Temas do Natal inspiram artistas do pedal no Strava

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Temas do Natal inspiram artistas do pedal no Strava

Papai Noel e outros temas natalinos tomam conta da rede social dos ciclistas; britânico Anthony Hoyte é um dos mais celebrados entre os artistas do Strava

Anthony Hoyte pedalou 66km para desenhar o Papai Noel

Do Bikemagazine
Fotos: reprodução

O Natal está chegando e, no Strava, muitos ciclistas estão usando a rede social de quem pedala para mandar suas mensagens de boas festas. Um dos mais notórios é o britânico Anthony Hoyte, de 49 anos, que já ganhou prêmios com suas stravarts. Nesta temporada, desenhou um Papai Noel após pedalar 66km em 4h35 que tem feito sucesso nas redes sociais. No ano passado, o mesmo Hoyte “desenhou” um boneco de neve após 142km de pedal.

Boneco de neve de Hoyt após 142 km de pedaladas

Em entrevista à imprensa britânica, Hoyte falou sobre sua arte:

O que inspirou você a se engajar a fazer arte no Strava?
Anthony Hoyte: Eu vi outras pessoas fazendo, em especial o canadense Stephen Lund e pensei “Vou tentar fazer isto”. Eu tenho um histórico de criatividade – eu estagiei como designer – mas eu não uso no meu trabalho, então estou sempre em busca por criatividade.. Meu primeiro desenho ficou meio rudimentar, mas eu persisti e gostei do desafio de prosseguir em busca de outros. Se eu puder entreter outros, melhor.

Como você faz o planejamento? Você faz um estudo antes? ou você abre um mapa e procura por formas existentes nas ruas? 
Eu estudo o Google Maps e outros mapas online e procuro por formas existentes nas ruas, mais ou menos como procurar desenhos nas nuvens. Se alguma coisa aparece para mim – como talvez uma rua que parece um nariz – então eu tento encontrar formatos de olhos e assim vai. Se nada surgir, eu tento outra coisa, mas eu continuo voltando a lugares para checar o que eu vi. Ligar e desligar o mapa de satélite, girar e dar zoom também ajuda às vezes. Uma vez que a rota começa a tomar forma eu uso o Bing e o Google Streetview para ver mais de perto e verificar melhor como é um cruzamento or para ver se tem algum caminho de pedestre que eu possa usar, ou mesmo verificar o horário de funcionamento do estacionamento de algum supermercado que eu precise atravessar.
 
Você chega a entrar no quintal de pessoas para conseguir o formato perfeito de um olho, por exemplo?
Sempre que possível eu me mantenho nas ruas, embora eu atravesse parques e estacionamentos, ou mesmo campus de universidades se precisar. Algumas vezes eu tive que dar um “pause and resume” no Strava, pedalar para outro lugar e então ligar o Strava de novo, para criar uma linha reta entre dois pontos, quando eu tiver que contornar uma rua fechada ou outros obstáculos não previstos. Mas isto parece trapaça e eu planejo as rotas para serem contínuas.

Você faz tudo região onde você mora? ou você procura outras áreas para encontrar as ruas perfeitas para desenhar um boneco de neve?
Eu moro ao lado de Cheltenham, que não é uma cidade muito grande. Eu fiz alguns desenhos aqui, mas é muito mais fácil fazer desenhos em lugares que tenham muitas ruas. Então acabei visitando outras cidades do Reino Unido, como Birmingham, Bristol, Cardiff, Leeds, Londres e Sheffield até o momento. Algumas dessas viagens eu combinei com meu trabalho e visitas a amigos e familiares.  Eu gostaria de tentar fazer algo internacional. Eu vejo os padrões regulares em forma de grade de cidades norte-americanas e acredito que seria um desafio diferente. A maior parte dos desenhos começam com as formas que encontro no mapa, mais do que sentar e dizer “vou desenhar um pato”, ou o que seja. Meu boneco de neve de 2017 e o Papai Noel deste ano foram muito mais difíceis de planejar.

