Mundial de Pista: para Kristina Vogel, cadeira de rodas não é o fim

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Mundial de Pista: para Kristina Vogel, cadeira de rodas não é o fim

"Estou numa cadeira de rodas, mas não é o fim da minha vida", disse a bicampeã olímpica, que ficou paralisada após acidente em treino no ano passado e agora retorna como comentarista

Após acidente em treino, Kristina Vogel ficou paraplégica e agora estreia como comentarista

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação/UCI

Durante as disputas do Mundial de Ciclismo de Pista em Pruszkow, na Polônia, de 27 de fevereiro a 3 de março, enquanto os principais nomes do esporte voavam no velódromo, a bicampeã olímpica Kristina Vogel emocionava os fãs. A alemã, que ficou paraplégica aos 28 anos, após um acidente de treino em junho do ano passado, estava de volta ao velódromo, agora como convidada especial. “Estou numa cadeira de rodas, mas não é o fim da minha vida”, disse.

Kristina Vogel, bicampeã olímpica e 11 vezes campeã mundial 

Kristina, nascida no Quirquistão e radicada na Alemanha, tem um currículo invejável, com 11 títulos mundiais em várias modalidades do ciclismo de pista, além das duas medalhas de ouro olímpicas, conquistadas em Londres-2012 e Rio-2016. Sua carreira foi interrompida na pista de Cottbus, na Alemanha, quando, rodando a 65 quilômetros por hora, outro ciclista entrou na pista e a colisão foi inevitável. O acidente provocou um trauma na coluna vertebral, na altura na sétima vértebra, e ela passou por várias cirurgias. Em setembro, à revista alemã Der Spiegel, a ciclista confirmou que tinha ficado paralisada da cintura para baixo.

Convidada especial do Mundial 2019, Kristina Vogel estreou como comentarista. Em entrevistas, afirmou que sua paixão pelo ciclismo de pista continua forte. “O fogo ainda está aqui. Quando estou assistindo, ainda arde”, disse ela em entrevista à AFP (Agência France Presse). “Quando vejo como os atletas lutam na pista, a alegria de vencer e depois celebrar, tudo ainda me emociona. Espero poder passar aos espectadores que acompanham o Mundial na Polônia o fogo que ainda tenho em mim pelo esporte”.

A ciclista contou que foi por causa da fé de sua mãe que ela conseguiu se manter positiva. “Minha mãe me deu muito … ela sempre me dizia que, mesmo que eu não fosse religiosa, ela achava que Deus nos dá tarefas que ele acha que podemos cumprir. Para mim, significa apenas que existe alguém que pensa que sou muito forte. Isso torna esses desafios mais fáceis de aceitar e, de alguma forma, é preciso tirar o melhor proveito disso. ”

Durante o Mundial, ela contou que pretende se dedicar a uma nova modalidade, o arco e flecha em cadeira de rodas. “No momento, não sinto falta da competição, mas estou treinando arco e flecha porque é importante para que eu me mantenha bem. Estou paralisada até o peito, o que significa que não consigo mover meus músculos abdominais ou as costas, mas ainda preciso usá-los no dia a dia. Então, qualquer esporte que eu possa fazer é bom”, afirmou.

Fora do esporte, Vogel, que trabalhava como policial antes do acidente, está concorrendo às eleições municipais de maio como candidata ao Partido Democrata Cristão (CDU) de Angela Merkel.

Veja vídeo da BBC

A sucessora (?)
Sem Kristina Vogel na disputa, quem chamou atenção foi Lee Wai Sze, de Hong Kong, que, aos 31 anos conseguiu conquistar seus dois primeiros títulos mundiais, na prova de velocidade e no keirin.

Lee Wai Sze, de Hong Kong, encerra com dois títulos mundiais

Neste domingo, vale destacar, Lee dominou a final do keirin, que não contou com a presença da campeã mundial de 2018, a belga Niki Degrendele, sancionada pelo júri por ter desviado sua trajetória nas semifinais. A australiana Kaarle McCulloch acabou ficando com a prata e a russa Daria Shmeleva com o bronze.

Kacio Freitas, o único brasileiro no Mundial de Pista Foto: CBC

Brasil no Mundial
Kácio Freitas, que conquistou pontos nas quatro primeiras etapas da Copa do Mundo, foi o único brasileiro na disputa do Mundial, na prova do keirin. O brasileiro perdeu nas duas baterias e, na repescagem, foi derrotado pelo holandês Matthijs Buchli, que faturou a medalha de ouro.

Histórico
O ciclismo de pista foi regulamentado em 1900 pela Associação Internacional de Ciclismo, antecessora da UCI. A disputa de pista é a prova mais antiga dos mundiais de ciclismo, que começou a ser realizado em 1893. O evento de 2019 é a 116ª edição da competição.

O Mundial na Polônia teve provas de keirin, sprint individual e por equipes, contrarrelógio, perseguição individual e por equipes, corrida por pontos, scratch, omnium e madison. Mais de 450 atletas de 49 países (260 homens e 192 mulheres) estavam na disputa. Os melhores momentos podem ser conferidos no canal de vídeos da UCI