Memória: Marco Pantani, 15 anos sem Il Pirata

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Memória: Marco Pantani, 15 anos sem Il Pirata

Ciclista italiano foi encontrado morto aos 34 anos, no dia 14 de fevereiro de 2004; filme sobre a vida do ciclista vai estrear no Festival de Veneza de 2019

O italiano Marco Pantani: circunstâncias da morte serão investigadas

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação/arquivo

Há 15 anos morria Marco Pantani, encontado morto no dia 14 de fevereiro de 2004 aos 34 anos. A causa da morte, de acordo com a autópsia, foi overdose de cocaína. A família do ciclista italiano jamais aceitou o veredito e, repetidamente, pediu a reabertura do caso.

Pantani, “Il Pirata”, amado pelos fãs do ciclismo, teve sua história contada em livros, programas de TV, documentários, peças de teatro, músicas e poesias. Agora, chega ao cinema, ainda nesta temporada. A organização do prestigiado Festival de Veneza anunciou que aguarda a finalização do filme, que se chamará “O Caso Pantani”, com direção de Dominic Ciolfi para exibição na mostra de 2019, em setembro.

“Il Pirata”, com seu lenço na cabeça, cabeça raspada, argola na orelha e um corpo franzino de 57 quilos distribuídos por 1,72 metros na bicicleta, será vivido por atores diferentes em suas diferentes fases da vida.

Pantani, um ídolo do ciclismo

A controvérsia em torno da morte de Pantani, cujo corpo foi encontrado no dia 14 de fevereiro, quando em diversos países se comemora o Dia dos Namorados, continua gerando muitas teorias da conspiração. “No final, as dúvidas surgem naturalmente, então qualquer um pode ter uma teoria sobre o que aconteceu”, afirma. Ciolfi conta que pesquisou o arquivo do processo aberto pelos promotores de Rimini e Forli para investigar a morte de Pantani e sua expulsão do Giro no dia 5 de junho de 1999.

Ali, as hipóteses examinadas pelos magistrados foram de possível assassinato em vez da morte por overdose e a manipulação do teste de doping. Por falta de provas, a investigação foi arquivada. “Há tantas perguntas, depois de ler as ações vê-se que há questões importantes que permanecem sem resposta”, diz o diretor.

Pantani venceu o Giro D’Itália e o Tour de France em 1998 e estava pronto para o Giro de de 1999 quando foi afastado devido a um hematócrito acima do máximo permitido de 50%. O italiano poderia ter voltado a competir depois de 15 dias, mas não o fez. Na ocasião, teria ficado deprimido e começado a usar cocaína.

Em 2014, jornal italiano diz que Promotoria reabriu o caso e manchetou: “Pantani foi morto”

Pantani foi encontrado morto em um quarto de hotel em Rimini em 2004. Em 2008, Fabio Carlino foi condenado por fornecer a cocaína que matou Pantani a uma pena 4 anos e 6 meses de prisão, recebeu uma multa de € 19.000 e foi condenado a pagar indenização de € 300.000 para a família do ciclista. No entanto, a pena foi anulada em 2011, quando o procurador-geral Oscar Cedrangolo convenceu a todos de que a repercussão do caso levou ao que ele chamou de uma “atribuição excessiva de responsabilidade” para Carlino e os demais acusados.

Em 2014 o promotor Paolo Giovagnoli, de Rimini, reabriu o caso como um possível “homicídio” a partir da versão atual de que o ciclista teria tomado uma overdose, mas há fortes suspeitas de que ele teria sido forçado a ingerir grandes quantidades de cocaína. Nesta investigação foi divulgado que o corpo de Pantani mostrava sinais de agressão e que o quarto onde ele estava foram alterados antes da chegada da polícia. A família de Pantani há muito tempo reivindicava a reabertura do caso, principalmente após a confirmação de que a quantidade de cocaína encontrada no corpo do ciclista era tão grande que tal dosagem só seria possível se tivesse sido diluída em água.

Marco Pantani com a maglia rosa

No mesmo ano, a fatídica expulsão de Pantani do Giro, após a subida a Madonna di Campiglio, voltou aos tribunais, quando o promotor público Carlo Sottani, da cidade de Forli, reabriu o caso. Uma das linhas de apuração apontava o envolvimento da Máfia em fraudes esportivas e apostas ilegais.

Na nova investigação, trechos de depoimento de 2007 do mafioso italiano Renato Vallanzasca sobre apostas ilegais foram apresentados. Enquanto estava na prisão, em 1999, Vallanzasca apostou contra Pantani, apesar de todas as indicações de que o Giro D’Itália estava definido e que o ciclista italiano iria vencer pelo 2º ano seguido. Mas, na ocasião, o mafioso teria dito que Pantani não iria terminar a prova. Nunca se divulgou quanto ele teria lucrado.

Na ocasião, Pantani estava com a maglia rosa, tinha uma vantagem de mais de 5 minutos no topo da classificação e havia somente mais uma etapa de montanha no caminho. Além disso, estava no auge, mas acabou a prova expulso e tirado pela polícia, o que se tornou um fenômeno de mídia na época.

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