundo o Steps (Shimano Total Eletric Power System), com três versões voltadas para diferentes tipos de ciclistas, com motores de 36 volts e 250W de potência nominal com torque de 70Nm e 2,88kg de peso (E8000) e 50Nm e 3,2kg (E6000). Na Europa já existem 3.600 revendedores do Shimano Steps.

O motor central Bosch equipa muitas marcas europeias de e-bikes

Já a Bosch, uma das pioneiras em motores centrais da terceira geração, oferece mais opções, com cinco linhas de motores que entregam de 40Nm até 75Nm de torque, incluindo o esportivo “Performance Line” com motor de 350W que desenvolve até 45km/h de velocidade máxima.

E-BATERIAS

Exemplo de baterias instaladas no downtube

As baterias de íon de lítio oferecem boa autonomia, entretanto a distância a ser percorrida com uma carga completa é difícil de precisar e vai depender de fatores como peso total do conjunto ciclista + bike + bagagem, potência selecionada para a pedalada e, principalmente, o relevo de onde se pedala.

No Shimano Steps E6000, por exemplo, a bateria de 418Wh leva 4 horas para ser recarregada e, graças à tecnologia de recarga rápida, basta um par de horas para que atinja 80% de sua carga. O sistema possui a função Light MTB, que poupa energia.

“A autonomia vai variar bastante, mas dá para rodar mais de 100km  numa trilha pesada. No modo de maior consumo dá para rodar pelo menos 60km”, garante Kdera. É possível também desligar o motor e ir só no pedal.

No site da Bosch (www.bosch-ebike.com), muito completo por sinal, um calculador ajuda o ciclista a estimar a autonomia da pedalada levando em consideração variáveis como peso, velocidade, modo de utilização, tipo de piso e terreno, velocidade média, velocidade do vento, cadência de pedalada, tipo de pneu e capacidade da bateria etc. As variações são imensas e uma carga de bateria pode garantir de 40km até 200km de distância percorrida com uma carga.

E-LEGISLAÇÃO
Em 2013, o Brasil ganhou uma lei específica para as elétricas. A resolução número 465 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), de 27 de novembro de 2013, estabeleceu algumas normas e disciplinou o uso das e-bikes. O auxílio elétrico do motor é cortado quando a bike atinge 25km/h e o motor pode ter uma potência nominal máxima de até 350 Watts. Não precisa de carteira de motorista e nem de emplacamento. Com menos burocracia, as vendas cresceram e o uso do novo meio de transporte ganhou o gosto do público.

E-EUROPA NA FRENTE

Na Alemanha existem mais de 2.500 modelos de e-bikes para escolher

As e-bikes encontraram rapidamente um mercado promissor em países como Alemanha, Áustria e Suíça. As vendas só crescem nos países escandinavos, bem como na Austrália, Estados Unidos e também na Ásia, continente tradicionalmente dominado pelas motos de baixa cilindrada e scooters.

Atualmente, só na Alemanha existem mais de 2.500 modelos de e-bikes à venda, incluindo bicicletas utilitárias capazes de transportar até 200kg de carga e utilizadas pelos correios e outras empresas de entrega.

Em 2011, foram vendidas 1.250.000 e-bikes na Europa, número 30% superior ao ano anterior. Em 2015, este número saltou para 3 milhões. Na Alemanha havia 600 mil e-bikes (55% a mais que em 2010) e desde então o crescimento tem sido espetacular, com crescimento médio de 30% ao ano desde 2008. Em comparação, existiam 70 milhões de bikes convencionais na Alemanha em 2011, de acordo com a com a ZIV (Associação Alemã da Indústria de Bicicleta).

No primeiro semestre de 2017 foram vendidas um total 2,6 milhão de bicicletas naquele país, o que representa uma queda de 2,2% em relação ao mesmo período de 2016. Mas, apesar do declínio, as vendas de elétricas foram de 540 mil bikes, ou seja, 30% de todas as vendas de bicicletas. A ZIV estima que 680 mil e-bikes tenham sido vendidas Alemanha em 2017.

Segundo Siegfried Neuberger, presidente da ZIV, 80% dos alemães possuem pelo menos uma bicicleta em casa e a próxima compra será de uma e-bike no lugar de uma bike convencional.

