Aos 18 anos, Vinicius Rangel é o brasileiro da equipe de Valverde

HomeCompetiçõesCiclismo

Aos 18 anos, Vinicius Rangel é o brasileiro da equipe de Valverde

Garoto prodígio que conquista pódios e títulos desde os 14 anos passa temporada na Espanha e se destaca no pelotão da Junior enquanto se prepara para o Mundial. Confira entrevista ao Bikemagazine

Vinicius Rangel com o campeão mundial Valverde

Dani Prandi / Do Bikemagazine
Fotos: arquivo pessoal e de divulgação

Vinicius Rangel Costa integrava a seleção brasileira na disputa do Mundial de Ciclismo de 2018, em Innsbruck, na Áustria, quando conheceu o ex-ciclista olímpico (Moscou-1980 e Seul-1988) e treinador Antonio Silvestre, que hoje vive nos Estados Unidos. Terminou em 30º lugar a disputa da categoria Junior e conseguiu uma indicação para integrar a equipe Valverde Team-Terra Fecundis, projeto do campeão mundial de 2018 Alejandro Valverde, voltado às categorias de base.

“O Silvestre conhece o pessoal da equipe e me apresentou. Eles me aceitaram e eu aproveitei a oportunidade”, conta Vinicius, que tem 18 anos e é de Cabo Frio (RJ), em entrevista ao Bikemagazine.

Nesta quarta-feira (31 de agosto), o brasileiro conheceu e pedalou com Valverde. “Sempre quis conhecê-lo  pessoalmente. Ele é gente como a gente, muito simpático, muito humilde, acima de tudo uma pessoa boa. Ele me perguntou se eu precisava de alguma coisa e disse que podia falar com ele. Um cara sensacional.”

Com a camisa de montanha na Volta Ciclista Al Penedés

Sua estreia na equipe teve um resultado muito além das expectativas. Quatro dias após desembarcar na Espanha, o brasileiro estava no pelotão da Volta Ciclista Al Penedés, na Catalunha, disputada entre 26 e 28 de junho, da categoria Junior. Encarou o desafio, venceu a etapa rainha, a classificação geral e as classificações de montanha e por pontos. “Eu não esperava. Estava disputando o Brasileiro de Pista em Maringá (PR) e vim direto para Madrid. Cheguei na segunda-feira e na quinta-feira estava na largada”, relata.

Vinicius tem uma agenda cheia até o Mundial de Ciclismo de 2019, que será em Yorkshire, na Inglaterra, entre 22 e 29 de setembro. Entre seus próximos compromissos está a Volta a Pamplona Junior, de 3 a 6 de agosto. Durante sua primeira temporada fora do Brasil, está morando em um hotel, treinando muito e vendo alguns dos grandes nomes do pelotão profissional, como Luiz Leon Sanchez, passando por ele na estrada. 

Vinicius Rangel no Mundial de Ciclismo em 2018

Depois do Mundial, volta ao Brasil em outubro e pretende retomar seu lugar na equipe Rio Cycling Team, que integra desde a sua criação, no ano passado. “É uma pena que no Brasil o ciclismo não tem apoio, pouco espaço na mídia, não temos muitas provas e menos ainda na categoria Junior. Na Europa é muito diferente, o nível é outro, todo mundo treina muito e há muitas corridas.”

Vinicius começou a se interessar por ciclismo por influência do primo João Marcos de Almeida, que já foi ciclista da Elite. “Por causa dele conheci o treinador Marcos Coutinho Ladislau, que até hoje passa meus treinos”, conta. No começo da carreira integrou a equipe Campos Speed Cycling, de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e se destacou nos Jogos Escolares da Juventude. Em 2015, aos 14 anos, venceu o título de campeão brasileiro de contrarrelógio na categoria Infanto-Juvenil. “Estava treinando há seis meses quando fui competir e já ganhei”, lembra.

Venceu novamente o título em 2016 e também o de resistência e foi chamado para integrar a seleção brasileira da Volta de Codecan, no Uruguai, uma das mais importantes provas da categoria de base da América do Sul, na qual foi campeão juvenil. Um ano depois repetiu novamente o título de campeão brasileiro de crono. Em 2018, na categoria Júnior, foi vice-campeão brasileiro de estrada e então convocado para integrar a seleção brasileira no Mundial de Ciclismo em Innsbruck, na Áustria.

Com a medalha de bronze no Pan-Americano Junior no México, em 2018

“Durante esse tempo morei em Iracemápolis, no interior de São Paulo, e depois em Criciúma, em Santa Catarina, com a equipe Bike Point. No ano passado ia para os Jogos Sul-Americanos quando quebrei o braço e acabei de fora. Foi aí que o Tiago Waiandt (idealizador da equipe Rio Cycling Team, campeão estadual de estrada do Rio de Janeiro, em 2016) me chamou para a equipe que estava criando”, contou. “Gostei porque ia ficar perto de casa e o projeto era bom. A Rio Cycling Team tem tudo para dar certo, mas ainda falta um patrocinador.”

A temporada 2019 começou e Vinicius disputou a Volta do Futuro e ficou em 2º lugar. Em julho, esteve no México novamente com a camisa da seleção brasileira e voltou com duas medalhas de bronze, na crono e na estrada do Pan-Americano Junior.

Agora, depois da rápida temporada na Espanha, seus pensamentos estão em Yorkshire, e ele está confiante de que vai vestir mais uma vez a camisa da seleção. “O circuito do Mundial é duro, me favorece, isto é, não favorece ninguém, pois tem uma subida difícil que será escalada várias vezes. Eu não sou um escalador puro, mas eu faço tudo e sou bom em contrarrelógio”, avalia. Depois do Mundial, Vinicius volta ao Brasil, e espera novas oportunidades no ciclismo. “Tudo pode acontecer.”

LEIA TAMBÉM
Vinicius Rangel é campeão geral, de montanha e por pontos na Espanha