Em novo livro, Wiggins elogia a “perfeição” de Lance Armstrong

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Em novo livro, Wiggins elogia a “perfeição” de Lance Armstrong

Em "Ícones", que será lançado quinta-feira, campeão do Tour de 2012 dedica um capítulo inteiro sobre Lance Armstrong e sustenta que o texano personifica o "vencedor perfeito"

Novo livro de Bradley Wiggins será lançado quinta-feira

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Sir Bradley Wiggins está com livro novo e o lançamento já deu o que falar. No livro, que se chama “Ícones” e que começa a ser vendido quinta-feira (1º de novembro), o ciclista dedica um capítulo inteiro ao texano Lance Armstrong. “Diz a lenda que Henri Desgrange, o pai do Tour de France, idealizou o ‘vencedor perfeito’, um super-atleta que não apenas derrotaria seus oponentes, mas também qualquer coisa que viesse pela frente. Lance personificou esse campeão que Desgrande tinha em mente há 120 anos”, disse Wiggins em entrevista sobre o livro ao jornal britânico The Times.

No livro, Wiggins revela momentos-chave de sua vida no ciclismo e comenta sobre alguns de seus maiores e polêmicos heróis. No capítulo sobre Lance Armstrong, o campeão do Tour de France de 2012, que hoje tem 38 anos, lembra seu primeiro encontro com o texano, vencedor do Tour em sete edições, mas que depois admitiu ter usado doping em todas as vitórias e acabou banido do esporte para sempre.

O britânico, que tinha 13 anos quando Armstrong se tornou campeão mundial em 1993, diz que era fã do norte-americano desde a adolescência. Quando estreou no pelotão profissional, em 2002, Armstrong já era tricampeão do Tour. “Eu o conheci em uma corrida. Estava ao seu lado e ele me disse: “Como você está indo, Wiggo?” e sorriu para mim. Eu me senti com 10 pés de altura porque… bem, porque ele era Lance Armstrong. Será que eu posso dizer isso, ou afirmar algo assim me faz algum tipo de herege?”

Lance Armstrong e Bradley Wiggins no Tour de 2009 Foto:GettyImages/Arquivo

Wiggins sustenta que para ser um vencedor do Tour de France o ciclista precisa “ocasionalmente, ser um sociopata limítrofe” e também  “um ser humano muito especial e muito motivado”. “Aí reside o paradoxo de Lance Armstrong ter sido despojado”, continua. “Seus oponentes não necessariamente gostavam dele, mas certamente o respeitavam”.

“Eu me sinto privilegiado por ser um membro desse grupo de malucos; nós não somos o que você pode chamar de pessoas normais’. Mas ‘normal’ certamente não lhe garante o Tour de France”, afirma Wiggins.

O britânico é questionado por ter mudado de tom sobre Armstrong, a quem chamou em janeiro de 2013 de “bastardo mentiroso”. “Eu vejo o lado humano agora. É o que é. Lance pagou o preço pelo que fez. Ok, o esporte sofreu, mas ele não estava sozinho nisso. Acho que ele também foi escolhido.”

Wiggins, que em uma recente entrevista a uma rádio britânica disse que Armstrong é icônico “quer as pessoas gostem ou não”, voltou a ser notícia depois da revelação de que tinha conseguido permissão para usar um poderoso esteróide antes de correr Grand Tours. A Sky refutou a informação mas um relatório preliminar apontou que a equipe “cruzou a linha ética” ao permitir que Wiggins usasse a substância triancinolona, usada terapeuticamente contra asma e alergias, doenças que ele nunca reportou.