Henrique Avancini: “Minha parte mental é hoje minha maior força”

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Henrique Avancini: “Minha parte mental é hoje minha maior força”

Em entrevista, brasileiro conta como mudou com o trabalho da psicóloga do COB Alesandra Dutra

Trabalho psicológico com Alessandra Dutra começou em 2015

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Atrás de um grande atleta sempre tem uma grande equipe de profissionais. Treinador, fisioterapeuta, massagista, mecânico e diversos auxiliares, além dos familiares e amigos que também ajudam e apoiam.

Na conquista do título mundial de mountain bike Marathon de Henrique Avancini uma profissional teve fundamental importância na trajetória do brasileiro até o pódio em Auronzo di Cadore, no último sábado (15 de setembro), na Itália.

Alessandra é uma das quatro psicólogas do COB

Desde 2015, Avancini tem o acompanhamento de uma psicóloga do COB, a doutora Alessandra Dutra. Alessandra, de 46 anos, é ex-bailarina e uma das quatro preparadoras mentais do Comitê Olímpico Brasileiro. Além de Avancini, Alessandra acompanha atletas de outras modalidades, como as seleções de handebol masculino e feminino.

A verdade é que além de muito foco, dedicação e treinamento, o lado psicológico é fundamental para todo atleta de alta performance, de todas as modalidades.

Há um ditado que diz que, em se tratando de atletas de níveis de performance muito parecido, vai vencer aquele que tiver o melhor psicológico.

Basta ver o replay da chegada para termos a certeza que Avancini teve uma atuação perfeita na corrida de sábado. O brasileiro chegou ao funil de chegada junto com o austríaco Daniel Geismayr e o colombiano Hector Leonardo Paez Leon. Depois de correr 102km em um percurso duríssimo com 4.600 metros de ascensão e considerado por muitos especialistas como o mais duro mundial de Marathon da história, Avancini arrancou para o sprint com decisão e cruzou a meta com 2 segundos de vantagem sobre Geismayr depois de 5h08min28s de prova.

“Eu sabia que a parte final do percurso, faltando cerca de 45km favorecia meu estilo e deu tudo certo”, explicou.

Avancini confirmou a vitória no sprint depois de mais de 5h de prova – Foto de Michele Mondini

Em uma entrevista coletiva em São Paulo na quarta-feira (19 de setembro), Avancini atribuiu o resultado na Itália como fruto do longo trabalho com Alessandra.

“Comecei o trabalho com a doutora Alessandra Dutra em 2015 e para mim foi um divisor de águas e ainda é. Na parte mental, talvez eu hoje enxergue como minha maior vantagem, minha maior força, e enxergo como a ferramenta em que tenho maior margem de crescimento. O trabalho com ela para mim tem um valor absurdo. Este trabalho e primordial e está muito longe de acabar ainda”, revelou o campeão.

O trabalho de Alessandra se baseia na psicologia positiva, que trabalha as virtudes do atleta, que busca potencializar aquilo ele já é forte, e despotencializa o que pode interferir no rendimento do atleta.

“Eu ainda não consegui digerir o que eu conquistei. Era uma coisa que eu mirava, almejava. Mas quando se realiza, não deixa de ser chocante. Eu acreditava todos os dias quando subia na bicicleta que um dia eu poderia ser o melhor do mundo e ainda estou processando isso”, explica Avancini.

Avancini conta que o título mundial tem um valor pessoal muito grande também por onde foi conquistado.

“Quando eu tinha 20 anos larguei a vida no Brasil para tentar carreira internacional na Itália. E essa foi uma fase muito difícil. Tive um manager que chegou até a me dizer que deveria abandonar a carreira”, lembrou.

Esta afirmação nove anos atrás reforçou ainda mais o desejo de Henrique de seguir batalhando.

“Quando ele me falou isso, eu aceitei de uma maneira boa. Foi quando refleti: se não tenho o que eles têm, vou ter o que eles não têm. E a partir disso, eu comecei a largar nas provas com uma única certeza: a de que eu tinha me preparado muito mais do que qualquer atleta. Eu ainda não me vejo e acho que nunca vou me ver como um cara talentoso no que eu faço, mas ainda sim, eu sou campeão mundial hoje”, diz.

Agora o foco de Avancini são os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. O campeão disse que aprendeu muito com as Olimpíadas do Rio e que, agora, está em uma fase de consistência e preparação.

“O ano de 2016 foi muito importante na minha jornada como atleta profissional. Eu cresci muito, mas tive uma lesão que perdurou a temporada inteira. E eu tive uma lesão na coluna, em consequência desse problema, durante os Jogos Olímpicos. A partir dela, eu pude reavaliar muitas coisas na minha carreira. Brinco que foi a melhor pior coisa que já me aconteceu, porque talvez tenha sido a única maneira de me colocar no caminho que eu estou hoje.”

Para a próxima temporada, Avancini quer empregar o aprendizado deste ano para conseguir resultados ainda mais expressivos.

“Este ano, busquei andar constantemente na frente e aprender mais sobre meus adversários. Agora, preciso começar a aplicar o que aprendi, e aumentar a minha eficiência competitiva ano que vem, para chegar pronto em 2020. Então, não tenho grandes alterações programadas. Mas, começo 2019 com um conhecimento que eu nunca tive e isso, na teoria, é uma vantagem muito grande”, finalizou.

ENTREVISTA COM ALESSANDRA DUTRA
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