Confirmado: belga Campenaerts vai tentar quebrar o recorde da hora

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Confirmado: belga Campenaerts vai tentar quebrar o recorde da hora

Campeão belga e europeu de contrarrelógio quer superar a marca de 54,526 quilômetros de Bradley Wiggins, estabelecida em 2015; saiba mais sobre o recorde da hora

Victor Campenaerts vai tentar o recorde da hora em abril, no México

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

A UCI (União Ciclística Internacional) confirmou nesta terça-feira (26 de fevereiro) que o campeão belga Victor Campenaerts (Lotto Soudal) vai tentar quebrar o recorde da hora entre os dias 16 e 17 de abril no Velódromo Bicentenário em Aguascalientes, no México. O recorde atual é do britânico Bradley Wiggins, que marcou 54,526 quilômetros no Lee Valley VeloPark, em Londres, em junho de 2015 (reveja aqui).

Campeão europeu de crono em 2017 e 2018, Campenaerts, de 27 anos, foi bronze no contrarrelógio do Mundial de 2018, em Innsbruck, na Áustria, quando o australiano Rohan Dennis faturou o ouro e o holandês Tom Dumoulin ficou com a prata.

“O recorde da hora é um desafio único”, diz o campeão belga de crono

“O recorde da hora é um desafio único no ciclismo e vencê-lo seria uma maneira de escrever meu nome na história do esporte. Eu respeito muito Bradley Wiggins e não me considero um atleta melhor do que o ex-campeão do Tour de France e cinco vezes campeão olímpico. No entanto, levando em conta todos os detalhes possíveis, espero ter a chance de bater o recorde. Pessoalmente, o recorde da hora, o título mundial de contrarrelógio e a medalha olímpica de crono são os três sonhos que quero perseguir nos próximos anos”, comentou.

Depois do Mundial, o belga começou a treinar para a quebra do recorde. Fez testes no Vélodrome Suisse, em Granges, na Suíça, e depois viajou para a Namíbia, na África, quando ficou dois meses em treinamento em altitude. Campenaerts deve participar da Tirreno-Adriático (de 13 a 19 de março), que inclui um contrarrelógio por equipes no dia da abertura e uma crono individual no encerramento, antes da tentativa de quebra do recorde.

Situado a 1.800 metros acima do nível do mar, o Velódromo Bicentenário já recebeu várias tentativas de quebra de recorde da hora e também já sediou grandes eventos do calendário do ciclismo de pista, incluindo várias rodadas da Copa do Mundo de Pista e o Campeonato Mundial de Pista de Paraciclismo  (em 2014).

O presidente da UCI, David Lappartient, comentou: “Estou muito contente em ver que o recorde da hora continua a gerar tanto interesse entre os ciclistas mesmo depois de Bradley Wiggins elevar a disputa ao mais alto nível. Victor é um excelente especialista e mal posso esperar para ver como ele se sai no México em abril, sabendo o papel que a altitude pode desempenhar em performances excepcionais. ”

Indurain pedala na “Espada” no recorde da hora, em 1994

História
No recorde da hora, o objetivo é pedalar a maior distância durante 60 minutos, utilizando uma bicicleta convencional, semelhante às que são usadas nas provas de perseguição em pista. 

O desafio foi criado em 1893 por Henri Desgrange, fundador do Tour de France, que, na época, marcou 35,325 quilômetros.

Desde 2000 que a UCI adequou suas regras para o recorde porque houve ocasiões em que foram usadas bicicletas modificadas, como a “Espada” (da Pinarello) desenhada para Miguel Indurain em 1994 ou a “Old Faithful” do escocês Graeme Obree, que no mesmo ano bateu a marca do espanhol com uma bicicleta desenvolvida por ele mesmo, inspirada no movimento de rotação de uma máquina de lavar.

Nos anos 1990 houve muito barulho em torno do recorde. Além de Indurain e de Obree, outros atletas, como Chris Boardman e Tony Rominger, encararam o desafio. O auge foi no ano de 1994, quando, entre abril e novembro, a marca foi quebrada 4 vezes, até atingir os 55,291 quilômetros de Rominger.

Bradley Wiggins no velódromo de Londres em 2015

O recorde da hora ficou um tanto quanto esquecido depois da  marca de 49,7 quilômetros, batida em 2005 pelo tcheco Ondrej Sosenka. Em 2014, porém, voltou à cena e novamente houve uma sucessão de quebras. O primeiro foi o alemão Jens Voigt (51,115 quilômetros), depois veio o austríaco Matthias Brandle (51,852 quilômetros).

Um ano depois foi a vez do australiano Rohan Dennis, que marcou 52,491 quilômetros, e depois o britânico Alex Dowsett, que estabeleceu o recorde em 52.937 quilômetros no velódromo de Manchester, na Inglaterra. Até que apareceu Bradley Wiggins, que sonhava com a marca de 55 quilômetros, mas acabou fechando em 54,526 quilômetros – mesmo assim uma marca difícil de superar.

DATAS HISTÓRICAS DO RECORDE DA HORA
1876 (1ª tentativa) | Frank Dodds | 26,508 km
1893 (1ª tentativa oficial) | Henri Desgrange | 35,325 km
1898 | Willie Hamilton | 40,781 km
1935 | Giuseppe Olmo | 45,090 km
1972 | Eddy Merckx | 49,431 km
2000 | Chris Boardman | 49,441 km
2005 | Ondrej Sosenka | 49,700km
2015 | Bradley Wiggins | 54,526 km

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