Como você sabe que você está desenhando certo? Você faz uma rota curva por curva?
Nos primeiros desenhos eu escrevia uma longa lista do itinerário, mas percebi que não era prático então eu passei a usar o Wahoo. Agora eu ploto meu roteiro no Ride com o GPS e sigo a rota no Wahoo. Gravo no Wahoo e no meu celular e vou verificando durante a pedalada. Sempre erro um pouco e tenho que voltar às vezes e para checar. Quase sempre preciso empurrar a bike em áreas cheias de pedestres, ruas que preciso trafegar na contramão e etc. Nunca é rápido.

Você faz  alguma edição de pós-produção? Ou você acha que seria sacanagem fazer isto?
Não existe pós-produção, pois isto definitivamente seria trapaça.

MAIS ARTE
Mas há muito mais no Stravart. Selecionamos outros exemplos abaixo. Confira:

Papai Noel por Pam Smith

Stravart postado por Stumar44

Árvore de Natal por Alex.on.bike

Saiba mais sobre o aplicativo
O Strava, além de ser uma comunidade virtual, é também uma gigantesca fonte de informações e ferramenta de apoio ao treinamento. Nele estão muitos dos nossos parceiros de pedal, ciclistas que admiramos, ciclistas que nem conhecemos, profissionais, ex-profissionais, iniciantes, experientes… treinos, provas e até mesmo o deslocamento diário para o trabalho pipocam o tempo todo na timeline.

Veja algumas dicas do treinador Gabriel Vargas sobre o Strava

Dica #1: Navegue no Strava pelo computador
O aplicativo é prático e simples, mas perde muitos – quase todos – recursos. Tudo que vou mostrar adiante, por exemplo, é baseado no Strava via navegador. Sei que muitas pessoas ainda não tiveram a oportunidade ou a curiosidade de explorar o site e ver o que tem lá. Se você é um deles, faça-o! Você vai perceber que ele tem navegabilidade simples, com uma interface muito leve, clara e funcional. Há até uma incrível extensão para o navegador Google Chrome, chamada StravistiX (dentre outras semelhantes, mas que nunca testei), que adiciona dezenas de funcionalidades às páginas do Strava.

Dica #2: App ou unidade GPS?
Quem não tem cão caça com gato, e quem não tem Garmin registra as atividades com o aplicativo para smartphones. É o caso da maioria dos usuários, segundo a própria empresa. Há quem pense que os celulares são imprecisos, o que é verdade apenas em parte. Ao usar o aplicativo, suas distâncias, velocidades e tempo (inclusive em segmentos) serão bem precisos, exceto em caso de perda de sinal de GPS – o que também pode acontecer com o Garmin. O problema do aplicativo é que a elevação acumulada costuma ser exagerada.

Dica #3: Acompanhe seu treinamento
O Strava é , antes de tudo, um excelente training logger. A internet está cheia deles, e alguns são bem conhecidos, como o Endemondo e o Garmin Connect. Veja bem: faz parte do meu trabalho como treinador analisar sistematicamente os registros de treinos dos atletas. Faço isso em um software específico, mas às vezes preciso apenas dar uma olhada se o aluno cumpriu corretamente o treino, ou qual foi a FC alcançada em um exercício prescrito em X watts de potência. O Connect, por exemplo, é uma dor: lento, confuso e pouco intuitivo. O Strava, por outro lado, é leve e funcional.

Dica #4: Olhe e aprenda a usar a ferramenta de análise de atividade
Analisando os dados de uma prova de estrada da categoria elite feminina. Há uma série de subidas curtas pouco após o início, uma subida longa e não muito dura no meio e uma subida longa e dura próxima ao final.
Analisando os dados de uma prova de estrada da categoria elite feminina. Há uma série de subidas curtas pouco após o início, uma subida longa e não muito dura no meio e uma subida longa e dura próxima ao final.

Aqui está o pote de ouro para quem gosta de ver o esforço por meio de números. Abra uma atividade (o registro de um treino) e entre em “análise”, à esquerda. Você verá o mapa, o perfil altimétrico, a correspondência dos segmentos, e uma representação linear (a partir da distância percorrida ou do tempo real decorrido) de todos os dados que estiverem disponíveis: velocidade, potência (aferida ou estimada), frequência cardíaca, cadência e temperatura. À esquerda, os valores máximos e médios para o trecho selecionado. Passe o mouse sobre os gráficos e você terá uma leitura de cada ponto. E o melhor, é possível selecionar um trecho da atividade, clicando e arrastando o mouse. O Strava irá indicar a duração, distância, desnível e gradiente de inclinação (se for o caso) da seleção, bem como as máximas e médias de todos os sensores apenas do trecho selecionado. É excelente para analisar apenas uma determinada parte do treino. Além disso, você pode arrastar, ampliar e reduzir a seleção.

