Bikemagazine conferiu: saudade não tem idade no Giro Vecchio

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Bikemagazine conferiu: saudade não tem idade no Giro Vecchio

O clima é de puro saudosismo e as bikes antigas enfileiradas para a largada do evento, inspirado no L'Eroica italiano, atraem as atenções em Santo Antônio do Pinhal

Giro Vecchio celebra as bikes antigas

Do Bikemagazine
Texto e fotos: Dani Prandi

O clima é de puro saudosismo. As bikes antigas voltam à estrada e os ciclistas de agora capricham no visual de antigamente para compor a cena. Saem dos baús uniformes de equipes do passado, geralmente de lã; o boné e o embornal, aquelas pequenas bolsas usadas para carregar lanches e itens essenciais para uma boa pedalada, estão garantidos no kit do Giro Vecchio, cuja edição mais recente, neste final de semana (dias 23 e 24 de fevereiro), recebeu um número recorde de 60 participantes na pequena Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, interior paulista.

Bicicletas na largada do evento

Elpídio Dutra faz a inspeção

Participante usa uniforme de equipe belga 

Uniforme da equipe de ciclismo do Guarani, time de Campinas

A inspiração vem do L’Eroica, na Itália, e o evento, organizado pelo Sampa Bikers, já começa na noite de sábado, celebrada com queijos e vinhos. Ao lado da vitrola, uma pilha de discos espera sua vez enquanto participantes e convidados vasculham as barraquinhas repletas de itens de um passado não tão distante. Muitos levam suas bicicletas antigas para a praça e logo aparecem os curiosos. Há alguns carros antigos também, e outras preciosidades, como um telefone público que funcionava com fichas.

Na manhã seguinte as bicicletas chamam ainda mais atenção, enfileiradas sob o sol. São basicamente bikes de estrada, algumas delas verdadeiras relíquias, que passam pela inspeção do ciclista e especialista Elpídio Dutra antes da largada. Algumas receberão a “placa preta” que vão torná-las item de colecionador. “O principal é que as peças, quando repostas, devem combinar com o ano da bicicleta”, ensina. “É claro que o ideal é que seja tudo original, mas não são considerados, por exemplo, pneus, raios e pedais”, completa.

Relíquias do Giro Vecchio

Telma Zanata, da Ciclo Costura

Uma das barracas mais prestigiadas é a da Ciclo Costura, que vende bonés de ciclismo 100% algodão e cera para hidratação de couro. A criadora, Telma Zanata, que também é ciclista e tem uma coleção de bikes antigas, conta que percebeu que muitas bicicletas do passado sofriam com o ressecamento e resolveu apostar no lançamento das ceras, feitas com matéria-prima comprometida com a preservação da natureza. “É interessante usar a bicicleta, a cultura do ciclismo, Para disseminar ideias. E também para resgatar a história, em um país como o Brasil, tão sem memória”, completa.

Otoni Gali Rosa, de 80 anos

Christian Brasil e Paulo de Tarso, do Sampa Bikers

Aos 80 anos, Otoni Gali Rosa é um dos participantes assíduos do evento. Ele conta que sempre pedalou e que prefere mesmo é mountain bike. “Fazia MTB antes do MTB existir”, diverte-se. Foi aos 60 anos, “quando os joelhos acabaram”, que ele começou a levar o ciclismo a sério, mas ficava frustrado por não haver corridas para sua categoria de idade. Depois, quando o L’Étape chegou ao Brasil, resolveu disputar a prova, e foi para o pódio nas três edições realizadas até agora.

Já Christian Brasil, de 29 anos, estava no Giro Vecchio pela primeira vez. Paulo de Tarso, organizador do evento, e criador do Sampa Bikers, o conheceu no L’Eroica e o convidou. “Fui para o evento na Itália por indicação de um amigo. Foi muito legal, apesar da dureza”, conta o ciclista, que tem uma Caloi 10 1977 “toda Campagnolo” e encarou os 209 quilômetros do percurso italiano sem grandes problemas.

Paula Casarini no percurso do Giro Vecchio

A cicloativista Renata Falzoni

Paula Casarini, com sua Monark Brisa 1978 reformada, resolveu levar a família e o noivo para se divertir no Giro Vecchio. “Morei em Pádua, na Itália, e passei a usar a bicicleta como meio de locomoção. Lá é tudo plano e fica fácil”, conta a jovem, que caprichou no visual. Vários outros casais eram vistos alinhados para a largada, que foi animada por um cover do Elvis e homenagens.

“É interessante um evento que traz as bikes de volta à vida”, resumiu a ciclista e ativista pela mobilidade urbana Renata Falzoni, uma das homenageadas. Outro homenageado foi o lendário Bruno Caloi, já falecido, que foi representado por seu filho, Tito, dono de sua própria marca de bicicletas, a Tito Bikes, que fez questão de usar a boina favorita de seu pai.

Percurso foi de 23km pela região de Santo Antônio do Pinhal

Pelas estradas do Giro Vecchio

O cover do Elvis é o encarregado de dar a largada. O percurso é de 23 quilômetros, com estrada de terra e um trecho asfaltado, e uma parada para piquenique. Na pedalada, o clima é de confraternização e o último a chegar leva uma lembrança extra, a “maglia nero”, uma camisa preta que, para muitos, é até cobiçada. Os participantes recebem um cartão de presença onde devem constar três carimbos: largada, parada para o lanche e chegada, com direito a medalha. A despedida é com muitos sorrisos, algum cansaço e a promessa de que vão repetir a experiência nos próximos Giro Vecchio.

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