Tour de France: Tourmalet é o destaque da 2ª semana

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Tour de France: Tourmalet é o destaque da 2ª semana

O Col du Tourmalet, que foi escalado pelo Tour de France pela primeira vez em julho de 1910, só entrou no percurso por causa de um jornalista muito destemido

O Tourmalet marcou a história do Tour de France

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

A segunda parte do Tour de France, nesta temporada, terá cinco etapas, três delas com duras montanhas, entre elas o icônico Tourmalet, e ainda mais uma disputa de contrarrelógio individual.

O Col du Tourmalet foi escalado pelo Tour de France pela primeira vez em julho de 1910 e passou a fazer parte de sua história e se tornou uma grande referência. Muitos dizem, vale destacar, que o Tour de France só se tornou o que é por causa do Tourmalet. A subida marcou a estreia do pelotão da prova acima dos 2 mil metros de altitude e as duas subidas para o Tourmalet já foram utilizadas 89 vezes pelo Tour (a mais recente em 2023), mais do que qualquer outra montanha na história da competição.

Mas para o Tourmalet entrar para o percurso do Tour foi preciso muita coragem e determinação.

Octave Lapize foi o primeiro a encarar o Tourmalet em 1910

Antes de 1910, o Tourmalet era apenas um caminho entre dois dos picos mais altos dos Pirineus e a trilha era usada apenas por pastores que viviam entre os vales. O jornalista esportivo Alphonse Steines, de Luxemburgo, grande colaborador do criador do Tour, Henri Desgrange, foi o primeiro a sonhar com sua inclusão no percurso da prova.

Steines é lembrado em placa na subida ao Tourmalet

A ideia de Steines não foi bem-recebida e quando os moradores locais entenderam o que ele estava planejando o jornalista chegou a ser motivo de piada. Eles estavam acostumados a estranhos que vinham para as montanhas de carro e que fracassavam ao tentar atravessar o caminho. Destemido, Steines apresentou-se ao superintendente de estradas da região, um homem chamado Blanchet, que também riu na cara dele. Era impossível. Talvez algumas das estradas ao longo dos desfiladeiros pudessem levar um ou outro carro, mas uma comitiva inteira de veículos de apoio e 250 homens em bicicletas? Impossível. Não só as estradas eram íngremes, elas também estavam em péssimas condições.

Steines, então, disse a ele que nada poderia ser feito sobre a inclinação da montanha, mas algo poderia ser feito sobre as condições da estrada. Ele prometeu ajuda financeira e Blanchet avaliou que seria preciso 5 mil francos. Steines comunicou a proposta a Desgrange, que ofereceu 3 mil francos. Blanchet aceitou.

Mas, antes de ir embora, Steines queria atravessar a passagem de carro e contratou um guia para o levar. Perto do topo, com muita neve, teve de desistir da ideia, mas resolveu continuar a pé, mesmo depois que o guia se recusou. O jornalista foi sozinho, e a certa altura caiu e perdeu-se, mas teve sorte de ser encontrado por uma equipe de resgate às 3h da madrugada. “Eu estava perdido e sozinho na escuridão. Eu não queria morrer em uma montanha hostil e desconhecida”, relatou na época.

Depois de descer a montanha e se recuperar, na manhã seguinte Steines enviou um telegrama a Desgrange, em Paris, que ficou famoso, onde se lia: “Atravessei o Tourmalet. Muito boa estrada. Perfeitamente passável. Assinado Steines”.

Etapa de transição rumo aos Pirineus

Programação da semana
Após o primeiro dia de descanso, o pelotão retorna à estrada nesta quarta-feira (17 de julho) para a 11ª etapa, um dia de transição, com 167 km entre Albi e Toulouse, em mais uma oportunidade para os velocistas antes dos dias difíceis nos Pirineus.

