Bikemagazine no GiroE: pedalamos nas montanhas do Giro d’Italia

HomeCompetiçõesGiro D'Itália

Bikemagazine no GiroE: pedalamos nas montanhas do Giro d’Italia

Bikemagazine participou da última semana do GiroE, o primeiro Grand Tour com bikes elétricas; confira como foi, saiba mais sobre a prova e veja vídeos

Evento contou com 10 equipes de 6 ciclistas

Texto de Marcos Adami
Fotos da Agência Nacional de Turismo da Itália

As bicicletas com assistência elétrica entraram definitivamente no mundo das competições. Na Europa vários campeonatos de Enduro já foram realizados e este ano será conhecido pela primeira vez o campeão mundial de e-mountain bike organizado pela UCI.

A equipe ENIT na largada da Etapa Rainha do Giro

As e-bikes chegaram agora ao Grand Tour com a primeira edição do GiroE, a versão elétrica do Giro D’Itália. O evento foi realizado este ano pela RCS, os organizadores do Giro, em um evento paralelo à Corsa Rosa que reuniu 533 ciclistas do mundo todo em 18 etapas em linha (sem as disputas de crono), num total de 1.829 km e 24 mil metros de subida acumulada.

Fui convidado pela Agência Nacional de Turismo da Itália para integrar a equipe ENIT e participar das duas últimas etapas nas montanhas Dolomitas do Giro D’Italia, incluindo a etapa rainha, no penúltimo dia do evento.

REGRAS PRÓPRIAS
Mais que uma corrida pura e simples, o GiroE é um evento de apelo turístico e que dá a oportunidade de pedalar no mesmo percurso do “Giro Vero”, como era chamado o Giro D’Itália pelos participantes da corrida com bicicletas elétricas.

Além do privilégio de pedalar no percurso do Giro e desfrutar das belas paisagens, o evento dá a oportunidade a qualquer ciclista com o mínimo de treinamento de pedalar longas etapas e encarar as montanhas, afinal, nem todo mundo tem pernas boas para escaladas com até 30km de extensão e com mais de 1.500 metros de desnível.

As etapas do GiroE tiveram no máximo 115km de extensão, com as chegadas no mesmo local do Giro Vero, onde vimos de perto a chegada do pelotão galático com Vincenzo Nibali, Richard Caparaz, Primoz Roglic, Elia Viviani, Simon Yates, Mikel Landa e tantos outros.

O GiroE reuniu 10 equipes – incluindo uma só de mulheres – e seis marcas de bicicletas elétricas: Pinarello, De Rosa, EPowers, Olmo, Trek e Fusion.

GPS

Massimiliano “Max” Nelli, o capitão da equipe ENIT com a camisa vermelha de líder de sprints

A dinâmica do GiroE é bem distinta e, para equilibrar a disputa foram criadas trechos cronometrados em que a velocidade média era revelada momentos antes da largada e cada ciclista era controlado por um rastreador GPS.

Cada equipe tinha um capitão e outros cinco ciclistas, que foram mudando ao longo da corrida. Minha equipe foi comandada pelo italiano Massimiliano Nelli, experiente ciclista de 51 anos que atuou no pelotão profissional entre os anos de1 989 e 2004 e que traz no palmarés a terceira colocação na geral com duas vitórias em etapas do Giro D’Itália de 1991 e seis vitórias na Volta a Portugal em 1996. No total, 35 ciclistas passaram pela equipe ENIT, incluindo os brazucas João Paulo Pacífico e João Antonio Ramalho.

Em cada etapa, somente os capitães disputavam a chegada enquanto que os demais ciclistas prosseguiam em velocidade controlada atrás de batedores em motos elétricas.

No final da etapa, com base nos resultados e na apuração dos dados do GPS, quatro camisas eram distribuídas: Viola (violeta) para a classificação geral, Laranja para regularidade, Vermelho para sprint e Verde para o melhor jovem. A equipe EPowers Factory Team foi a vencedora da maglia violeta e da maglia vermelha; a melhor equipe jovem foi a Kilocal-Selle SMP e a Toyota levou a maglia laranja.

O evento contou com a presença de ex-ciclistas profissionais como Gianni Bugno, Andrea Tafi, Edita Pučinskaitė, Fabiana Luperini, Diana Žiliūtė e Giorgia Fraiegari; além de atletas olímpicos, como Alessandra Sensini, Cristian Zorzi, Francesca Lollobrigida, Massimiliano Monti, Andrea Lalli, Luca Toni, Carlton Myers, Valentina Marchei, Fabio Triboli, Ivan Zaytsev, Margherita Granbassi e Mara Santangelo.