Dica #5: Defina metas
Ok, definir metas para segmentos é uma outra função Premium, mas qualquer um pode escolher um segmento legal e anotar em um papel o tempo-alvo. Por exemplo, você já subiu forte aquela serrinha técnica e dura perto da sua cidade, mas está lá no meio do bolo no ranking do segmento. Será que consegue melhorar o tempo em 10, ou 15%? Ou ainda, quanto falta para colocar seu nome na primeira página do ranking?

Para muitos, buscar um RP (Recorde Pessoal, a medalhinha de ouro) é uma brincadeira simples que ajuda a manter a motivação. Nós queremos melhorar, ficar sempre pelo menos um pouco (ou muito mais) mais fortes e resistentes. O segmentos são uma boa maneira de propor um desafio pessoal e manter o treinamento em dia.

Dica #6: Compare esforços
Ao selecionar um segmento em uma atividade, você pode clicar em “comparar” e ter acesso a outra função interessante. O Strava irá elaborar uma corrida virtual entre o esforço selecionado e o melhor tempo disponível – que pode ser o seu melhor tempo, ou o tempo do atual KOM, ou mesmo o tempo do segundo colocado no ranking, caso você seja o KOM. Embora sua utilidade prática seja restrita a situações muito específicas, a comparação ajuda a entender onde você está indo bem ou indo não tão bem em relação aos outros ciclistas.

Dica #7: Compare suas atividades semelhantes
Dedique um tempo a procurar e revisar seus treinos antigos. Comparar treinos realizados em percursos e condições semelhantes é uma maneira válida, embora muito pouco precisa, de verificar os efeitos do seu treinamento. Selecione trechos equivalentes e veja os gráficos e os números. Você pode descobrir coisas interessantes sobre como seu corpo reage atualmente e como reagia há um ano atrás, por exemplo.

Dica #8: Descubra novos lugares
Se você é novo na cidade ou está preparando uma viagem de bike, vale a pena utilizar 3 estratégias para conhecer novos lugares adequados para a sua modalidade. Primeiro, experimente o sensacional Strava Heat Map, que mostra os locais mais “pedalados” no mundo inteiro, baseado nos dados das atividades (labs.strava.com/heatmap/). Segundo, invista um tempo no “Explorador de segmentos”, uma seção com um mapa em que aparecem os segmentos da região visualizada. Terceiro, abra atividades aleatórias nos segmentos que você explorou e veja o percurso feito pelos ciclistas, de onde saem, quais lugares/estradas evitam e onde param para lanchar. É possível descobrir muita coisa com uma boa investigação!

Dica #9: Esqueceu o GPS ligado? Crop!
Situação muito comum: acabou a trilha, a bike vai pro teto do carro, bate-papo com o resto do pessoal, ir embora pra casa tomar um banho. Tudo isso sem encerrar a gravação da atividade. Depois do upload, o que era um pedal de duas horas vira uma viagem com máximas de 120 km/h e KOM em todos os segmentos pelo caminho. Não é bonito nem engraçado: aprenda a recortar a atividade! Encontre o ponto onde o treino deveria ter terminado e exclua a porção a partir dali. Vai evitar que sinalizem sua atividade!

Dica #10: Quando e como sinalizar atividades
O Strava é uma comunidade moderada e policiada pelos próprios membros. Se algum engraçadinho resolve gravar todas as idas para o trabalho de carro no Strava (acredite, há quem faça isso na cara dura), cabe a nós manter a ordem e sinalizar a atividade que não corresponde ao espírito da comunidade. Há outros casos, como o exemplo do “esquecimento”, ou registros com dados corrompidos. Essas atividades incorretas acabam poluindo os rankings de segmentos. Outra situação, essa mais polêmica, acontece quando o ciclista vai no “vácuo”, seja planejado (como um treino de ritmo atrás da moto do treinador) ou quando passa aquele caminhão lento e, adivinhe, lá vai o ciclista atrás sendo sugado quilômetros afora.

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