Subidas e descidas técnicas na 12ª etapa

Contrarrelógio individual terá 27,2 km em Pau

A 12ª etapa, na quinta-feira (18 de julho), com 209,5 km, de Toulouse a Bagnères-de-Bigorre, conta com a escalada até o topo do Peyresourde e a subida ao Hourquette d’Ancizan antes da técnica descida final. A parte do Tour nos Pirineus começa no vale e isso deve motivar uma fuga logo no início. Mas, com o Peyresourde e o Hourquette d’Ancizan no caminho, será uma boa oportunidade para os escaladores.

No dia seguinte, a 13ª etapa, na sexta-feira (19 de julho), será a prova de contrarrelógio individual, com 27,2 km de percurso ondulado em Pau, que já recebeu a crono do Tour em duas ocasiões: em 1939 (com vitória do suíço Karl Litschi) e em 1981 (vitória do francês Bernard Hinault). Vale lembrar que a camisa amarela desta etapa será especial, pois é a camisa que marca seu 100º aniversário.

Enfim, o Tourmalet

A subida icônica do Tour

Chega então a 14ª etapa, no sábado (20 de julho), que promete um grande espetáculo, com os 117,5 km entre Tarbes e o icônico Col du Tourmalet. O percurso passa pelo Col du Soulor para, em seguida, descer até o pé do Tourmalet. A etapa terá chegada no topo, a 2.115 metros de altitude. Será mais um dia especial, que vai celebrar Eugène Christophe, o primeiro ciclista a usar a camisa amarela do Tour de France, em 1919, e a etapa vai comemorar a data no alto da montanha.

Mais sobe e desce nos Pirineus antes do segundo dia de descanso

A segunda parte do Tour termina domingo (21 de julho), com a 15ª etapa, com 185 km entre Limoux e Foix, que será outro dia duro, com o Côte de Montségur e a chegada a Prat d’Albis. O Côte de Montségur servirá de aperitivo para os escaladores e o Prat d’Albis, no final, após uma subida de 12 km, com uma média de 6,9%, promete muitos desafios em uma etapa com 4.700 metros de elevação total.

AS ETAPAS
Etapa 1 – 6 de julho – Bruxelas 194,5 km
Etapa 2 – 7 de julho – Bruxelas (contrarrelógio por equipes ) 27,6 km
Etapa 3 – 8 de julho – Binche – Epernay 215 km
Etapa 4 – 9 de julho – Reims – Nancy 213,5 km
Etapa 5 – 10 de julho – Saint-Die-Des-Vosges – Colmar 175,5 km
Etapa 6 – 11 de julho – Mulhouse – La Planche Des Belles Filles 160,5 km
Etapa 7 – 12 de julho – Belfort – Chalon-Sur-Saone 230 km
Etapa 8 – 13 de julho – Macon – Saint-Etienne 199 km
Etapa 9 – 14 de julho – Saint-Etienne – Brioude 170,5 km
Etapa 10 – 15 de julho – Saint-Flour – Albi 217,5 km
Descanso – 16 de julho
Etapa 11 – 17 de julho – Albi – Toulouse 167 km
Etapa 12 – 18 de julho – Toulouse – Bagneres-De-Bigorre 209,5 km
Etapa 13 – 19 de julho – Pau (contrarrelógio individial) 27,2 km
Etapa 14 – 20 de julho – Tarbes – Tourmalet 117,5 km
Etapa 15 – 21 de julho – Limoux – Foix 185 km
Descanso – 22 de julho
Etapa 16 – 23 de julho – Nimes – Nimes 177 km
Etapa 17 – 24 de julho – Pont Du Gard – Gap 200 km
Etapa 18 – 25 de julho – Embrun – Valloire 208 km
Etapa 19 – 26 de julho – Saint-Jean-De-Maurienne – Tignes 126,5 km
Etapa 20 – 27 de julho – Albertville – Val Thorens 130 km
Etapa 21 – 28 de julho – Rambouillet – Paris Champs-Elysees 128km

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