TORNANTES

Os belos vinhedos que produzem o famoso Prosecco da região

Depois de desembarcar em Veneza, fui de trem até a cidade de Montebelluna onde encontrei minha equipe formada pelo francês Bertrand Houillon (Cycloturisme Magazine), pelo espanhol Miguel Molleda (Rádio Nacional da Espanha), pelo austríaco Andreas Schintlsmeister (Eurofun Touristik) e pelo húngaro Tamás Takács (bikemag.hu), todos jornalistas especializados em cicloturismo e com muitos quilômetros nas pernas.

Os famosos túneis em “tornanti” que levam ao Passo de San Boldo

Nosso primeiro desafio começou na manhã do dia seguinte em Valdobbiadene, onde largamos às 9h40 com destino a San Martino di Castrozza, a chegada ao alto da 19ª etapa do Giro Vero, a 1.500 metros sobre o nível do mar.

VÍDEO – MELHORES MOMENTOS ETAPA 17

No percurso de 109km, encaramos um longa subida em zigue-zague com seis túneis “tornantes” pelo Passo de San Boldo (700 metros S.N.M) e uma longa subida de serra com 30km até a meta. No caminho, belas paisagens por vinhedos que mais tarde deram lugar a altas montanhas, nova sequência de túneis e até uma passagem pela bela cascata Ponte Serra Lamo.


VÍDEO – CASCATA PONTE SERRA LAMO

ETAPA RAINHA

Predazzo, local da largada de nossa última etapa

Depois do jantar em um típico restaurante no estilo alpino no alto da montanha a caminho do Passo Rolle com direito a polenta com funghi, carne de porco e típica linguiça da região regada ao famoso vinho espumante da região, descansamos para a empreitada no dia seguinte.

O famoso Passo Roulle a quase 2 mil metros SNM

No sábado, alinhamos às 8 horas para a nossa última jornada. Com saída de Predazzo, teríamos 81km até Croce D’Aune, no alto do Monte Avena, no trecho final da Etapa Rainha do Giro, a 1.225 metros sobre o nível do mar. Começamos a subir por uma estrada de asfalto perfeito que cruzou o Passo Rolle (1.980 metros S.N.M) e atravessou um platô coberto de neve. No alto, paramos para reagrupar e vestir roupa abrigada para encarar uma longa descida de 40km até a parada para alimentação e troca das baterias. Dali, seguimos até a subida final de 12 quilômetros até a meta no alto do Monte Avena.

VÍDEO – MELHORES MOMENTOS ETAPA 18


CIDADES ROSA
Além da beleza do percurso e das cidades italianas, participar do GiroE serviu para ver de perto o quanto o ciclismo é amado naquele país. A Itália oferece milhares de quilômetros de ciclovias e incontáveis roteiros e infraestruturas para cicloturistas e espera o mês de maio, o mês do Giro D’Itália, com devoção. As cidades se vestem de rosa e a população se organiza para decorar fachadas, vitrines, monumentos, igrejas, jardins e o público se aglomera nas ruas para ver a caravana passar. É uma grande festa cor de rosa.

No alto das montanhas a aglomeração de público é ainda maior e famílias inteiras acampam na noite anterior para pegar o melhor lugar ao lado das estradas e esperar o pelotão com churrasco, vinho, cerveja, música e muita vibração

O GiroE serviu como uma prova preliminar do Giro Vero e deu para sentir o gostinho de como é a emoção dos ciclistas profissionais nos trechos mais duros – e mais apinhados de gente – nas duras e longas subidas de montanha.

A competição está confirmada para o próximo ano e é aberta ao público e qualquer ciclista com boa saúde e o mínimo de treinamento pode participar. A inscrição inclui a bicicleta, camisa do evento, refeições, acomodações, carro de apoio e traslados.

Mais informações no site www.giroe.it

Marcos Adami viajou a convite da Agência Nacional de Turismo da Itália

LEIA TAMBÉM
Giro E percorreu de e-bike 1.829 km em 18 etapas

Bikemagazine vai ao Giro E, o Giro D’Itália com e-bike

Segunda semana do Giro E leva o pelotão das e-bikes às montanhas

Giro E encara as altas montanhas na terceira e última semana