“Como fornecedor posso garantir que as vendas cresceram e isto mostra como este mercado é dinâmico”, afirma Claus Fleischer, diretor do departamento de e-bikes da Bosch. “Há outras inovações chegando. Temos grande preocupação com a segurança e já temos um sistema de freios ABS”, completa Flesicher.

“Eu diria que a situação é boa para nós. Estamos assistindo a mudanças no mercado e as e-bikes são uma grande oportunidade. Temos novos agentes entrando neste mercado de e-mobility, incluindo tradicionais fornecedores do setor automobilístico”, afirma Stefan Reisinger, responsável pela feira alemã Eurobike. Marcas como Volkswagen, Continental, Audi, BMW, Bosch e tantas outras agora atuam firme no segmento e-bikes.

Fora da Europa, a China é sem dúvida o maior e mais promissor mercado. De acordo com Instituto Nacional de Estatísticas da China, rodam naquele País mais de 100 milhões de e-bikes e a produção saltou de 58 mil em 1998 para 33 milhões em 2011.

Além da bike completa, um novo mercado de componentes está em crescimento. São pneus, componentes de transmissão, selins, guidões, freios, correntes, baterias de reposição, acessórios de iluminação etc.

E-ESPORTE

Praticamente todas as grandes marcas oferecem modelos de e-MTB

Apesar de enfrentar preconceitos entre os mais puristas, as elétricas ganham espaço em várias modalidades. As mountain bikes elétricas, ou e-MTB, dão chance para quem não tem condicionamento para encarar longas e íngremes montanhas ou explorar trilhas íngremes e novas paisagens. Chegar no cume e curtir a descida é apenas uma possibilidade que uma e-MTB oferece. Na França, há seis anos algumas provas de enduro permitem e-MTB e no Brasil a Copa Internacional e o GP Ravelli oferecem categorias para elétricas.

“A elétrica amplia os horizontes. Eu faço de tudo na trilha. Salto obstáculos com e-MTB da Caloi de 23kg. O motor não é um limitador, é um boost”, garante Luciano Kdra.

Diferentemente de quem procura economia e agilidade no trânsito, ciclistas com pegada mais esportiva têm e-bikes leves e de alta performance voltadas à competição. São bikes que custam R$ 70 mil ou mais, valor suficiente para adquirir, por exemplo, duas motocicletas BMW de 800 cilindradas.

E-FRAUDES
No ciclismo de estrada as e-bikes têm uma origem menos nobre. Desenvolvidos pelo engenheiro húngaro Istvan Varjas por volta de 1998, pequenos micromotores ocultos no quadro fizeram a diferença em competições importantes como a clássica Paris-Roubaix e outras corridas do calendário europeu.

As primeiras denúncias feitas pelo jornal italiano Gazzetta Dello Sport em 2010 foram ridicularizadas e nada nunca foi provado, mas a UCI tomou providências imediatas e instalou pórticos de raio X nas principais provas do calendário mundial.

A Orbea Gain é uma discreta bike de estrada com motor elétrico e bateria ocultos no quadro

Em 2016, no mundial de ciclocross, finalmente a entidade flagrou um motor oculto na bike da belga Femke Van Den Driessche. De lá para cá, muitas aproveitaram a deixa e lançaram modelos de estrada com motor “de fábrica” e marcas consagradas como Giant, Orbea e Pinarello oferecem modelos com motor e a tendência é de expansão neste segmento. Mais do que enganar comissários em competições oficiais, o objetivo das e-road é democratizar o ciclismo e permitir que mais praticantes possam ter acesso a lugares (em especial, montanhas) que, sem a ajuda elétrica, a maioria dos ciclistas não teria condições de alcançar com as próprias pernas.

E-STRAVA
Atento à nova tecnologia, o aplicativo Strava criou a categoria “bike elétrica”, assim, na hora de postar uma atividade, o ciclista pode (e deve!) escolher esta opção para não fraudar o ranking resultados dos segmentos e KOMs. Vai da honestidade de cada um.

E-CUIDADOS
A Bosch recomenda que a e-bike seja mantida sempre limpa. Quem mora no litoral deve prevenir a corrosão com lavagens mais frequentes.

Antes da lavagem, a bateria deve ser removida, assim como o display de controle sempre que possível. Não deve ser usada máquina de alta pressão. No caso de inatividade por longo período, a bike deve ser guardada limpa e lubrificada. A bateria deve ter pelo menos 30% de carga e removida. O display também deve ser removido e guardado em lugar protegido das intempéries.

Por serem mais pesadas e terem o centro de gravidade localizado em uma região diferente de uma bike convencional (varia de modelo a modelo e depende da localização do motor e da bateria) é importante o ciclista habituar-se à nova bike. A Bosch recomenda que, antes de sair às ruas, deve-se fazer alguns exercícios de aceleração, frenagem e equilíbrio em um local seguro – como um estacionamento ou gramado – mais ou menos como fazem os motociclistas ao redor de cones.

Para quem vai pedalar longe de casa é importante levar o carregador, afinal, voltar para casa empurrando uma bike de mais de 20kg não é divertido.

Vale lembrar que o peso extra do sistema elétrico muda o comportamento da bicicleta e isto deve ser levado em consideração. Subir o Mont Ventoux ou o Alpe d’Huez é uma coisa, descer é outra e vai exigir, além de freios mais potentes, muita habilidade.

E-MANUTENÇÃO
Seja qual for a marca ou modelo de e-bike, é sempre importante verificar antes da aquisição como é o serviço de assistência técnica oferecido no Brasil. Sem peças de reposição ou manutenção adequados, uma bicicleta elétrica pode se transformar em um grande mico. Além do motor e demais componentes do sistema, a bateria tem vida útil.

É um bom começo perguntar na hora da compra quanto custa uma nova bateria. Em geral as baterias de íon de lítio duram cerca de mil ciclos de carregamento completo, o que significa algo em torno de 3 anos em média para uma bike urbana. Após este período, elas perdem cerca de 40% da capacidade de carga e autonomia.

A Pedalla, por exemplo, garante que, a cada importação de novas bicicletas feitas na China, 20% do contêiner são de peças sobressalentes.

No Brasil, a Shimano, por meio do importador oficial Blue Cycle, afirma que tem estoque para atender a demanda de garantias e reposição de componentes. O Shimano Steps tem garantia de um ano e, de acordo com Renan Peneluppi, a empresa garante o fornecimento de peças como manetes, visores e baterias, mas ainda não definiu o preço para o mercado brasileiro.

“Ainda não foi definido o preço, pois o contêiner ainda está na fase de nacionalização. Mas sei que na Europa uma bateria para o Steps E600 custa ao redor de 300 euros. O motor raramente dá defeito”, diz Peneluppi. A Caloi, que usa Shimano Steps, também não soube dizer o preço da bateria de reposição, mas garante que peças de reposição e manutenção estão entre as suas preocupações. A Shimano tem um plano de logística reversa para coletar baterias e componentes que eventualmente derem defeito ou que chegarem ao fim de sua vida útil para descarte e todas as lojas Service Center já estão recebendo treinamento para trabalhar com o Steps.

Já a Trek, que usa sistema Bosch, garante que vai oferecer assistência e peças de reposição no Brasil a partir de uma parceria com a empresa alemã.

Em um país gigante como o Brasil o pós-venda tende a ser complicado e algumas marcas, como a Vela e a Pedalla, têm oficinas volantes que vão até os lojistas para dar treinamento e  eventualmente também fazer manutenção corretiva.

“Queríamos oferecer ao público brasileiro uma bike de ponta. Optamos pelo motor central da Shimano por considerarmos o melhor sistema e também por contar com o pós-venda deles no Brasil. Ainda não sabemos o preço da bateria de reposição”, afirma Eduardo Rocha, da Caloi.

E-BIKES NO MUNDO – Fonte www.bosch-ebike.com
Em 2016 foram vendidas 2 milhões e-bikes na Europa
Em 2023 serão 3.3000.000 elétricas rodando na Europa
80% dos proprietários usam a e-bike como primeira de transporte
20% das e-bikes são usadas para lazer
A maior cicloviagem que se tem notícia foi de 16.000km ao redor da Austrália
A energia necessária para percorrer 10km numa e-bike é a mesma necessária para ferver 700ml de água
Um carro estacionado ocupa o espaço de 6 a 8 bicicletas
A bike elétrica é a opção mais rápida para se percorrer 5km nos grandes centros urbanos
Atualmente a Alemanha conta com mais de 3 milhões de e-bikes em uso
87% das e-bikes na Alemanha utilizam motores centrais (mid-drive)
O preço média de uma bicicleta elétrica é de 3.287 euros (cerca de R$ 12.700)
E-bikes cargueiras podem transportar até 200kg

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